O Novembro Roxo chega para alertar! Veja como o pré-natal, o Método Canguru e equipes especializadas ajudam a prevenir complicações
Por Thamiris Guidoni
Em novembro, o calendário da saúde ganha nova cor: o roxo. Instituído por lei, o Novembro Roxo reforça a conscientização sobre a prematuridade em todo o país. Em Vila Velha, o Hospital Estadual Infantil e Maternidade Alzir Bernardino Alves (Himaba) abraça a causa há mais de uma década, fortalecendo o vínculo entre mães e bebês e promovendo a amamentação, pilares do cuidado neonatal humanizado.
Em 2024, 127 bebês prematuros nascidos na unidade foram assistidos pelo Método Canguru. Até outubro deste ano, outros 97 bebês e famílias já haviam passado pela mesma experiência.
Pré-natal: o primeiro passo para prevenir a prematuridade
A médica ginecologista, obstetra e coordenadora da Obstetrícia do Himaba, Rosangela Maldonado, reforça que a prevenção começa antes do nascimento.
“Novembro Roxo é uma oportunidade para abordarmos um tema de extrema importância, que é a prematuridade. O pré-natal é crucial para evitar essa situação, que ainda é muito frequente no nosso meio e responsável pela morte de muitos bebês”, frisou.
A médica destaca que o pré-natal vai muito além das consultas mensais.
“É importante reforçar que o pré-natal não é apenas uma consulta médica, mas um acompanhamento fundamental para manter a saúde da mãe e do bebê. Precisamos conscientizar a população sobre a importância de um pré-natal eficaz.”
Rosangela lembra que rotinas básicas fazem diferença.
“Durante a gestação, é essencial tomar alguns cuidados para ajudar a evitar a prematuridade. O primeiro deles é realizar um pré-natal consistente, com consultas regulares para monitorar a saúde da gestante e do bebê. Isso inclui exames de rotina, orientações sobre vacinas e ultrassons para acompanhar o crescimento fetal. Em gestações de risco habitual, as consultas costumam ser mensais; quando existe alguma patologia, os intervalos precisam ser menores.”
Alimentação, hidratação e controle de doenças
Uma alimentação equilibrada também faz parte da prevenção. “A alimentação também é fundamental. Uma dieta nutritiva, rica em frutas, verduras e proteínas, garante que a mãe receba os nutrientes necessários para favorecer o crescimento adequado do bebê. Beber bastante água evita desidratação e complicações sérias, como infecção urinária, muito comum na gravidez e que pode levar ao trabalho de parto prematuro.”
O controle de doenças pré-existentes é outro ponto de atenção. “É essencial controlar doenças pré-existentes, como diabetes e hipertensão. Tão importante quanto engravidar com essas doenças controladas é fazer o diagnóstico precoce de qualquer complicação durante o pré-natal.”
Atividade física, saúde emocional e bem-estar
A médica também destaca a importância de exercícios leves e apoio emocional. “A atividade física leve, como caminhada, também é benéfica. Exercícios de relaxamento ajudam a evitar estresse desnecessário. O acompanhamento emocional é igualmente importante: o apoio psicológico ajuda a lidar com as emoções e o estresse da gestação, especialmente para as primíparas, que enfrentam um terreno totalmente desconhecido.”
O que evitar na gestação
Entre os fatores de risco amplamente reconhecidos, Rosangela reforça que:
“É fundamental evitar álcool, tabaco e drogas ilícitas, porque aumentam o risco de parto prematuro. Além disso, a educação é essencial. Informar sobre a gestação e o desenvolvimento dos bebês e incentivar a participação das gestantes em cursos sobre cuidados na gravidez e com o recém-nascido ajuda muito de forma preventiva.”
Principais causas de prematuridade
A médica chama atenção para infecções mal tratadas e intervenções inadequadas.
“As principais causas de prematuridade que observamos são infecções urinárias mal conduzidas ou mal tratadas; ruptura prematura das membranas, muitas vezes decorrente dessas infecções; e corrimentos não tratados adequadamente, que podem causar vaginose. A vagina é uma via de ascensão para contaminação do útero, e um corrimento mal tratado pode desencadear trabalho de parto prematuro.”
Sobre cesáreas feitas fora do trabalho de parto, ela alerta.
“Outro ponto que precisa ser ressaltado são as cesáreas feitas fora do trabalho de parto. Quando há erro na data da gestação, é possível que o bebê seja retirado antes da hora, causando prematuridade de forma iatrogênica. Infelizmente, isso ainda acontece, especialmente em clínicas privadas, muitas vezes por comodidade da família ou da equipe.”
Rosangela reforça o papel do acompanhamento responsável.
“É fundamental ter uma assistência pré-natal adequada. A gestante deve cobrar que, durante as consultas, seja medida a pressão arterial, que os exames de rotina sejam solicitados, que o crescimento fetal seja acompanhado por ultrassom e que qualquer complicação seja tratada precocemente.”
E reforça: “Uma equipe preparada, capaz de identificar e tratar complicações desde cedo, é essencial para prevenir o parto prematuro.”
Método Canguru: ciência confirma benefícios duradouros
Evidências científicas apontam para efeitos positivos do contato pele a pele na saúde imediata e no desenvolvimento futuro do bebê.
Uma revisão científica da Cochrane Library concluiu que a posição canguru reduz riscos de mortalidade, infecções hospitalares, sepse, hipotermia e diminui o tempo de internação.
Um estudo de 2017, conduzido na Colômbia, acompanhou jovens de 20 anos que participaram do método e observou menos agressividade, impulsividade e comportamentos antissociais.
“O método canguru foi uma descoberta fantástica na obstetrícia e na neonatologia. O bebê prematuro precisa ganhar peso, e, em vez de ficar apenas na incubadora, ele é colocado diretamente no peito da mãe. O calor materno e o contato pele a pele, junto ao aleitamento, ajudam muito no desenvolvimento desses bebês.”
O mesmo estudo identificou ainda maior envolvimento materno nos cuidados, redução da evasão escolar e mais participação paterna, fatores que influenciam o desenvolvimento cognitivo e emocional.
Novembro Roxo em destaque no ES
Esta segunda-feira (17) marcou o Dia Mundial e o Dia Nacional da Prematuridade. No Hospital Estadual Dr. Jayme Santos Neves, na Serra, referência materno-infantil — aconteceu a tradicional “Festa do Prematuro”, reunindo bebês assistidos pela UTIN desde 2013 até 2025.
O mês reforça a conscientização sobre desafios enfrentados por bebês prematuros e valoriza o trabalho das equipes multiprofissionais.
A neonatologista Silvia Louzada reforça a importância do cuidado especializado:
“De janeiro a setembro deste ano, a unidade realizou 2.390 partos, sendo 932 de bebês prematuros, o que representa quase 40% do total.”
Segundo Líbia Pimentel, a prematuridade pode causar complicações respiratórias, dificuldades alimentares, maior vulnerabilidade a infecções e riscos neurológicos, entre outros. O acompanhamento técnico e contínuo é essencial para reduzir sequelas e garantir um desenvolvimento mais saudável.

