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sábado, 15 agosto, 2020

Ópera-bufa

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Ninguém me convence que uma gama tão grande de pessoas se tornem bandidas por escolha pessoal

Segundo o dicionário Michaelis, ópera-bufa é uma ópera levemente cômica e satírica, surgida no século XVIII na Itália, caracterizada por personagens burlescas, por tipos excêntricos e por música mais ligeira. É desenvolvida a partir dos “intermezzi” representados entre os atos de uma ópera-séria. “Intermezzi” é traduzido para a língua portuguesa como interlúdio. No caso da ópera, um breve espetáculo entre dois atos.

Leio o blog de Andréia Sadi, no Globo, e me deparo com a informação de que o Presidente
Michel Temer resolveu reunir-se com seus marqueteiros para discutir “a melhor estratégia de comunicação para capitalizar politicamente e usar a intervenção no Rio para melhorar a sua imagem junto à população”. Ópera-bufa! Entre o ato da ópera-séria do decreto de intervenção e da ópera-séria da aprovação no Congresso Nacional, uma atitude levemente cômica e satírica, para não dizer lamentável.

No entremeio, diversas análises a favor e contra a intervenção vindas de especialistas em
segurança, políticos, sociólogos, cientistas políticos, analistas em geral, e até mesmo dos
filósofos de boteco, que embora pareçam os menos entendidos são, geralmente, os que vivem o problema na pele, conhecem o drama no dia-a-dia. Eu não formei, ainda, opinião sobre a intervenção e não sei avaliar no momento se será eficaz ou não e nem se terá  consequências outras, muito embora me pareça à primeira vista que como remédio para estancar a sangria de um paciente terminal tenha sido uma medida inevitável.

Aí é que tudo se torna ópera-bufa, pois a ópera-séria que devia ter sido executada no Brasil já há muito tempo, sempre foi negligenciada: Educação, educação, educação! Ninguém me convence que uma gama tão grande de pessoas se tornem bandidas por escolha
pessoal. Não é uma opção assim definida: Você quer ser bandido ou quer trabalhar e ter salário digno para sustentar sua família? Aí a pessoa opta por ser bandido. Até pode ter uma quantidade, mínima, que possa fazer essa opção, mas a maioria entra para o crime porque o Estado não lhe dá o retorno dos impostos mais altos do planeta. E tudo começa no ensino fundamental.

Já dizia Cristovam Buarque: “É mais barato investir em uma criança na escola do que em um bandido no presídio”. Mas o dinheiro no Brasil escoa pelos ralos da corrupção e das benesses em troca de votos, para se aprovar temas que deveriam ser aprovados porque é obrigação dos congressistas neles trabalhar e debater, não por troca de favores. E lá se vai mais dinheiro, para melhorar a imagem de um Presidente que já virou Pato Manco há muito tempo. Que país é este?

É preciso investir nos professores, pagar salários dignos, melhorar as condições de trabalho, utilizar a tecnologia educacional que já está disponível para integrar salas de aula, e fundamentalmente ensinar às nossas crianças a prática da meditação, da oração, do
companheirismo, do empreendedorismo compartilhado, dos valores universais, ensinar e
fomentar a economia criativa, pois somente assim criaremos uma geração que não se estapeia nas escolas, que respeita seus mestres e que pode ajudar o País a se tornar um local onde a escolha entre ser bandido e ser trabalhador não se faça mais necessária.

Michel Temer poderia melhorar sim sua imagem se, ao invés de discutir com seus marqueteiros, estivesse discutindo com seu Ministro da Educação o que fazer para que antes mesmo de acabar a intervenção fosse feita uma verdadeira revolução nas prioridades, começando pelas salas de aula. Ópera-séria! Mas pelo visto, a capacidade não ultrapassa a de compositor de uma singela ópera-bufa.

Estamos entrando na época dos discursos; as Eleições vem aí. Quem está no poder tem que apresentar mais que palavras; tem que apresentar o que fez nos últimos dois anos para colocar seu governo na agenda do século XXI. Fazer discurso de avanços é fácil, mas é preciso apresentar, com clareza, resultados.

André Gomyde é presidente da Rede Brasileira de Cidades Inteligentes e Humanas.

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