Setor energético capixaba avança com novos projetos, bilhões em investimentos e protagonismo das energias solar, térmica e eólica
Por Ludmila Azevedo
O Espírito Santo conta com uma capacidade instalada total de 2.920,8 megawatts (MW), distribuída entre 83.826 empreendimentos de diferentes fontes de geração de energia. A informação é do relatório Informações Energéticas do Estado do Espírito Santo, da Agência de Regulação dos Serviços Públicos do estado (ARSP), publicado em junho de 2025.
A maior parcela dessa potência vem das usinas termelétricas de grande porte (acima de 5 MW), que somam 1.213,7 MW, representando 41,55% do total. Em seguida, destaca-se a geração solar fotovoltaica distribuída (GD), com 83.699 unidades que, juntas, respondem por 1.112,3 MW, o equivalente a 38,08% da capacidade instalada do estado.
As usinas hidrelétricas (UHEs) também têm participação importante, totalizando 313,3 MW (10,73%), enquanto as pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) contribuem com 222,4 MW (7,62%). Já as usinas termelétricas de menor porte (abaixo de 5 MW) somam 38,9 MW, o que representa 1,33% da capacidade instalada.
Outras fontes aparecem com participação menor, como as centrais geradoras hidrelétricas (CGHs), com 3,4 MW (0,12%), e as usinas solares fotovoltaicas em registro, que totalizam 16,6 MW (0,57%). Por fim, a geração eólica distribuída, ainda incipiente no Espírito Santo, registra 0,046 MW, correspondendo a 0,002% da potência total instalada no estado.

Investimentos reforçam grande potencial da transição energética capixaba
O Espírito Santo vive um ciclo expressivo de investimentos que reafirma sua posição estratégica no setor energético. De acordo com levantamento da Bússola do Investimento, do Observatório da Indústria da Findes, o estado concentra R$ 113,6 bilhões em investimentos produtivos até 2030, dos quais R$ 51,1 bilhões (45%) são destinados diretamente à energia.
O protagonismo vem do setor de petróleo e gás natural, com R$ 43,8 bilhões previstos. A Petrobras lidera esse movimento, com aportes de R$ 35 bilhões, destacando o início da operação, em outubro de 2024, do FPSO Maria Quitéria, uma das maiores plataformas já instaladas para exploração no pré-sal capixaba. Outros projetos robustos incluem o desenvolvimento do campo de Wahoo pela Prio (R$ 4,6 bilhões), que obteve licença de instalação em 2025, e a exploração dos campos Camarupim e Golfinho pela BW Offshore (R$ 4 bilhões), com investimentos em ampliação e retomada previstos até 2031.
Na energia elétrica, a EDP prevê aportes de R$ 5 bilhões até 2030, em frentes que vão desde linhas de transmissão até projetos de geração solar digital. Já a Engie investirá R$ 890 milhões em novas linhas de transmissão. No segmento de gás, a ES Gás conduz um plano de expansão da rede que soma R$ 1 bilhão.
Além disso, multinacionais como Shell Brasil e Equinor, junto à brasileira Votu Winds, projetam a implantação de sete parques eólicos offshore em águas capixabas, abrindo uma nova fronteira energética. Paralelamente, a EDP e a ArcelorMittal Tubarão estudam a viabilidade de uma planta-piloto de hidrogênio verde para descarbonizar a produção de aço.
Outros investimentos produtivos confirmam a tendência: a Marca Ambiental iniciou a construção da primeira usina de biometano do Espírito Santo, em Cariacica, com previsão de entrada em operação ainda no segundo semestre de 2025 (R$ 70 milhões); a Marcopolo avança com R$ 260 milhões para ampliar a produção de carrocerias de ônibus e iniciar a fabricação de veículos elétricos; o Grupo Guidoni investe R$ 65 milhões na eletrificação de pedreiras; a EDP mantém aportes de R$ 225 milhões em energia solar; a Cesan aplica R$ 218 milhões em projetos de eficiência energética; e o Grupo Santa Maria destina R$ 40 milhões à implantação de usinas solares.

“Investidores e partes interessadas avaliam o desempenho das empresas não apenas por métricas financeiras, mas também pelos critérios ESG (ambiental, social e governança). No Brasil, cerca de 60% já priorizam as empresas com práticas sustentáveis. Globalmente, 88% dos investidores institucionais avaliam o ESG com rigor”, pontuou a subsecretária de Estado de Competitividade, Rachel Freixo.
Entre desafios e oportunidades, o Espírito Santo reúne os elementos para liderar a transição energética: diversidade de players, base industrial consolidada, projetos inovadores e um ambiente de negócios que já começa a se alinhar às metas globais de neutralidade.
*Matéria publicada originalmente na revista ES Brasil 229, de novembro de 2025. Leia a edição completa de Energia aqui.

