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ES Brasil entrevista Ricardo Garcia

ES Brasil entrevista Ricardo Garcia

Vice-presidente de Recursos Humanos e Tecnologia da Informação da ArcelorMittal Brasil fala sobre sustentabilidade

* Por Yasmin Vilhena

Ricardo Garcia iniciou sua trajetória de sucesso na ArcelorMittal Brasil no ano de 1989, quando foi contratado para ser estagiário do setor de Compras. O primeiro passo de muitos até chegar à vice-presidência de Recursos Humanos e Tecnologia da Informação da companhia, cargo que ocupa atualmente. Graduado pela UNA em Administração de Empresas e bacharel em Economia pela PUC-MG, o entrevistado do mês da ES Brasil também fez pós-graduação em Recursos Humanos pela UFMG e cursos de especialização pela JUSE (Japão), Insead (França) andKellogg (EUA).

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Em uma entrevista exclusiva à nossa revista, Ricardo Garcia fala sobre a importância da responsabilidade social corporativa como forma de melhoria não só para as organizações como também para a economia. Uma ferramenta que segundo ele, “é boa para qualquer empresa, de qualquer porte e para qualquer tipo de instituição”.

Qual o papel da liderança dentro de uma empresa para incorporar em sua estratégia a discussão sobre a sustentabilidade?

Fundamental. A sustentabilidade é um tema complexo, com perspectivas amplas e processos dinâmicos, requerendo razoável empenho para que seja mantida na consciência das pessoas, desaguando em comportamentos e definindo atitudes. O desdobramento por parte dos líderes  que inspirem suas equipes é essencial.  Os Líderes precisam passar uma mensagem clara, preferencialmente pelo exemplo, de que a sustentabilidade é de verdade um dos valores da Empresa.

Como equilibrar a eficácia e a eficiência das empresas com a Responsabilidade Social Empresarial?

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Uma vez que a Responsabilidade Social Empresarial abarca desde a cadeia de suprimento de matérias-primas e insumos até a entrega do produto final ao cliente, o simples fato de uma empresa ter uma política estruturada de RSE e, sobretudo, praticá-la, já lhe garantirá equilíbrio tanto na eficiência quanto na eficácia de seus processos. Por exemplo, a partir do momento em que a empresa faz uso responsável dos recursos que utiliza no seu processo produtivo, isso por si só já impacta na melhoria da sua eficácia e eficiência.

Qual a importância da sustentabilidade no viés espiritual de uma gestão?

Como a sustentabilidade pela perspectiva da espiritualidade pressupõe, simultaneamente, autoconhecimento (para que as pessoas lidem bem com os desafios) e uma visão sistêmica que harmonize a complexidade e antecipe necessidades, isso vai ao encontro do que demandam esses tempos de cenários adversos e mercados dinâmicos.

Somente as empresas de grande porte têm condições de implantar a gestão da sustentabilidade, ou as pequenas e médias também podem assumir tais práticas sem comprometer o lucro?

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Na verdade, a sustentabilidade não compromete o lucro. Pelo contrário, em uma visão ampliada de desenvolvimento sustentável, ela evita perdas, recicla a possibilidade de retroalimentação do sistema, otimiza recursos, combate fraudes que poderiam implicar prejuízos, etc. Assim, a sustentabilidade é boa para qualquer empresa, de qualquer porte e para qualquer tipo de instituição. Mesmo fora da iniciativa privada.

O mundo atravessa uma crise econômica enquanto que o Brasil vive uma de suas piores crises políticas, o que potencializa grandes mudanças sociais em nosso país. Como essas três situações refletem no dia a dia de uma empresa?

Diretamente. A crise econômica porque afeta os mercados, o preço das matérias-primas e o lucro que viabiliza qualquer empreendimento diante da competitividade e da própria forma do capitalismo funcionar. A crise política, porque compromete a credibilidade do país, pode afastar investidores, paralisar a economia nacional e limitar o crescimento do conjunto, onde se incluem as empresas. A questão social, porque qualquer negócio só prospera em um tecido social saudável, com boa infraestrutura, mão de obra qualificada, baixo índice de violência e com pessoas com poder de compra para girar as hélices das vendas e movimentar a economia.

Com tantas crises simultâneas, quais seriam os diferenciais exigidos atualmente para que uma empresa se mantenha no mercado? 

