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“O desafio da mulher que trabalha fora hoje em dia é falar não”

Pediatra que atua no Himaba explica o tema da campanha de amamentação desse ano com foco nas mulheres que trabalham

Por Rafael Goulart

As campanhas da Semana Mundial da Amamentação e do Agosto Dourado deste ano estão focadas na garantia da amamentação adequada para as mães que trabalham, principalmente fora, realidade cada vez mais comum nas famílias brasileiras.

Com o tema “Possibilitando a amamentação fazendo a diferença para mães e pais que trabalham”, a campanha deste ano foca nos direitos maternos sobre a amamentação.

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A preocupação dos especialistas é sobre a substituição da amamentação no peito – que de acordo com o Ministério da saúde deve ser o único método alimentar para recém-nascidos de até 6 meses – por métodos mais “práticos”, que são reprovados por estudos científicos, médicos e profissionais da saúde.

A reportagem ES Brasil entrevistou Angélica Carvalho, professora de medicina da UVV e pediatra que atua no Banco de Leite do Himaba, para explicar melhor o tema.

Entrevista

ES Brasil – Qual a importância do leite materno para o desenvolvimento humano?

Angélica Carvalho – O leite materno traz uma memória biológica, de tudo que a mãe já viveu, que vai ajudar o bebê em uma melhor adaptação à vida aqui do lado de fora do útero materno. A amamentação no peito da mãe ajuda no melhor desenvolvimento da face e estimula melhor o ponto importante da musculatura que vai desenvolver a fonação, então o bebê que mama no peito articula melhor as palavras e respiram melhor, por exemplos.

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O leite materno tem células de defesa do organismo da mulher que são resistentes à ação digestiva e que vão ter uma ação biológica no bebê, protegendo contra doenças, ajudando também no amadurecimento do sistema imunológico e do sistema nervoso. Então, há substâncias no leite que vão ajudar a formar não só o sistema imunológico do bebê, mas também o desenvolvimento neurológico.

E sobre o aspecto nutritivo do leite materno?
Esse tipo de gordura que tem no leite é melhor para o desenvolvimento do neném. O leite já vem equilibrado ali com toda a quantidade de calorias, de vitaminas, de tudo que o neném precisa para crescer forte e saudável.

E qual o problema de usar um “substituto”?
Algumas pessoas podem achar que a facilidade de usar outro alimento justificaria não amamentar no peito, porém, estudos mostram que bebês que não mamam no peito precisam de maior vigilância e cuidado pra se manterem saudáveis. Isso porque outros alimentos – como leites de origem animal e fórmulas enriquecidas – não são bons substitutos.

Por que a campanha desse ano é voltada para mulheres que trabalham?
A gente precisa ter uma preocupação e proteger as mulheres que trabalham fora porque muitas optam por substituir a amamentação no peito devido à praticidade. 

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O desafio da mulher que trabalha fora hoje em dia é falar não, porque muito se fala em dar o alimento X ou Y ou Z – que são tratados como substitutos do leite humano – de uma forma tolerante. 

A gente precisa proteger essas mulheres pensando em quais as opções elas têm, pensar se pode ou não tirar o leite dela e deixar para o neném, pensar como esse leite vai ser dado. Esse é o foco do tema do ano na Semana Mundial da Amamentação. Precisamos, enquanto sociedade, família, governo, empresas, ajudar essas colaboradoras.

Qual a importância para a sociedade de proteger essas mulheres?
Então, proteger o aleitamento materno é a gente investir no futuro da nossa sociedade, né? Porque é realmente o padrão ouro de alimentação para o bebê, como já tinha dito antes, e é o que vai ajudar esse neném a se desenvolver forte e saudável.

Campanha Mundial de Amamentação

A primeira campanha de aleitamento materno em escala global foi instituída pela “Declaração de Innocenti” da Organização Mundial da Saúde com a Unicef, em 1990. Na época, a maior preocupação eram os os graves índices de mortalidade infantil.

O documento promoveu a criação, ano seguinte (1991), da Aliança Mundial de Ação Pró-Amamentação (WABA, em inglês) e da Semana Mundial do Aleitamento Materno, com participação de 120 países de 14 idiomas.

Já em 1992, a OMS instituiu a campanha do Agosto Dourado – sendo o adjetivo uma referência ao “padrão ouro de qualidade alimentar” do aleitamento materno – para incentivar e conscientizar sobre a importância da amamentação.

 

 

 

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