Cafeicultura regenerativa, programa reflorestar e editais de apoio a pesquisas e inovação fortalecem a economia verde no Espírito Santo
Por Kikina Sessa
O modelo econômico baseado em práticas de baixo carbono, uso eficiente de recursos, redução de emissões, valorização de energias renováveis e promoção da justiça social, visando melhorar o bem-estar humano sem comprometer o dos futuros geracionais, vem ganhando espaço no Espírito Santo.
Três projetos têm se destacado na promoção da economia verde, conciliando desenvolvimento econômico com práticas sustentáveis: cafeicultura regenerativa, o programa de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) Reflorestar e o apoio à pesquisa em Economia Verde pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes).
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Cafeicultura regenerativa
O Espírito Santo, principal produtor de café conilon do Brasil, tem investido na agricultura regenerativa para aliar produtividade à sustentabilidade. A iniciativa, pioneira no Estado, busca posicionar o café capixaba no mercado global de produtos sustentáveis.
O projeto já alcançou a marca de 5.537 propriedades assistidas em todas as regiões do Estado. A iniciativa, executada pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), é coordenada pela Secretaria da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag) e conta com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes), no âmbito do Programa Inovagro.
Consiste em apoiar os produtores na adoção de práticas que elevem a produtividade e a qualidade do café, ao mesmo tempo em que promovem melhorias ambientais e sociais. Para isso, os técnicos do Incaper realizam um diagnóstico das lavouras de arábica e conilon com base em 39 indicadores de sustentabilidade, alinhados a protocolos internacionais. A partir dessas informações, é elaborado um planejamento personalizado para cada propriedade, com medidas práticas e acompanhamento técnico contínuo.
Entre os pontos observados estão as análises de solo e de folhas, o manejo de pragas e doenças, a irrigação racional, a conservação do solo e a rastreabilidade da produção. Também são avaliados aspectos ambientais, como a proteção de nascentes, a regularização de áreas de preservação permanente e o cumprimento da legislação de desmatamento. O projeto ainda orienta sobre o uso de equipamentos de proteção individual e a gestão adequada dos resíduos. No campo social, são considerados o acesso das famílias rurais a serviços básicos de educação e saúde, as condições de trabalho, a sucessão familiar e a permanência de jovens no meio rural.
Outro diferencial do projeto é a valorização dos cafés especiais e a difusão da cafeicultura regenerativa. Os produtores recebem orientações sobre cultivares de alto potencial produtivo, nutrição equilibrada das lavouras, boas práticas de colheita e pós-colheita, além de técnicas voltadas para recuperar a saúde do solo, ampliar a biodiversidade e tornar as lavouras mais resilientes às mudanças climáticas. Para isso, estão sendo implantadas unidades de referência que funcionam como vitrines tecnológicas, apresentando inovações como adubação verde, terraceamento e uso de insumos biológicos.
Os resultados coletivos também ganham destaque: já foram realizadas centenas de atividades de assistência técnica e extensão rural, como cursos, dias de campo, concursos de qualidade, excursões e demonstrações práticas. O projeto contempla ainda a instalação de biodigestores em propriedades cafeeiras, equipamentos que permitem o tratamento do esgoto doméstico e da água residuária do processamento do café, contribuindo para o saneamento rural e a geração de energia limpa. Até o momento, 60 biodigestores já foram entregues a produtores capixabas.
Com R$ 4,9 milhões de investimento do governo do Estado, o Projeto Cafeicultura Sustentável tem como meta apoiar 8 mil propriedades no processo de adequação aos parâmetros de sustentabilidade, até 2027. Ao consolidar práticas que unem responsabilidade ambiental, inclusão social e competitividade econômica, o projeto fortalece a imagem do Espírito Santo como referência nacional e internacional em cafeicultura sustentável.
“Ultrapassar a marca de 5 mil propriedades atendidas simboliza a força e o compromisso da cafeicultura capixaba com o futuro. Esse esforço conjunto garante um setor mais produtivo, justo e competitivo, preparado para atender às exigências do mercado global”, destacou o diretor-geral do Incaper, Alessandro Broedel.
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Programa Reflorestar (Pagamento por Serviços Ambientais)
O Programa Reflorestar é uma iniciativa estadual focada na conservação e recuperação da Mata Atlântica. Ao incentivar o plantio de florestas, o programa contribui diretamente para a redução das emissões de gases de efeito estufa e a proteção da biodiversidade.
O programa utiliza o mecanismo de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), recompensando proprietários rurais que protegem e recuperam a vegetação nativa em suas terras.
Termo de cooperação firmado em agosto de 2025 entre as Secretarias de Recuperação do Rio Doce (Serd) e do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Seama) vai garantir o repasse de R$ 334,4 milhões para ações do Programa Reflorestar nos municípios capixabas impactados pelo desastre ambiental de Mariana.
Os recursos, provenientes do acordo judicial de repactuação, serão utilizados de 2025 a 2029 e têm a finalidade de recuperar os processos naturais de circulação da água por meio da conservação e recuperação da cobertura florestal, com geração de oportunidades e renda para o produtor rural.
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Edital Fapes para Economia Verde e Azul
A Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes) tem um papel central no fomento da economia verde, lançando editais para financiar projetos de pesquisa e extensão na área. Os editais visam apoiar projetos que desenvolvam novas tecnologias e modelos de negócios sustentáveis nos setores industrial e energético.
As iniciativas buscam soluções para eficiência energética, energias renováveis, biocombustíveis, descarbonização, ecoturismo e reciclagem. Em setembro de 2025, a Fapes divulgou o resultado de um edital que selecionou quatro projetos voltados para a economia verde e azul, com investimento de R$ 4 milhões.


