A escolha do método de pastejo pode impactar diretamente a produtividade animal, a sustentabilidade do pasto e a rentabilidade do sistema
Por Renata Erler
O manejo de pastagens é uma das áreas mais cruciais na produção de bovinos de corte, pois a alimentação representa uma parcela significativa dos custos operacionais em sistemas de pecuária. A escolha do método de pastejo pode impactar diretamente a produtividade animal, a sustentabilidade do pasto e a rentabilidade do sistema. Neste artigo, faremos uma análise detalhada dos principais métodos de pastejo, avaliando seus custos e benefícios para a produção de bovinos.
No pastejo contínuo, os animais têm acesso permanente a toda a área de pastagem. Este é um sistema simples e de baixo custo, onde os animais escolhem livremente o que comer, requer pouca infraestrutura, com a necessidade básica de cercas para manter os animais dentro da área delimitada, baixo custo de manejo, pois não há necessidade de movimentação frequente dos animais. Como não há necessidade de divisões ou manejo intensivo, o custo inicial e operacional é reduzido, além de ser fácil de implementar.
A desvantagem desse sistema é a baixa produtividade devido ao uso descontrolado, resultando em áreas superpastejadas e outras subutilizadas. O uso contínuo pode levar à degradação do solo e da vegetação, especialmente se a lotação for inadequada.
No pastejo rotacionado, a área total de pastagem é dividida em piquetes menores. Os animais são movimentados de um piquete para outro, permitindo que o pasto descanse e se recupere. Requer investimento em cercas móveis ou fixas para divisão dos piquetes e sistemas de fornecimento de água em cada piquete ou centros de manejo.
Demanda maior mão de obra para a movimentação frequente dos animais e monitoramento do estado dos piquetes.
Como grande vantagem temos a recuperação do pasto durante os períodos de descanso, que aumenta a produtividade e a qualidade da forragem, promove a conservação do solo e a longevidade das pastagens, reduzindo a necessidade de insumos externos como fertilizantes.
As desvantagens são o investimento inicial em infraestrutura pode ser significativo, e exige maior conhecimento técnico e planejamento, o que pode ser um desafio para alguns produtores.
Já o Pastejo Voisin ou Intensivo (PRV) é um tipo específico de pastejo rotacionado, baseado nos princípios de André Voisin. Envolve um manejo extremamente controlado, com movimentação dos animais para novos piquetes em intervalos de tempo muito curtos, chegando a 6 vezes por dia.
Considerando cerca convencional, o elevado custo inicial devido à necessidade de subdivisões mais numerosas e sistemas de abastecimento de água já foram grandes desvantagens. Requer maior mão de obra e planejamento, com necessidade de acompanhamento constante do crescimento do pasto e estado nutricional dos animais.
O grande benefício é que pode aumentar significativamente a produtividade por hectare, melhorando o ganho de peso dos animais e a utilização da forragem. Melhora a capacidade de retenção de água do solo, favorece a biodiversidade e pode contribuir para a sequestro de carbono.
A desvantagem é que a complexidade de manejo é elevada, sendo mais adequado para produtores com maior capacidade de gestão de recursos e pessoas. Produtores e funcionários precisam de treinamento específico para operar de forma eficiente este sistema.
No Pastejo Alternado ou Diferido parte da pastagem é deixada sem pastejo por um período, geralmente durante a estação chuvosa, para ser utilizada durante a seca. Isso garante reserva de forragem para períodos de escassez.
O custo é similar ao pastejo rotacionado, mas requer menor número de divisão em piquetes e planejamento para determinar quando diferir o pasto e quando utilizá-lo.
O maior benefício é fornecer segurança alimentar para os animais durante períodos críticos, como a estação seca, além de permitir ajustes conforme as condições climáticas e a disponibilidade de forragem.
A desvantagem é que a forragem diferida perde qualidade nutricional ao longo do tempo, necessitando de suplementação. Exige bom conhecimento das condições climáticas e da capacidade de recuperação das pastagens para definir as áreas de diferimento.
A escolha do método de pastejo ideal depende de diversos fatores, incluindo o tamanho da propriedade, disponibilidade de mão de obra, capital para investimento, condições climáticas e objetivos do produtor.
- O Pastejo Contínuo pode ser adequado para pequenas propriedades com baixa intensificação de produção e capital limitado.
- O Pastejo Rotacionado é ideal para quem busca equilíbrio entre produtividade e manejo sustentável, sendo a escolha mais comum entre produtores que visam a longo prazo.
- O Pastejo Voisin é recomendado para produtores que podem investir em uma operação intensiva e têm maior capacidade de gestão.
- O Pastejo Diferido é uma estratégia útil para garantir alimentação durante períodos de escassez, sendo complementar a outros métodos.
Cada sistema possui seu próprio conjunto de custos e benefícios, e a decisão deve ser baseada em uma análise criteriosa das necessidades e capacidades da operação pecuária, que deve ser feita por um profissional competente, até porque, há possibilidade de ter mais de um sistema de pastejo na mesma fazenda. Ao equilibrar a produtividade com a sustentabilidade e o manejo eficiente dos recursos, os produtores podem maximizar a rentabilidade e garantir a longevidade de suas pastagens e consequentemente do seu negócio.
Renata Erler é especialista em gestão pecuária 360º

