Projeto Solares da UFES destaca jovens talentos ao criar soluções com energia solar, que unem ciência, tecnologia e mercado no Espírito Santo
Por Maxieni Muniz
O Espírito Santo se destaca como laboratório de inovação energética. Entre os protagonistas dessa transição está o Projeto Solares, da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), que combina ciência, disciplina e juventude para explorar aplicações da energia solar. Fundado em 2011, o Solares tem como missão desenvolver soluções práticas que conectam o aprendizado acadêmico à economia de energia limpa, formando jovens capacitados e impulsionando a inovação.
No centro do projeto estão os módulos solares, compostos por duas camadas N e P, que possuem cargas opostas — negativa e positiva. Quando atingidas pelos fótons da luz solar, essas camadas excitam os elétrons, gerando movimento e produzindo corrente elétrica.
No caso do Poente, barco solar do projeto, utiliza-se corrente contínua (CC), dispensando inversor. Para aplicações residenciais on grid, um inversor de frequência transforma a corrente contínua em alternada (CC/CA), permitindo integração com a rede elétrica.

É importante compreender os sistemas solares utilizados: o On Grid é conectado à rede elétrica, permitindo que o excesso de energia produzido seja injetado na distribuidora, gerando créditos, e desativando-se automaticamente em caso de queda de energia da rede pública, por segurança. Já o Off Grid funciona de forma totalmente independente da rede, utilizando baterias para armazenar energia e garantindo consumo contínuo quando não há sol, sendo ideal para locais sem acesso à rede ou que buscam autonomia energética.
Maria Eduarda Furtado, Líder de Mecânica do Solares, explica como os conhecimentos adquiridos na graduação são testados no projeto: “Entrar no Solares no primeiro período foi um divisor de águas. Aqui não aprendemos apenas teorias, mas aplicamos na prática cada conceito do curso. A manutenção do barco, o desenvolvimento do sistema de direção e até a construção dos painéis demonstram como engenharia e criatividade caminham juntas. É um aprendizado que vai muito além da sala de aula.”
Alice Lage, diretora do projeto, complementa: “O Solares é formado por alunos de diversas áreas, unidos por um objetivo: explorar a energia solar de forma prática. Cada iniciativa, desde o desenvolvimento do Poente até as oficinas em escolas, é pensada para gerar impacto real. Nosso foco é demonstrar que soluções energéticas inovadoras podem nascer num gapão universitário e conquistar o mundo.”
O Poente, barco solar do projeto, já acumula conquistas em competições nacionais. Com design inovador, estrutura otimizada e sistemas de geração e direção aprimorados, ele simboliza o potencial do Solares e serve como vitrine para estudantes, empresas e a sociedade observarem a energia solar em ação.

O Poente e outras iniciativas do Solares representam um ecossistema de inovação que vai além da universidade. Participando de competições como o Desafio Solar Brasil e o Regata Solar, os estudantes aplicam conceitos de hidrodinâmica, eletrônica, armazenamento de energia e aerodinâmica. “Cada embarcação é um laboratório móvel. Controlamos telemetria, eficiência de painéis, segurança do sistema e desempenho do motor elétrico programável”, detalha Maria Eduarda.
A diretora Alice complementa: “O projeto é estruturado em três áreas principais: barcos, on-grid e off-grid. Cada setor permite testar soluções reais de energia solar. No off-grid, estamos reformando a primeira estação solar de carregamento móvel do campus, para que qualquer pessoa possa interagir com energia limpa de forma prática”.
Além dos barcos, o aplicativo Solares ON permite que qualquer interessado dimensione sistemas fotovoltaicos para residências, estimando número de placas, custos e payback. “A ferramenta democratiza o acesso à informação técnica e fortalece o vínculo entre universidade e sociedade”, ressalta Alice.
O Solares, reestruturado em 2018, combina ciência, disciplina e juventude. “É no galpão do laboratório que o futuro energético se materializa”, afirma Maria Eduarda. A vivência prática desperta nas estudantes habilidades críticas para o mercado: gestão de projetos, solução de problemas complexos, e integração de conhecimentos multidisciplinares.
O impacto econômico vai além da UFES: cada protótipo envolve laboratórios, fornecedores locais e parceiros industriais. Reduz custos, acelera inovação e prepara mão de obra qualificada para setores estratégicos da economia capixaba. “Nosso objetivo é provar que a energia solar pode gerar vantagem competitiva real, seja na indústria, na construção civil ou no agronegócio”, afirma Alice.
Apesar do sucesso, desafios permanecem. Financiamento pontual, burocracia regulatória e rotatividade de membros exigem planejamento contínuo. “Cada desafio é também oportunidade. Precisamos de políticas públicas e parcerias privadas que acelerem a escala dos nossos projetos”, afirma Alice.
Projeções indicam que, até 2030, o Espírito Santo poderá quadruplicar sua capacidade instalada de energia solar, consolidando-se como referência nacional. Nesse cenário, o Solares funciona como plataforma de inovação econômica: capacita estudantes, conecta laboratórios à comunidade e amplia competitividade local.
Maria Eduarda reforça a relevância prática: “O Poente, as estações e cada protótipo mostram que é possível aplicar ciência de forma tangível. Para nós, cada teste, cada ajuste é um passo para consolidar a energia solar como vetor econômico estratégico”.
Alice conclui: “O Solares, feito de ciência, disciplina e juventude, mostra que o futuro energético pode nascer num galpão e ganhar o mundo. Cada vitória, cada inovação, projeta o Espírito Santo como protagonista de uma economia solar em ascensão”.

