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Ipea analisa impacto de propostas legislativas para mercado de crédito

O conjunto de medidas propostas para atacar as distorções do mercado de crédito tem o objetivo é aumentar transparência, solidez e segurança 

O saldo de crédito concedido pelo sistema financeiro ao setor privado quase dobrou nos últimos 21 anos. O volume passou de 27,3% do Produto Interno Bruto (PIB, soma de todos os bens e serviços produzidos no país), em dezembro de 2000, para 52,9% do PIB em dezembro de 2021.

Os dados constam de nota divulgada ontem (3) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que analisa os impactos das propostas sobre o mercado de crédito, em debate no Congresso Nacional. O instituto espera que essas medidas resultem em aumento do crédito e redução do seu custo.

O conjunto de medidas propostas para atacar as distorções do mercado de crédito têm buscado aumentar a transparência, solidez e segurança dos instrumentos financeiros e criar mecanismos para que os grupos e indivíduos, atualmente restritos ao crédito possam também utilizar esse mercado em condições razoáveis”, afirmou o diretor de Estudos e Políticas Macroeconômicas do Ipea (Dimac), Marco Cavalcanti, que elaborou a nota em coautoria com Francisco Luna, diretor adjunto da Dimac.

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De acordo com o Ipea, a expansão do crédito no Brasil, além de seguir tendência internacional, foi impulsionada por mudanças na legislação legal e institucional do mercado de crédito brasileiro. Apesar disso, mesmo com os avanços, “as imperfeições e fricções que persistem no mercado de crédito dificultam o acesso de importantes segmentos da sociedade e as medidas recentes buscam minimizá-las”.

Segundo o Ipea, o diferencial de juros entre as modalidades é um dos mais importantes sintomas dessas imperfeições. “A média das taxas de juros com recursos livres, que correspondem aos contratos de financiamentos e empréstimos com taxas de juros livremente pactuadas, é de 35% ao ano, enquanto a de recursos direcionados, que são contratos regulamentados ou vinculados a recursos orçamentários, é de 9% ao ano.”

Em fevereiro de 2022, os empréstimos consignados de trabalhadores do setor público tiveram taxas de 20,4% a.a. Já as taxas de crédito consignado do setor privado ficaram em 36,2% ao ano. No empréstimo pessoal não consignado as taxas chegavam a 83,4% ao ano.

O Ipea espera que os efeitos das mudanças debatidas no Congresso Nacional sejam positivas e que resultem em aumento do crédito e redução de custo, ou seja, “diminuindo os problemas de má alocação de recursos e ampliando a produtividade geral da economia, com impactos positivos ainda no nível de renda per capita”.

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Atualmente, há múltiplas medidas legislativas propostas tanto pelo Executivo como por parlamentares, na busca de resolver problemas característicos do mercado de crédito, segundo o Ipea.

Entre as propostas, destacam-se o Projeto de Lei n° 4.188/2021, que trata do Novo Marco de Garantias; a Medida Provisória (MP) n° 1.085/2021, relativa ao Sistema Eletrônico dos Registros Públicos; a MP nº 1.104, sobre a assinatura eletrônica para emitir a Cédula de Produto Rural e Fundo Garantidor Solidário; a MP n° 1.107, sobre o SIM Digital; e a MP n° 1.114, que define o Fundo Garantidor de Habitação Popular e participação da União em fundos garantidores de risco de crédito para micro, pequenas e médias empresas.

Informações de Agência Brasil

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