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Em nome da família: a violência contra a mulher nos lares brasileiros

As mulheres não precisam estar na rua para sofrerem violências. O lugar mais perigoso acabou se tornando a própria casa

Por Gabriela Küster

Realidade trágica e preocupante que segue em escala crescente em quase todos os cantos do país, a violência contra a mulher é assunto recorrente. Todos os dias, noticiários trazem ao conhecimento do grande público crimes hediondos praticados contra a população feminina.

Neste mês, acontece a campanha Agosto Lilás, movimento de enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher, instituída por meio da Lei Estadual nº 4.969/2016, com objetivo de intensificar a divulgação da Lei Maria da Penha.

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Segundo o 18º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, realizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), houve crescimento de casos em todos os tipos de violência contra mulheres no Brasil em 2023.

Crimes que levam vidas das formas mais covardes ocorrem em lugares inusitados e remotos, mas em sua grande maioria atrocidades são praticadas onde as pessoas mais esperam encontrar segurança e acolhimento: dentro dos lares.

Ou seja, as mulheres não precisam estar na rua para sofrerem violências. O lugar mais perigoso acabou se tornando a própria casa. Isso porque, segundo as estatísticas, quem mais agride e mata essas vítimas são os maridos, companheiros e namorados, especialmente quando dividem o mesmo teto.

Dentro dos lares, tudo fica restrito aos seus moradores. Não há testemunhas, na maioria das vezes, só vítimas mesmo. Não há proteção, uma vez que as paredes acobertam o que de mais triste acontece naquela residência: o sofrimento silenciado pelas agressões, que em muitos casos resultam em assassinatos ou sequelas irreversíveis.

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Em nome da família, muitas vítimas se calam, acreditando que são obrigadas a suportarem tais humilhações em nome da família, dos filhos e do lar (há tanto tempo já em ruínas). Um silêncio tantas vezes incentivado pelos próprios genitores ou demais familiares próximos, que acreditam em soluções mais brandas, como a resiliência e a submissão como formas de restaurar a paz. Ledo engano.

Um preço altíssimo a se pagar, muitas vezes com a própria vida, e sacrificando todas as outras vidas que seguirão destroçadas, na maioria dos casos dos órfãos da violência que ficam à mercê dos traumas e de um sofrimento que dificilmente irá embora.

O Agosto Lilás é um movimento importante, que trava uma luta difícil, mas que é de todos nós. Que desperte consciências de todas aquelas que sofrem para que tenham forças e coragem para quebrar ciclos e recomeçar uma nova história.

Que o enfrentamento à violência ganhe vozes, aliados e reforços para promover uma justiça que intimide os agressores, que proteja as vítimas e contribua para que nossas mulheres vivam seguras com suas escolhas. E que os lares sejam o que foram criados para ser: lugar de segurança, respeito e salubridade, e não imóveis que escondem a violência degradante de gênero, que deve e precisa ser combatida em todas as esferas da sociedade.

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Gabriela Küster é advogada especialista em Direito de Família e violência doméstica.

 

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