
A cafeicultura capixaba está presente em quase 70% do total das propriedades rurais, sendo a maior participação relativa do Brasil e, talvez, a maior do mundo
Por Enio Bergoli
O Espírito Santo é uma das principais origens cafeeiras do mundo, com produção significativa de café arábica e canéfora (conilon/robusta), espécies de café que são as mais consumidas e comercializadas internacionalmente. Aqui, tradição e tecnologia caminham lado a lado para produzir cafés que unem quantidade, qualidade e sustentabilidade, uma tríade que transformou o estado em referência global.
Se fosse país, seríamos o terceiro maior produtor mundial de cafés e o segundo na produção da espécie canéfora, atrás, por enquanto, apenas do Vietnã. O Estado responde por quase 70% de todo o conilon brasileiro e ocupa a segunda posição nacional na produção de cafés como um todo.
Estatísticas do mercado apontam para um volume acima de 21 milhões de sacas, na safra colhida em 2025. Recorde histórico! Esse avanço é resultado de uma gestão moderna, baseada em empreendedorismo, pesquisa, inovação e, sobretudo, compromisso ambiental. Somos referência para o Brasil e para o mundo. O Espírito Santo é o maior exportador de café conilon do Brasil, responsável por 75% dos embarques nacionais, com 8,4 milhões de sacas exportadas em 2024, para 89 países.
A cafeicultura capixaba está presente em quase 70% do total das propriedades rurais, sendo a maior participação relativa do Brasil e, talvez, a maior do mundo. Portanto, por aqui o café é mais que um produto. Trata-se de um conceito que envolve pilares estratégicos nas áreas social e econômica. Movimenta comunidades inteiras, garante renda e distribui oportunidades. Mas o diferencial capixaba está além das estatísticas. Está também na qualidade que conquistou o país e todos os continentes.
Na edição 2025 do Coffee of the Year, em Belo Horizonte, cafeicultores e cafeicultoras capixabas dominaram a competição, conquistando 11 das 15 premiações nacionais, incluindo o tricampeonato na categoria canéfora e o segundo lugar no arábica. O padrão de excelência alcançado é fruto de muito trabalho integrado entre produtores, cooperativas, institutos de pesquisa e governo.
Também, recentemente, o Estado deu visibilidade à sustentabilidade, ao lançar a marca “Sustainable Coffee – Espírito Santo – Brazil”. Criada em parceria entre Secretaria de Estado da Agricultura, Sebrae e Agência de Desenvolvimento das Micro e Pequenas Empresas e do Empreendedorismo (Aderes), a marca posiciona o Estado como referência mundial em produção sustentável de café, destacando práticas que unem tecnologia, governança e compromisso ambiental.
Essa marca simboliza o conceito do que já acontece nas lavouras capixabas: consciência no uso racional de água, conservação do solo, manejo inteligente, energia limpa e valorização das famílias produtoras.
O Programa de Desenvolvimento Sustentável da Cafeicultura Capixaba, lançado em 2023, reforça essa agenda. As metas são ousadas para o aumento da produção e da produtividade, para a melhoria da qualidade e para ampliação do número de propriedades sustentáveis. Em 2030, estima-se em 35 mil o número de propriedades cafeicultoras com um currículo de sustentabilidade.
Assim, vai se consolidar um sistema produtivo que alia competitividade internacional à preservação dos recursos naturais. O Espírito Santo comprova com dados concretos que é possível ser potência mundial sem perder o equilíbrio com a natureza. Cada xícara de café produzido aqui representa o sabor da inovação, o aroma da responsabilidade e a certeza de que desenvolvimento e sustentabilidade podem, devem e vão caminhar juntos.
Enio Bergoli é secretário de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca
Esse artigo é uma republicação da Edição 231 da Revista ES Brasil – Retrospectiva 2025 – Leia aqui

