Setor industrial destaca que o aço brasileiro não apresenta competitividade frente aos produtos da China e pede ações para valorização da indústria
Por Amanda Amaral
O Instituto Aço Brasil prevê queda de 2,2% na produção nacional de aço em 2025, alertando que a importação do Brasil de laminados está 168% acima da média histórica. O setor ressalta que a China, responsável por 64% dessas entradas, utiliza subsídios para vender o produto abaixo do custo de produção, pressionando o mercado interno brasileiro.
No Espírito Santo, a economista-chefe da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Marília Silva, projeta uma desaceleração econômica para 2026, com crescimento de 1,6%, após alta de 3,6% no terceiro trimestre de 2025, segundo estudos da entidade. A economista destaca a forte abertura comercial capixaba. “O desempenho da China de fato influencia a gente com certa intensidade, embora a China não seja o nosso maior parceiro. O nosso maior parceiro comercial é os Estados Unidos. Em relação ao que a gente espera para o primeiro semestre do ano que vem, acreditamos que não vai haver crescimento muito abrupto”, explicou.
Para o período, a expectativa para o bom desempenho da indústria recai sobre a indústria extrativa, com a continuidade das atividades da FPSO Maria Quitéria e o início da extração no campo de Wahoo, no Campo das Baleias. Em contrapartida, a construção civil deve seguir pressionada pela escassez de mão de obra qualificada e pela taxa Selic, que encerrou 2025 em 15%. “O setor de mineração focou o mercado interno, que está aquecido, também apostou em inovação para aumentar sua produtividade e vem apresentando crescimento”, disse a economista.
O presidente da Findes, Paulo Baraona, defende para o Brasil ações protecionistas semelhantes às de países da Europa, Estados Unidos e México. Para o dirigente, a defesa da indústria é estratégica para a geração de empregos de qualidade e desenvolvimento tecnológico. “Se a gente quer um país forte, temos que defender a nossa indústria. Eu não estou falando de defender oferecendo recursos, dando vantagem, não. A CNI tem falado direto sobre isso, na figura do nosso presidente Antônino Alban. Os melhores empregos são da indústria, a maior parte da tecnologia sai da indústria. A indústria de forma capilar desenvolve todos os negócios, o serviço depende da indústria, o comércio depende da indústria”, afirmou.
Baraona complementa: “É o momento que todos estão se reindustrializando e o Brasil não pode perder essa onda, que é necessária. E, claro, entram todos os acordos comerciais com a China e outros países. A China é um país extremamente agressivo, exatamente, porque hoje tem uma indústria pujante. O Governo Federal precisa ajudar a indústria do Brasil para que ela se torne pujante, sendo que ela tem tudo para isso, porque a matéria-prima está toda aqui. A gente tem que parar de ser vendedor de commodities”.

