67 óbitos foram registrados entre janeiro e maio deste ano, 8,93% a menos que o mesmo período de 2024. BR-101 concentra a maioria das mortes
Por Erik Oakes
Entre janeiro e maio deste ano, 67 pessoas morreram em acidentes nas rodovias federais que cortam o Espírito Santo. Mais de 60% dessas mortes ocorreram na BR-101, principal eixo rodoviário do estado. O dado foi apresentado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), representada pelo policial rodoviário federal (PRF) e chefe da delegacia de Linhares, Carlos Alexandre Ravani, durante reunião da Comissão Especial de Fiscalização da Infraestrutura da BR-101, BR-262 e Rodosol, na Assembleia Legislativa.
No mesmo período de 2024, o número de óbitos em rodovias federais no ES foi de 73. Apesar da redução de 8,96% neste ano, não elimina a necessidade urgente de intervenções.
Segundo Carlos, a maior concentração de mortes na BR-101 não está diretamente relacionada apenas às condições da via. Mesmo porque trechos já duplicados concentram mais acidentes do que pistas simples, especialmente nas regiões urbanas da Serra, Viana, Linhares e São Mateus. “Então o problema é a duplicação, tenho que fazer tudo rodovia simples? Por óbvio que não, tudo é contexto”, defendeu Ravani.

O policial pontuou que existem problemas estruturais, como cruzamentos perigosos e falta de infraestrutura adequada para pedestres. “Ainda que haja duplicação, há muita interferência, há muito que evoluir, para se chegar ao projeto da via em si. E se vou fazer a duplicação, sempre pensar na infraestrutura necessária ao pedestre. Como será a travessia do pedestre neste local?”, indagou.
Além dos exemplos citados, Ravani comentou sobre o número de veículos que circulam na BR-101 diariamente. Trechos da rodovia com cruzamentos em Serra, por exemplo, são locais que circulam 50 mil veículos por dia. “Não pode comparar com local que passa 1 mil/dia”, observou.
O aumento da frota de motocicletas no Espírito Santo também foi apontado como fator que agrava o cenário. Segundo a PRF, o número de motos cresceu 24% no último ano, mais que o dobro do crescimento da frota de automóveis, que foi de 11%. Isso contribui diretamente para o aumento dos sinistros, principalmente em áreas com grande fluxo urbano.
No total, 176 mortes foram registradas nas BRs capixabas ao longo do ano passado e quase 800 mil autos de infração por excesso de velocidade, considerando radares fixos e portáteis, foram emitidos em 2024.
Para o deputado Gandini (PSD), presidente da comissão, os dados confirmam que as rodovias federais representam um dos maiores desafios logísticos e de segurança para o Espírito Santo. Ele defende que soluções como a construção de contornos urbanos e a revisão de acessos sejam tratadas como prioridade para reduzir acidentes e preservar vidas. (Com informações da Assembleia Legislativa)

