Expectativa de aumento dos juros torna as opções de investimento em renda fixa mais rentáveis para investidores
Por Kikina Sessa
A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil (BC), marcada para os dias 18 e 19 de março, está sendo aguardada com uma possível elevação da taxa básica de juros, a Selic (Sistema Especial de Liquidação e de Custódia), hoje em 13,25% ano ano.
Como a Selic serve de base para linhas de crédito, como em operações de empréstimos e financiamentos, além do rendimento de aplicações financeiras, a elevação ou redução gera impacto na rentabilidade dos investimentos.
Via de regra, as opções de investimento em renda fixa ganham mais quando a taxa Selic sobe, já que melhora a remuneração dos títulos federais e dos fundos de investimento atrelados ao CDI (taxa que busca a Selic como referência). Por outro lado, a renda variável, que embute maior risco, fica menos atraente diante da trajetória de alta da Selic que encarece o crédito e desacelera a atividade econômica, afetando o retorno das empresas.
“Sempre em um cenário de alta de juros, a tendência é manter as aplicações mais conservadoras, aproveitando a taxa mais alta. Realmente, a projeção é de que a Selic tenha uma leve alta e com isso o CDB e as letras do Tesouro ficam mais atrativos. Na XP a gente sempre sugere diversificação. Temos carteiras alinhadas com o momento de vida do cliente e com o perfil do cliente. Mas, basicamente, quando a taxa de juros está mais alta a tendência é concentrar mais nos investimentos de renda fixa”, avalia a economista Cecília Perini.
Se for analisar por ordem de rentabilidade e risco, o Tesouro Direto sempre tem um risco menor e naturalmente uma remuneração menor, afirma a economista. Já os CDBs melhoram um pouco a rentabilidade, porém, os créditos privados, que são as emissões das empresas (debêntures, CRIs e CRAs) são investimentos onde se consegue ter um nível mais elevado de taxa e acaba sendo mais atrativo.

“Além dos investimentos pós-fixados, que se aproveitam das taxas de juros, há os pré-fixados, que trazem uma taxa não só do momento, mas projetada para o futuro. Vemos investimentos pré-fixados com taxas melhores do que a da Selic hoje, porque o mercado já entende que a taxa vai subir lá na frente”, disse Cecília.
A economista é enfática ao dizer que investimento pós-fixado é uma boa opção, com o cliente aproveitando a taxa de juros mais alta no curto prazo, e que a poupança é onde o investidor vai ter a menor remuneração. “Sempre é importante avaliar o horizonte de tempo que se tem para o investimento”.
Saiba Mais
CDB: O Certificado de Depósito Bancário é um título de renda fixa emitido por bancos, que funciona como um empréstimo de dinheiro para a instituição financeira. Em troca, o investidor recebe uma remuneração, que pode ser pré ou pós-fixada, de acordo com os termos do título.
Tesouro Direto: investimento em títulos públicos, que permite aos investidores emprestar dinheiro ao Tesouro Nacional e receber juros em troca. É considerado investimento de renda fixa, por oferecer rentabilidade predefinida.
Debêntures: títulos de dívidas emitidos por empresas para financiar-se.
CRAs e LCAs: aplicações de renda fixa lastreadas em empréstimos a produtores rurais.
CRIs e LCIs: aplicações de renda fixa lastreadas em empréstimos a empresas do setor imobiliário.
Poupança: reserva financeira com rentabilidade definida por lei e que varia de acordo com a taxa Selic. Para pessoas físicas, quando a Selic está acima de 8,5% ao ano, ela rende 0,5% ao mês + TR (Taxa Referencial).
*Matéria publicada originalmente em 5 de setembro de 2024 e atualizada em 20 de fevereiro de 2025

