Falta de linhas diretas, escassez de contêineres e limitações operacionais elevam custos e reduzem a eficiência das cadeias produtivas capixabas
Por Pedro Henrique Oliveira
Se, por um lado, investimentos e avanços operacionais sinalizam uma tentativa de reposicionar o Espírito Santo no mercado de contêineres, por outro, entraves históricos ainda pesam sobre a competitividade do estado. A limitação de infraestrutura, a baixa oferta de rotas diretas e a dependência de transbordos continuam impactando custos e prazos, afetando diretamente a produtividade de importadores e exportadores e levando cargas capixabas a buscar alternativas em outros portos do país.
Para Sidemar Acosta, presidente do Sindicato do Comércio de Exportação e Importação do Espírito Santo, os gargalos logísticos e a falta de linhas diretas no estado impactam diretamente os custos para importadores, o que gera perda de produtividade.
“Isso traz um ônus adicional relevante ao importador capixaba, principalmente quando comparado a operações desembarcadas em outros portos. Esse sobrecusto decorre da necessidade de transbordos, maior tempo de trânsito, aumento de risco operacional e menor previsibilidade logística, fatores que influenciam diretamente o custo final da mercadoria”, explica.
O problema não se limita às importações: as limitações logísticas também fazem com que cargas produzidas no Espírito Santo sejam escoadas por outros terminais, como Rio de Janeiro e Santos — realidade que afeta especialmente setores exportadores intensivos em logística, como rochas ornamentais, café, celulose e metalmecânico.
Entre esses segmentos, o de rochas ornamentais ilustra bem o problema. Representantes do setor, como o Centrorochas, apontam como obstáculo recorrente a escassez de contêineres e de espaço para embarque, situação que já levou cargas a permanecerem semanas aguardando envio e obriga empresas a redirecionarem seus produtos para embarques fora do estado.
“Esse deslocamento representa prejuízos indiretos na atividade econômica do Estado, seja pelo aumento de custos logísticos das empresas, seja pela perda de valor agregado nas operações e geração de empregos. Embora seja difícil quantificar com exatidão, trata-se de um impacto relevante ao longo dos anos”, acrescenta Sidemar.
Ele estima, no entanto, que os projetos em desenvolvimento no estado podem trazer benefícios para o setor. Um novo ciclo, capaz de ampliar a capacidade e atratividade para serviços de longo curso.
“A expectativa é de aumento da frequência de linhas, redução de transbordos e maior integração do Estado às rotas globais, com expressivo ganho de produtividade logística e maior previsibilidade operacional ao longo da cadeia, posicionando o ES como uma relevante alternativa logística no cenário nacional”, conclui.
Essa matéria foi publicada originalmente na Edição 232 da Revista ES Brasil — Portos: O Poder da Logística, de março de 2026. Clique neste link para conferir a edição completa.

