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Novos clones de conilon: robustas que vencem o frio

Novos clones de conilon desafiam limites históricos e avançam para regiões frias do ES, transformando a cafeicultura diante das mudanças climáticas

Por Ludmila Azevedo

As mudanças climáticas também estão mexendo no DNA do café plantado no Espírito Santo. Tradicionalmente restrito a áreas quentes e baixas, o conilon começa a se expandir para regiões mais altas e frias, como o Caparaó. E isso tem tudo a ver com o surgimento de novos clones, mais produtivos e adaptáveis.

“Nos últimos anos, materiais robusta de Rondônia e da Amazônia chegaram ao Espírito Santo. São plantas mais vigorosas e produtivas, que têm se adaptado muito bem ao nosso clima, principalmente agora que voltamos a ter índices de chuva melhores”, afirmou o doutor em Engenharia Agrícola e professor do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) campus Itapina, Gustavo Soares de Souza.

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Entretanto, se o Espírito Santo passar períodos prolongados de seca, como ocorreu em 2014 e 2015, esses materiais podem ser comprometidos, pois plantas mais robustas transpiram mais e exigem irrigação constante. Segundo Gustavo, nenhuma produção significativa de café, seja conilon ou robusta, se mantém sem irrigação no estado nos dias de hoje. “A irrigação virou uma garantia de produção. É o que assegura produtividade e segurança ao produtor em tempos de clima incerto”.

Um projeto inédito da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) em parceria com o Grupo Khas Café e apoio da Fapes está desafiando limites históricos do cultivo do café conilon. A pesquisa, liderada pelo professor Fábio Partelli, acontece em Venda Nova do Imigrante, a cerca de 1.100 metros de altitude, onde 25 clones da planta estão sendo testados em clima serrano.

“Depois de cinco colheitas, os resultados preliminares indicam que alguns clones apresentam boa tolerância ao frio, com produtividade satisfatória e qualidade de bebida promissora. Essa iniciativa representa um avanço na expansão do cultivo de conilon para regiões tradicionalmente ocupadas pelo arábica, ampliando as possibilidades de diversificação e sustentabilidade da cafeicultura capixaba”, enfatizou Partelli.

Antes, no Caparaó, apenas áreas abaixo de 500 metros eram consideradas adequadas ao conilon. A expectativa é que entre cinco e seis clones sejam lançados como novas opções adaptadas ao frio a partir de janeiro de 2026. O resultado será apresentado no Simpósio do Produtor de Conilon, em São Mateus, previsto para novembro de 2025.

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A agrônoma Cristiani Martins Busato, do Ifes de Itapina, reitera que a cafeicultura é marcada por altos e baixos imprevisíveis. “Todo ano pode ter uma surpresa. Teve clone que tombou porque produziu tanto que quebrou os galhos. No ano passado, a seca derrubou algumas produções. É um trabalho constante de adaptação”, relatou.

Conhecimento e capacitação

Em meio a tantas transformações, o conhecimento tem sido o maior aliado dos cafeicultores. No campus Itapina do Ifes, o Programa de Qualidade do Café se tornou referência, reunindo pesquisa, extensão e capacitação. “Criamos uma lavoura modelo, nossa vitrine tecnológica, com oito clones diferentes, onde o produtor pode acompanhar adubação e tratos culturais”, contou Cristiani.

Além da produção, o Ifes oferece cursos gratuitos em áreas como classificação, degustação, torra e até barismo. Essas formações têm sido estratégicas, especialmente para pequenos produtores que buscam agregar valor ao café que cultivam.

“Muitos produtores familiares vêm aprender sobre a torra mais adequada para o tipo de café que têm, na intenção de vender o pó. Já tivemos caso de produtor que, depois do curso, melhorou muito a qualidade e começou a vender mais”, destacou Cristiani.

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Tecnologia, genética, sustentabilidade e conhecimento estão moldando o café do Espírito Santo para um novo cenário, onde não basta plantar: é preciso se reinventar. Para o professor Gustavo, é esse movimento que vai garantir o futuro do setor.

“A cafeicultura precisa ser sustentável, tecnológica e, acima de tudo, resiliente.

O produtor capixaba está entendendo isso e se adaptando muito rápido. É por isso que o Espírito Santo é, e vai continuar sendo, protagonista no café.”

*Matéria publicada originalmente na revista ES Brasil nº 228, de agosto de 2025. Leia a edição completa do Agro aqui.

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