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terça-feira, 30 novembro, 2021

Magno Malta responde à possibilidade de prisão

“O Supremo não tem que ter projeto, quem tem que ter projeto é o Legislativo, mas eles passaram a ser ‘legislativo’, passaram também a ser o ‘executivo’ e dar ordens ao Presidente da República”

Por Marlon Max

Neste final de semana, depois da prisão do presidente do PTB, Roberto Jefferson, circulou um áudio do ex-senador Magno Malta afirmando que ele e o pastor Silas Malafaia estão na lista do STF para terem o pedido de prisão decretado pela Suprema Corte. Em entrevista à ES Brasil, Magno Malta explicou os bastidores dessa saga e como ele observa o momento atual da política e do judiciário Brasileiro. Ele alega que “estão cerceando a liberdade de expressão”.

Malta diz no áudio que recebeu essa informação de uma fonte fidedigna, e que além dele e Malafaia, também estão na lista outros políticos de mandatos e todos os que criticam o STF. Os deputados que foram alvos do inquérito das Fakes News também estão na mira do Supremo Tribunal Federal, principalmente do ministro Alexandre de Moraes.

“Deixa eu explicar uma coisa pra vocês, o meu mandato nos últimos cinco anos ou mais um pouco foi de enfrentamento ao ativismo judicial. Então nesses últimos anos, com os ministros do STF, Rosa Weber, Barroso, Fachin, eu debati com todos eles. Quem me acompanha nas redes sociais, sabe que desde os meus mandatos eu tive também uma sabatina de Cármen Lúcia. Nunca fugi de nenhum embate. Sempre formulei perguntas e a gente vê um crescente de ativismo judicial nos últimos anos, que vem incomodando”, explica Malta.

O ex-senador da república também faz duras críticas à nomeação e posse do Ministro Edson Fachin. Segundo Magno Malta, o agora ministro já apresentava tendência que ele classifica como “comunista”.

“Eu fui muito incisivo nas três últimas indicações, como por exemplo a indicação do Fachin que eu não recebi no meu gabinete, um esquerdista, né? Hoje se mostra absolutamente um comunista, sujeito que fazia cursos homéricos, em defesa da esquerda, do que crê à esquerda, a partir de aborto, a partir de ideologia de gênero, a partir de legalização de maconha, essas coisas todas. Eu votei contra ele!”, esclarece.

Após perder as eleições de 2018 para uma das vagas como senador do Espírito Santo, Magno Malta se manteve como um dos principais aliados do presidente Jair Bolsonaro. Para o ex-senador, a prisão de Roberto Jefferson, Daniel Silveira e Sara Winter é parte de uma investida contra o governo de Bolsonaro. Além da “politização do judiciário”, como classifica Malta, as prisões decorrentes da investigação dos inquéritos da ‘Fake News’, é fruto de perseguição política do Ministro Alexandre de Morais.

Magno Malta usa redes sociais para prestar solidariedade à Roberto Jefferson após prisão:

“Para Alexandre de Moraes, eu sou persona grata. Já há muito tempo e mesmo sem mandato sempre lutei pelas coisas que eu acredito. Sou conservador e quando o ativismo judicial chega no patamar que chegou, com esse rompimento institucional que aconteceu, nós não temos mais constituição no Brasil, ela foi cuspida no impeachment de Dilma, o senhor Lewandowski cuspiu na Constituição, rasgou a Constituição, deu direitos políticos a quem foi impeachado”, diz.

Eminente prisão

Com receio de ser o próximo a ser detido, juntamente com o pastor Silas Malafaia e o cantor Sérgio Reis, o ex-senador diz que já foi alertado por uma fonte fidedigna que isso pode acontecer a qualquer momento. Malta também confirma que o áudio vazado no final de semana foi enviado por ele a um amigo pastor.

“Eu ouvi de uma fonte fidedigna, estava respondendo um pastor amigo que me mandou um áudio preocupado comigo porque as prisões estão acontecendo agora de Roberto Jefferson. Meu amigo disse ‘eu estou preocupado com você e com o Malafaia’. Eu já tinha informação de que nós estávamos numa lista também pra ir (presos). E então eu respondi com áudio ao amigo que inocentemente colocou num grupo de pastores e isso acabou vazando. Mas é verdade! A voz é minha, sou eu que estou falando. Repito, recebi de uma fonte fidedigna que eu e o Malafaia podemos ser presos a qualquer momento”, relatou.

Outra pessoa pública na iminência de ser detido pela Polícia Federal é o cantor Sérgio Reis, que tentou mobilizar uma manifestação de caminhoneiros contra o Supremo Tribunal Federal. A fala do cantor foi classificada por muitos como antidemocrática e violenta. Até o momento, nenhuma afirmação oficial foi emitida nesse sentido.

Agenda anti-governo

Em entrevista à ES Brasil, Magno Malta também desabafou sobre o atual momento do Brasil. O ex-senador diz que o STF atua para a volta de um governo progressista ao poder. Entretanto, Malta afirma que isso não irá acontecer, de acordo com ele.

“A agenda do Supremo Tribunal Federal (STF) é derrubar Jair Bolsonaro e implantar aqui o comunismo, e a esquerda volta Lula, ‘um inocente que já tem direitos políticos’, que quer voltar pro poder, não voltará… essa afirmação eu dou para vocês. Arrumaram uma maneira de soltá-lo para que eles possam disputar a eleição e sem voto impresso e auditável, o que já derrubaram. Por que derrubaram? Por que tanto medo? A agenda é tirar conservador e manter aquela velha máquina, então os conservadores devem ficar de olho”, afirma.

Sobre a suposta perseguição do STF e a acusação de atos antidemocráticos, Malta declara que o exército tem poder e deve atuar para ‘resguardar’ a democracia em casos de abusos, como ele destaca. “Todo poder emana do povo e o povo reage a tudo, isso é constituição e nós estamos dentro da construção e a constituição fala no artigo 142  que o poder moderador são as forças armadas”, declara.

Governadores

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Renato Casagrande – Governador do Espírito Santo – Foto: Reprodução

Outro ponto abordado por Magno Malta na entrevista, é a relação entre os poderes executivos para a criação de uma agenda “anti-Bolsonaro”. Erradicado do Espírito Santo, onde concentra seu eleitorado, Malta faz críticas ao governador do Estado, Renato Casagrande (PSB).

“Só no Espírito Santo se fechou a igrejas, porém apenas para o estado do Espírito Santo foram enviados 17 milhões do Governo Federal e Jair Bolsonaro ainda é chamado de genocida? Agora mesmo eu soube que o Governador (Casagrande) assinou junto com os outros governadores de esquerda um documento ministro do Supremo, contra o Presidente da República. Não sei se vocês sabem, na semana passada três ministros do governo Bolsonaro receberam o governador do Espírito Santo”, disse Malta.

Procurado pela reportagem de ES Brasil, o Governo do Espírito Santo preferiu não responder às falas do ex-senador Magno Malta.

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