Novo terminal “Hanseatic Global Terminals Aracruz” fortalece competitividade, reduz custos logísticos e cria oportunidades para investimentos
Maxieni Muniz
A empresa capixaba assinou acordo com a holandesa Hanseatic Global Terminals (HGT) para investir em 50% das ações da Imetame Logística Porto (ILP), em uma joint venture dedicada às operações de terminais de contêineres.
O acordo prevê o desenvolvimento e operação do novo terminal “Hanseatic Global Terminals Aracruz”, que funcionará como instalação moderna para transbordo e importação/exportação, ampliando a integração do Espírito Santo às cadeias globais de comércio.
Segundo Vaner Corrêa, conselheiro do Corecon-ES, a entrada de uma operadora global eleva o Espírito Santo a um novo patamar na rede logística nacional e internacional. O Estado deixa de ser apenas um ponto complementar do sistema portuário brasileiro e passa a integrar de forma mais direta as principais rotas globais de comércio.
Corrêa ressalta que a joint venture traz linhas regulares, previsibilidade logística, padrão internacional de eficiência e maior integração com cadeias produtivas, reduzindo dependência de hubs tradicionais como Santos e Rio de Janeiro, encurtando rotas e diminuindo custos de transbordo.
Ele reforça que, apesar do potencial, alcançar plena eficiência operacional exige superar desafios técnicos e regulatórios. Entre eles, estão dragagem contínua, calado compatível com navios de grande porte, equipamentos modernos (STS, RTGs), sistemas digitais de gestão portuária e integração logística com rodovias e ferrovias.
No campo regulatório, Corrêa destaca a complexidade do ambiente institucional brasileiro: licenciamento ambiental, normas da ANTAQ, segurança jurídica dos contratos e coordenação entre União, Estado e municípios. A eficiência do porto não depende apenas da infraestrutura física, mas também da governança regulatória, da previsibilidade das regras e da redução do chamado “Custo Brasil”.
Desafios regulatórios e efeito multiplicador dos investimentos
A ampliação da capacidade portuária em Aracruz deve gerar impactos econômicos relevantes. A redução de custos logísticos aumenta a atratividade do Espírito Santo para cargas atualmente escoadas por outros estados, melhora a competitividade das empresas locais e amplia o interesse de novos investidores industriais.
Corrêa lembra que, sob a perspectiva keynesiana, investimentos portuários têm efeito multiplicador: geram empregos diretos, indiretos e induzidos, aumentam a renda, estimulam o consumo e ampliam a arrecadação tributária.
Além disso, um porto mais eficiente fortalece a base exportadora, diversifica a pauta de comércio exterior e contribui para o Balanço de Pagamentos, consolidando o Espírito Santo como hub logístico-industrial, com efeitos estruturais sobre crescimento, renda e competitividade econômica.
Em consonância, Eduardo Araújo, economista e professor da Fucape Business School, reforça que o terminal muda o papel do estado na logística marítima, conectando Aracruz diretamente às grandes redes globais. Ele observa que a eficiência do porto depende não apenas do cais, mas das obras de acesso rodoviário, áreas retroportuárias e da conexão ferroviária, permitindo que a carga flua sem filas, custos extras ou perda de competitividade.
Araújo destaca que a entrada em operação de um terminal moderno ajuda a aliviar a saturação de portos tradicionais do Sudeste, oferecendo calado adequado e espaço para escalas maiores, o que tende a reduzir custos logísticos sistêmicos e aumentar a competitividade do Espírito Santo.
Além disso, Araújo aponta fatores regionais que ampliam o efeito econômico do investimento: incentivos fiscais, disponibilidade de áreas e a implantação da ZPE de Aracruz, criando ambiente regulatório favorável à instalação de indústrias exportadoras, incluindo cadeias automotivas. Para ele, o porto deixa de ser apenas uma obra logística e passa a atuar como vetor concreto de desenvolvimento regional, integrando eficiência operacional, atração de investimentos industriais e expansão econômica local.

