Uso do equipamento que impulsiona a sustentabilidade na agricultura está sendo incentivado, inclusive por cooperativa, que difunde a tecnologia que permite produzir mais com menos recursos
Por Kikina Sessa
Este é o primeiro ano em que se comemora no Brasil o Dia Nacional da Agricultura Irrigada, celebrado em 15 de junho. A data ganhou reforço também no Espírito Santo, com lei própria estadual, e com a instituição do Polo de Agricultura Irrigada do Norte Capixaba.
O polo, instituído por meio de portaria do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional/Secretaria Nacional de Segurança Hídrica publicada no final de 2023, foi o 11° do país e passa a fazer parte das ações para a implementação da Política Nacional de Irrigação. Com esse reforço, a estimativa é de que o potencial capixaba de área irrigada, que hoje é de 260 mil hectares, dobre de tamanho em 10 anos.

“Quem acha que o Espírito Santo irriga com má qualidade e que desmata precisa conhecer a realidade dos produtores. São coisas que hoje não existem mais no Estado”, afirma o presidente da Associação dos Irrigantes do Estado do Espírito Santo (Assipes), Thiago Orletti. “Asseguro com toda certeza que o parque de irrigação do Espírito Santo é um dos mais tecnificados do Brasil. E, em relação à produção, em especial do café, o nosso parque é o mais produtivo do mundo. Não há lugar no planeta que se consegue produzir o que se produz no Espírito Santo.”
Segundo Orletti, que é produtor de café, o Estado bate recorde de produção por metro quadrado. Em um hectare, que corresponde a 10 mil metros quadrados, no Espírito Santo chega a produzir de 100 a 150 sacas. Em Minas Gerais se produz 50 sacas por hectare. No Vietnã se produz 25 sacas por hectare. Na Indonésia, 10 a 15. Na Colômbia, 45 sacas.
“O tipo de tecnologia que tem no Espírito Santo, em concordância com o tipo genético do conilon, desenvolvido pelo Incaper com um banco genético que vem sendo trabalhado há mais de 30 anos, leva o Espírito Santo para uma posição ímpar em relação ao sistema de irrigação”, disse o produtor.
Irrigação por gotejamento

A irrigação, que na década de 1990 utilizava pivô central e canhãozinho (aspersão), hoje vem sendo substituída pelo sistema de gotejamento com fertilização, que combina a necessidade de irrigar com a de nutrir.
O uso da tecnologia aliada ao sistema de manejo elevou a produtividade, usando menos água e menos nutriente. Além da economia de água, que pode chegar até a 50% em comparação aos sistemas tradicionais, o gotejamento traz outros benefícios econômicos e ambientais. A redução do uso de água também diminui a necessidade de fertilizantes e nutrientes, já que o sistema permite uma aplicação mais controlada e direcionada.

Quem enxerga esse potencial da irrigação por gotejamento e a necessidade de melhor utilizar os recursos hídricos é Nater Coop, que se mantém fiel à sua visão de futuro, que é tornar-se referência no agronegócio, destacando-se pela inovação e sustentabilidade.
Neste ano de 2024, a cooperativa concretizou um projeto que vinha sendo planejado já há algum tempo. Estabeleceu uma parceria estratégica com a Netafim, líder mundial em soluções de irrigação. Esta colaboração visa difundir a irrigação por gotejamento, fortalecer a infraestrutura e a tecnologia oferecidas aos cooperados da Nater Coop, promovendo melhorias significativas no atendimento e impulsionando a sustentabilidade na agricultura.
Fundada em um pequeno kibbutz em Israel há quase 60 anos, a Netafim se estabeleceu como pioneira em soluções de irrigação e hoje atua em mais de 110 países. No Brasil, a empresa está há 30 anos, e oferece um portfólio de produtos e soluções inovadoras que visam o uso eficiente da água, aumentando a produtividade agrícola e trazendo mais tranquilidade ao produtor rural.
“Essa colaboração facilita o acesso dos cooperados a tecnologias de irrigação de última geração, permitindo que produzam mais com menos recursos. Os produtores poderão investir em soluções inovadoras de irrigação por gotejamento, proporcionando maior eficiência hídrica e melhorando a produtividade de forma sustentável”, afirma Elon Svicero, diretor comercial da Netafim.
“Estamos entusiasmados com a nova parceria. Esta colaboração representa o compromisso da nossa cooperativa em trabalhar para multiplicar inovação e sustentabilidade no setor agrícola, por meio da eficiência hídrica e da produtividade sustentável em nossas áreas de atuação”, disse Solimar Neitzke, gerente executivo da UEN Insumos Agropecuários da Nater Coop.
A cooperativa busca investir em infraestrutura e tecnologia, buscando sempre aprimorar o atendimento aos seus cerca de 22 mil cooperados, que produzem uma variedade de culturas como café conilon e arábica, pimenta-do-reino, frutas e tomate. Com um histórico de faturamento anual crescente e uma rede de 40 lojas, a cooperativa está expandindo sua equipe técnica e comercial para atender à crescente demanda por irrigação.

Rodrigo Miranda da Silva, gerente de Acesso ao Mercado I – Segmento Irrigação Nater Coop, conta que a cooperativa tem um setor de projeto de irrigação, onde o produtor apresenta a demanda e a cooperativa faz o levantamento da área, elabora o projeto e lista os itens necessários e a Netafim fornece.
Concluída essas etapas, vem a montagem no campo, e aí entra mais um diferencial. É que, segundo Rodrigo, os tubos gotejadores da multinacional são os melhores do mercado. “A cooperativa busca sempre os melhores parceiros no mercado. E com irrigação não é diferente. Fizemos uma parceria que traz embarcada capacitação e uso de técnicas e treinamentos, além de disponibilizar um setor de engenharia para dar suporte ao produtor”.
Os resultados já aparecem. Houve 20% de aumento no número de irrigantes em relação ao ano de 2023 e a expectativa da Nater Coop é fechar o ano com um crescimento de 30% de irrigantes.
“Irrigação requer um projeto muito bem detalhado, que consuma o mínimo de água e que reduza o desperdício. Precisamos nos adaptar ao momento de mudança climática e a irrigação por gotejo tem um sistema eficiente quanto ao uso da água”, afirma Rodrigo.
Quem atesta os benefícios da irrigação por gotejamento é o produtor Carlos Alberto Roldi Filho, 39 anos, dono de uma propriedade rural em Caldeirão de São José, município de Santa Teresa, onde produz café conilon e arábica.

Cooperado da Nater Coop desde 2006, Carlos garante que com o gotejamento é possível otimizar tempo, pois molha uma área maior, melhorando o aproveitamento da água.
“A irrigação localizada é mais precisa. A economia de água e energia foi enorme na minha propriedade e a irrigação acompanha todas as fases de desenvolvimento da planta, em diferentes fases da lavoura”.
O cooperado ressalta que com o sistema de gotejamento também é possível aplicar o adubo e os defensivos de forma direcionada para cada planta.
Pesquisa
Pesquisador de plantios com uso de irrigação por gotejamento, o engenheiro agrônomo do Incaper, Claudinei Montebeller, afirma que geralmente o gotejamento está associado à alta eficiência de aplicação, mas se for mal planejado e mal dimensionado pode gastar mais água do que outros sistemas.
No momento, Montebeller está fazendo um experimento para manejo de café que utiliza um pouco mais de água com o objetivo de acelerar a pesquisa. Segundo ele, o gotejamento usa bicos que estão associados a baixas vazões, como 2 litros por hora, 3 litros por hora, bem diferente dos outros sistemas, onde os valores são maiores.


