Especialistas analisam os 100 dias de governo Bolsonaro

Foto: RAFAELA FELICCIANO/METRÓPOLES

Em 100 dias de gestão, projeto de reforma da Previdência foi apresentado, o presidente se envolveu em críticas, e especialistas explicam o lado positivo e negativo de tudo isso

Projeto de reforma da Previdência, maior facilidade a posse de armas, pacote de combate ao crime, fim do horário de verão, viagens internacionais, marcaram os 100 dias de governo do presidente da República Jair Bolsonaro. Para celebrar o momento, foi realizada uma sessão solene no dia 11 de abril no Palácio do Planalto.

Segundo o presidente, o governo conseguiu cumprir cerca de 95% das metas estabelecidas para o período. Em algumas áreas, como segurança, desenvolvimento e economia há sinais de avanços, mas na pasta de educação os desafios continuam. Ricardo Vélez Rodríguez foi exonerado no dia 08 de abril, dando lugar ao professor Abraham Weintraub, que assumiu o cargo de ministro e nomeou novos secretários para ocupar o MEC.

Consultor em Marketing Político e diretor executivo da República Marketing Político, Darlan Campos

Para o consultor em Marketing Político e diretor executivo da República Marketing Político, Darlan Campos, uma característica do governo Bolsonaro foi os dias conturbados por questões controversas provenientes de escolhas de caminhos questionáveis quanto à metodologia.

“Num ponto de vista positivo, o Programa de Parcerias e Investimentos se manteve desde o governo Temer e os primeiros leilões já aconteceram dentro do seu governo. O segundo ponto é que ele encaminhou a principal pauta do Legislativo neste primeiro e também deve continuar no segundo semestre que é a reforma da Previdência. Também penso que certa racionalidade e estabilidade que a área militar tem dado ao governo. Muitos ministérios estão nas mãos de militares e eles constituem, talvez, o núcleo mais estável do governo neste começo”, destacou o diretor executivo.

Já o doutor em sociologia, cientista político e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Rodrigo Augusto Prando, acredita que o governo de Jair Bolsonaro apresenta o pior índice de aprovação de um presidente recém-eleito, desde Collor.

O doutor em sociologia, cientista político e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Rodrigo Augusto Prando

“Nesses primeiros 100 dias de ação, a chamada “lua de mel” com a opinião pública foi inexistente e, por incrível que pareça, praticamente todos os problemas e crises enfrentadas foram geradas dentro do próprio governo, seja por declarações desastradas de Bolsonaro, de seus filhos, de seus ministros ou de membros de seu partido, o PSL. Houve, enfim, um governo sem líder, um presidente e ministros mais ligados às posições ideológicas do que capazes de governar com estratégia. Esses 100 primeiros dias foram ruins. Pode, se quiser, melhorar, mas dependerá de esforço individual e coletivo. Talvez, a síntese do governo tenha sido o ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodriguez: despreparado, confuso, ideológico e inoperante. Bolsonaro deverá assumir as rédeas de seu governo ou, então, outros poderão fazer isso”, finalizou Prando.

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