A capacidade de seu capital humano de otimizar recursos e, sobretudo, inovar, o que somente ocorre com um clima organizacional que favoreça a criatividade, o trabalho cooperativo, a saúde e a segurança das pessoas. Uma liderança inspiradora também é fator preponderante para manter tudo isso alinhado às necessidades do negócio, de forma a antecipar-se aos riscos, às necessidades e oportunidades dos mercados.

Diante da complexidade atual dos cenários que nos são apresentados, qual o papel da inovação?

Total. A empresa capaz de inovar em um tempo de tantos desafios, conseguirá custos competitivos, produtos vendáveis, práticas sustentáveis e clientes leais.

Com a economia prejudicada, os programas de sustentabilidade das empresas e as políticas governamentais também ficam abalados? A sustentabilidade vai sobreviver à crise?

Como disse anteriormente, a sustentabilidade é fator diferencial de competitividade. Mesmo diante de crises, tanto uma empresa, quanto o Governo não pode perder de vista os ideais do desenvolvimento sustentável, pois eles garantem sua existência no longo prazo. A sustentabilidade é a própria sustentação no tempo.

Quais seriam as tendências da gestão sustentável para os próximos anos?

A expansão do conceito de sustentabilidade para perspectivas mais amplas e mesmo holísticas, uma vez que as leis se tornam mais e mais restritivas, exigindo comportamentos cada vez mais assertivos, em um cenário macroeconômico de mudanças com ciclos cada vez menores. Isso exige antevisão e uma expansão de consciência, tanto por parte de líderes como de liderados. Daí a tendência do conceito de sustentabilidade expandir cada vez mais os seus limites.

Como tornar a sustentabilidade lucrativa para a empresa?

Por si só, ser sustentável já significa ser mais lucrativo, pois além da ecoeficiência que otimiza recursos, à medida que a consciência da sustentabilidade vai sendo difundido na empresa, mais seus líderes e empregados vão exercitando suas habilidades de fazer cada vez mais com menos, o que reflete em economia, menos riscos, menos perdas e, consequentemente, mais lucro.

Quando a sustentabilidade está na cultura da empresa, esse engajamento consegue chegar de forma efetiva à consciência dos funcionários?

Isso é decisivo. Na verdade, a sustentabilidade tem de ser um valor na empresa, para que os empregados a sintam no espírito da cultura organizacional. Assim, pensar sustentavelmente acaba sendo algo natural e habitual, como consequência de uma crença consolidada e valorizada.

Como desenvolver o capital humano nas empresas para que elas consigam equilíbrio diante do dinamismo e da instabilidade brasileira?

A resposta começa e termina no autoconhecimento. Isso torna as pessoas mais resistentes não apenas ao dinamismo e à instabilidade do Brasil, mas a qualquer tipo de cataclisma. Mesmo em suas vidas pessoais. A chave para o equilíbrio individual e coletivo está no autoconhecimento. Daí a necessidade das áreas de RH atentarem á sua crescente importância. Todos nossos programas de desenvolvimento têm começado por um processo de autoconhecimento por parte dos empregados, para que possam ser mais efetivos, mais focados e o empregado no final perceba por ele mesmo que de verdade agregou conhecimentos e se tornou não só um profissional melhor, mas também uma pessoa melhor.

A governança mundial está crescentemente restritiva enquanto que os cidadãos se mostram cada vez mais conectados, exigentes e maduros em relação aos seus direitos individuais e coletivos. Como manter a gestão e os empregados alinhados a essa realidade (compliance, leis trabalhistas, ambientais, comerciais)?

Com transparência, consistência e coerência, que são as matérias-primas da gestão em um mundo que se tornou uma vidraça por meio das muitas facilidades tecnológicas e face a todas as pressões que favorecem a ética e a posturas mais sustentáveis por parte das organizações.

Para finalizar, quais seriam os principais desafios a serem superados daqui para frente?

A necessidade das empresas crescerem para se manterem competitivas, ao mesmo tempo em que variadas crises testam seus limites e sua capacidade de longevidade. Quem não cresce hoje, é devorado ou incorporado. Não é uma escolha, mas a lei de uma sociedade capitalista. Manter custos competitivos, produtos inovadores, clientes leais e equilíbrio em todas as perspectivas das gestões serão desafios eternos e crescentes daqui para a frente, até onde sinalizam os mercados.

 

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