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Estudo aponta população 3,9% maior que a divulgada pelo IBGE

Número das Estimativas e Projeções da População, divulgado pelo IBGE nesta quinta (22), contradizem dados do Censo 2022

As novas Estimativas e Projeções da População brasileira encontraram 3,9% mais habitantes no País do que o divulgado pelo Censo Demográfico 2022, o equivalente a 8 milhões de pessoas a mais, segundo dados divulgados nesta quinta-feira, 22, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os novos números serão usados na atualização e reponderação das amostras de pesquisas domiciliares, entre elas a Pnad Contínua, mas o IBGE informa que esse trabalho ainda não tem data para ocorrer nem será divulgado neste ano.

O Censo Demográfico, que tinha como data de referência o dia 1º de agosto de 2022, recenseou 195,101 milhões de brasileiros. Após as imputações para os domicílios considerados ocupados que não tiveram entrevista realizada, o total populacional encontrado foi de 203,081 milhões em todo o Brasil.

Como as Estimativas e Projeções da População, divulgadas nesta quinta-feira, 22, têm como data de referência o dia 1º de julho de cada ano civil, essa população do Censo foi ajustada para 202,953 milhões de pessoas no período em questão. Porém, após a incorporação dos dados de registros administrativos previstos na metodologia das Projeções, a população brasileira acabou estimada em 210,863 milhões em 1º de julho de 2022, uma diferença de 7.910.199 habitantes a mais do que no Censo Demográfico.

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Segundo a pesquisadora Izabel Guimarães Marri, do IBGE, os dados do Censo Demográfico 2022 não mudam, mas o resultado da conciliação (método estatístico de tratamento das informações) feita na pesquisa das Estimativas e Projeções da População mostra que houve uma omissão de contagem de pessoas existentes nos domicílios do País, especialmente na faixa de crianças e jovens.

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“A conciliação de dados mostra que talvez o Censo tenha tido uma omissão maior que os anteriores”, disse ela.

Izabel Marri lembrou que a literatura existente sobre o assunto mostra que os dados da população de crianças costumam ser subenumerados no Censo. “A gente consegue fazer a conciliação, e tem uma população muito maior de 0 a 10 anos”, exemplificou.

As Estimativas e Projeções da População de 2022 encontraram uma população jovem maior do que a divulgada pelo Censo Demográfico. A diferença foi mais concentrada abaixo dos 40 anos de idade. Houve aumento nos contingentes tanto de homens quanto de mulheres nessas faixas mais jovens, desde o nascimento até meados de 30 anos. Porém, entre jovens adultos do sexo masculino, o aumento populacional foi mais expressivo do que entre as mulheres.

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Quanto ao ajuste nas populações censitárias por Unidades da Federação, os destaques foram Rondônia, em que a diferença em relação ao Censo se aproximou de 10%, e Amapá, com cerca de 8,5% de distância. No Rio de Janeiro, o ajuste populacional das Estimativas ante o Censo ficou acima de 7%.

O ajuste de 3,9% na população encontrada pelo Censo e calculada pelas Projeções em 2022 superou o patamar verificado nos anos anteriores. No Censo Demográfico de 2010, o ajuste ficou em 2,2%: a população recenseada foi de 190,5 milhões, ajustada nas estimativas para 194,7 milhões. No Censo de 2000, a diferença foi de 3,0%: a população recenseada era de 169,6 milhões, ajustada nas estimativas para 174,7 milhões.

As Projeções das Populações atualizam todo o conjunto de estimativas populacionais para cada Unidade da Federação e para o total do País para o período de 2000 a 2070, a partir dos dados do Censo Demográfico 2022. Porém, os resultados também incorporam informações mais recentes de registros administrativos, como nascimentos, óbitos, migração doméstica e internacional. Os dados de migração interna obtidos do Censo 2022 ainda não foram divulgados, portanto, serão incorporados apenas posteriormente.

As informações das projeções servem de parâmetro para políticas públicas nas três esferas de governo e para o cálculo do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e dos Estados (FPE). Além disso, os dados são usados para atualização das amostras de pesquisas domiciliares, como a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua, que apura a evolução do mercado de trabalho), Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) e Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF).

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“As pesquisas vão ser atualizadas”, afirmou Izabel Marri. “Os dados vão ser incorporados e vão ser reponderados para trás.”

No entanto, o IBGE informa que ainda não há data para que essa nova ponderação ocorra. Segundo Cristiane Moutinho, da Coordenação de População e Indicadores Sociais, o cronograma de trabalho de atualização das amostras ainda “vai ser construído com as áreas” envolvidas.

“Isso vai ser discutido sim, a gente não tem isso (cronograma) ainda para passar para vocês”, disse Moutinho. “Mas é óbvio que a gente vai tentar fazer da forma mais breve possível”, garantindo que esse trabalho não será divulgado ainda em 2024.

O trabalho de atualização e a nova ponderação de amostras pode eventualmente acarretar em revisões das séries históricas de indicadores já divulgados da Pnad Contínua, como já ocorrido anteriormente. Com informações de Agência Estado

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