Produção nacional de aço ganha proteção com tarifas sobre importações, fortalecendo empresas como a ArcelorMittal no mercado brasileiro
Por Amanda Amaral
Foi aprovado um conjunto de medidas de defesa comercial e realinhamento tarifário, esta semana, visando a fortalecer o setor industrial brasileiro. Entre elas, uma que deve beneficiar a ArcelorMittal, uma medida de defesa comercial, com vigência de cinco anos, que taxa importações de aços pré-pintados provenientes da China e da Índia.
A decisão foi tomada na 233ª Reunião Ordinária do Comitê-Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Gecex/Camex). Ainda no setor siderúrgico, foi aprovada a elevação tarifária para mais nove tipos de aço, por doze meses. As tarifas de importação desses produtos passaram para 25%.
O realinhamento está de acordo com movimentos internacionais atuais nesses setores, com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, e busca fortalecer a indústria nacional em áreas estratégicas, bem como a resiliência das respectivas cadeias produtivas.
No início de 2025, a ArcelorMittal anunciou que prevê a construção de uma nova linha de laminação e outra de revestimento na Unidade de Tubarão, Espírito Santo, investimento entre R$ 3,8 bilhões a R$ 4 bilhões. O projeto deve consolidar a Unidade de Tubarão como uma das mais integradas no processamento de aços planos do Brasil e do mundo. O projeto foi apresentado à comunidade, e estava previsto início das etapas de engenharia e contratação programadas no primeiro semestre de 2026, com começo das operações no primeiro semestre de 2029.

O Instituto Aço Brasil avaliou como positiva a decisão do Gecex. Para a entidade, a medida representa um passo a mais no sistema de defesa comercial e reconhece os esforços do governo brasileiro para sua aprovação, contudo, afirmou que permanece atenta e preocupada, diante da crescente guerra no mercado de aço no mundo.
Segundo o Instituto, esse é o motivo pelo qual vários países já adotaram medidas de defesa comercial robustas e de mais amplo espectro de produtos de aço que as adotadas no Brasil, gerando risco de aumento do fluxo de importações para o país. O presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Paulo Baraona, se posicionou sobre a necessidade de medidas protecionistas por parte do Governo Federal. “A China é um país extremamente agressivo, exatamente, porque hoje tem uma indústria pujante”, disse.

