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quarta-feira, 10 agosto, 2022

Ex-ministro da Fazenda, Ernane Galvêas, morre aos 99 anos

Ernane Galvêas foi funcionário de carreira do Banco do Brasil. Foto: Vítor Ribeiro de Souza/Wikimedia Commons - 29/04/2011

Também ex-presidente do Banco Central, o economista capixaba se destacou no setor público tendo ocupado diversos cargos

Por Amanda Amaral

O economista Ernance Galvêas morreu, na noite de terça-feira (23), aos 99 anos, no Hospital Samaritano, em Botafogo, Rio de Janeiro. Nascido em Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo, o ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do Banco Central (BC) se destacou no setor público. A causa da morte não foi informada.

Funcionário de carreira do Banco do Brasil, Galvêas assumiu vários cargos no governo federal, entre eles, a presidência do BC, nos governos Costa e Silva e Médici, período de 1967 a 1979. Depois de atuar na iniciativa privada, no governo João Figueiredo (1979-1985) retornou à presidência do Banco Central por um breve período (agosto de 1979 a janeiro de 1980), assumindo em seguida o Ministério da Fazenda.

Visibilidade para economistas

O Conselho de Economia do Espírito Santo (Corecon-ES) lamenta a morte do economista. O presidente da entidade, Claudeci Pereira Neto, destacou que no início do século passado, a opção por seguir carreira no setor público não era comum entre os colegas de profissão.

“Os economistas na época não gostavam de se envolver, em atuar com política. A partir da crise de 1929, com base nas ideias de John Maynard Keynes – economista britânico pai do Keynesianismo, esse pensamento mudou”, comentou Neto.

Para o presidente do Corecon-ES, Galvêas foi incentivador para as gerações que o seguiram. “Ele estudou muito sobre esse processo de os economistas ganharem visibilidade por meio do setor público, o que ajudou muita nossa profissão, principalmente, os jovens economistas, que passaram a sonhar em atuar na administração pública”, lamentou.

Ao lado de Delfim Netto, então ministro-chefe da Secretaria de Planejamento (Seplan), Galvêas passou a comandar a equipe econômica do governo. Sua chegada ao ministério ocorreu durante a segunda crise do petróleo (1979-1980), momento em que o governo buscava combater a inflação, equilibrar o balanço de pagamentos, reduzir a dependência de energia importada e, sobretudo, conceber uma estratégia que possibilitasse o ajustamento da economia brasileira a uma nova realidade econômica internacional.

Referência no setor público

“Galvêas era uma referência, tanto que a partir de 1991 continuou atuando como consultor econômico da Confederação Nacional do Comércio. Era uma pessoa muito indicada, muito requerida pelos governos, inclusive por representantes do PT – Partido dos Trabalhadores. Ele tinha muita experiência com finanças públicas e em como lidar com políticas públicas”, lembrou Claudeci Neto.

Ex-presidente do Banco Central, o economista capixaba ocupou diversos cargos de gestão. Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Nos anos 90, Ernane Galvêas integrou um órgão consultivo do governo do Espírito Santo, criado pelo governador Vítor Buaiz (PT) para apresentar projetos estratégicos para o Estado.

Saiba mais

Galvêas ingressou no Banco do Brasil em 1942. Fez curso de extensão em política monetária no Centro de Estudos Monetários Latino-Americanos, México. Era formado também em direito Direito. Além disso, estudou no Economic Institute, em Wisconsin, e na Yale University, em Connecticut, instituição na qual obteve o grau de mestre.

Em 1961, integrou a delegação brasileira que esteve presente à reunião do Conselho Interamericano Econômico Social da Organização dos Estados Americanos (OEA), em que foi criada a Aliança para o Progresso. Em 1962, o economista capixaba foi contratado pelo Banco Intramericano de Desenvolvimento (BID), participou de uma equipe de técnicos latino-americanos incumbida de elaborar um estudo sobre o financiamento das exportações de bens de capital.

O economista também integrou os conselhos deliberativos da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e da Superintendência Nacional de Abastecimento (Sunab).

Com informações da Agência Brasil. 

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