“Não renunciarei”, afirma Temer à Nação

“Não renunciarei”, disse o presidente Michel Temer (PMDB) em pronunciamento no Palácio do Planalto nesta quinta-feira (18).

Acusado pelo empresário Joesley Batista, do grupo JBS, de ter autorizado a compra do “silêncio” de Cunha, o presidente Michel Temer (PMDB) negou o fato. “Não comprei o silêncio de ninguém, sempre honrei meu nome e nunca autorizei usar meu nome indevidamente.”

O presidente Temer abriu seu discurso às 16h11 desta quinta-feira (18), alegando desconhecer as acusações de forma precisa. “Tentei  conhecer, primeiramente, o conteúdo de gravações que me citam. Solicitei, aliás, oficialmente, ao Supremo Tribunal Federal, acesso a esses documentos. Mas até o presente momento não o consegui.”

Em seguida, disse que seu governo viveu esta semana seu pior e seu melhor momentos. Os melhores diante dos “indicadores de queda da inflação, os números de retomada de crescimento da economia e dos dados de geração de empregos”. Temer disse que esses resultados criaram esperança de dias melhores, juntamente com as reformas que avançavam no Congresso Nacional.

Por outro lado, a “revelação de conversas gravadas clandestinamente, trouxe de volta o fantasma de crise política de proporção ainda não dimensionada”. Temer enfatizou que essa situação pode tornar inútil “todo o imenso esforço de retirar o país de sua maior recessão”.

Não renunciarei

“Nós não podemos jogar no lixo da história, tanto trabalho feito em prol do país”. Temer admitiu ter havido apenas o relato de um empresário que, por ter relações com um ex-deputado (Cunha), auxiliava a família do ex-parlamentar. “Não solicitei que isso acontecesse. E somente tive conhecimento desse fato nessa conversa pedida pelo empresário.”

Temer enfatizou que a investigação pedida pelo Supremo Tribunal Federal “será território, onde surgirão todas as explicações. E no Supremo, demonstrarei não ter nenhum envolvimento com esses fatos.”

Por fim, em menos de cinco minutos, anunciou: “Não renunciarei, repito, não renunciarei! Sei o que fiz e sei da correção dos meus atos.”. O presidente disse ainda exigir investigação plena e muito rápida, para os esclarecimentos ao povo brasileiro. “Esta situação de dubiedade ou de dúvida não pode persistir por muito tempo. Se foram rápidas nas gravações clandestinas, não podem tardar nas investigações e na solução respeitantemente a estas investigações.”

Investigações

O ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou abertura de inquérito para investigar o presidente Michel Temer. O pedido de investigação foi feito pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

Com a decisão de Fachin, Temer passa formalmente à condição de investigado na Operação Lava Jato. O pedido de abertura de inquérito foi feito após a denúncia de um dos donos do grupo JBS, Joesley Batista, em delação à PGR. Segundo ele, em março deste ano, teria gravado o presidente dando aval para comprar o silêncio de Eduardo Cunha (PMDB/RJ).

Governabilidade

Após o anúncio do STF sobre aceitação de abertura do processo, tiveram início as notícias de que Temer teria afirmado não haver mais condições de governabilidade e de que iria renunciar ao cargo. Ao contrário, Temer demonstrou que irá aceitar o embate jurídico. Há ainda um outro fator político que pode modificar o cenário: a pressão das ruas.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), relator da Lava Jato, Luiz Edson Fachin, retirou nesta quinta-feira (18) o sigilo da delação premiada do empresário Joesley Batista, da JBS.

O caso

Os donos da JBS, Joesley Batista e o seu irmão Wesley entregaram ao ministro do STF, Edson Fachin, a gravação de um diálogo do presidente Michel Temer. Nele, Temer teria indicado o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB/PR) para resolver um assunto da J&F (holding que controla a JBS).

Posteriormente, Rocha Loures teria sido filmado recebendo uma mala com R$ 500 mil enviados por Joesley. Temer também ouviu do empresário que estava dando a Eduardo Cunha e ao operador Lúcio Funaro uma mesada na prisão para ficarem calados. Diante da informação, Temer teria incentivado: “Tem que manter isso, viu?”.

O STF autorizou a abertura de inquérito contra o presidente. Com a retirada do sigilo, os áudios gravados por Joesley deverão ser divulgados a qualquer momento.

Confira pronunciamento na íntegra:

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