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ES já tem quase quatro vezes mais casos de coqueluche que o ano todo de 2023

Estado registrou 150 casos suspeitos, dos quais 26 foram confirmados, com Linhares, na região Noroeste, sendo o local com o maior número de registros

Por Kebim Tamanini

A coqueluche, uma doença respiratória grave, está apresentando um aumento de casos no Espírito Santo. Segundo dados da Secretaria da Saúde (Sesa), até a 34ª semana epidemiológica de 2024 (24 de agosto), o estado registrou 150 casos suspeitos, dos quais 26 foram confirmados. Esse número representa quase quatro vezes mais casos do que os registrados em 2023, quando apenas sete casos foram confirmados entre 40 notificações. Até o momento, não houve registros de óbitos associados à doença.

O aumento expressivo dos casos de coqueluche está sendo atribuído à baixa cobertura vacinal. O infectologista Francisco Ivanildo de Oliveira, gerente médico do Sabará Hospital Infantil (SP), destacou que essa queda na vacinação é um fenômeno global, exacerbado pela pandemia de COVID-19. “Mesmo depois da pandemia, esses valores não voltaram aos níveis anteriores”, afirmou.

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A doença tende a se alastrar mais em tempos de clima ameno ou frio, como na primavera e no inverno, quando as pessoas permanecerem mais em ambientes fechados. Basta um contato com a tosse ou secreção da pessoa com a enfermidade para se infectar.

Especialistas afirmam que a coqueluche começa com a fase catarral, que dura até duas semanas, marcada por febre pouco intensa, mal-estar geral, coriza e tosse seca, sendo a mais infectante e quando a frequência e a intensidade dos acessos de tosse aumentam gradualmente. A segunda fase, que dura de duas a seis semanas, é a paroxística, com febre que se mantém baixa, e começam as crises de tosse súbitas, rápidas e curtas, que podem comprometer a respiração.

Vacinação

A coqueluche é uma doença imunoprevenível, ou seja, pode ser evitada através da vacinação. A Sesa informou por meio de nota que o esquema vacinal primário, composto pela vacina pentavalente, deve ser aplicado em crianças menores de um ano, com doses aos dois, quatro e seis meses de vida.

“A vacina pentavalente, além da coqueluche, também imuniza contra a difteria, tétano, haemophilus influenzae tipo b e hepatite B. Aos 15 meses e aos 4 anos de idade são realizados o 1º e 2º reforços contra a doença com a vacina DTP”, continua a nota.

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A Sesa reforça que crianças não vacinadas ou com esquema vacinal incompleto devem ser levadas para receber as doses necessárias.

A pasta estadual conclui a nota destacando que a vacinação é recomendada também para gestantes e puérperas, protegendo tanto a mãe quanto o bebê até que ele complete o esquema vacinal. Vale lembrar que, neste ano, o Ministério da Saúde ampliou temporariamente a vacinação contra a coqueluche para trabalhadores de berçários e creches que atendem crianças de até 4 anos.

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Panorama nacional

No Brasil, o último pico epidêmico de coqueluche ocorreu em 2014, com 8.614 casos confirmados. Nos anos seguintes, os números caíram, mas a pandemia de COVID-19 impactou negativamente a vigilância e a vacinação. Em 2024, nas primeiras 14 semanas, 31 casos foram confirmados no país.

O Ministério da Saúde alertou que, devido à queda nas coberturas vacinais, o Brasil pode enfrentar um novo aumento de casos, seguindo a tendência observada em outros países a partir de 2023.

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