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Dor no peito não é único sinal para infarto, alerta especialista

Muitos associam uma dor forte no peito por um período como sendo um infarto. É um sintoma comum, mas não o único

Há casos em que o infarto pode ser silencioso, e saber as características dessa doença é essencial, já que quanto antes o tratamento for iniciado, maiores as chances de sobrevivência.

Este material faz parte da série semanal “Cuidado à Saúde”, da Secretaria da Saúde (Sesa), que abordará os cuidados, prevenção e informações importantes a respeito das principais doenças que afetam a população capixaba, a iniciar pelo infarto agudo do miocárdio.

Segundo o cardiologista do Centro de Especialidades Metropolitano, o CRE Metropolitano, Edilson de Castro Araújo, a principal característica do infarto é a dor no peito caracterizada por uma sensação de peso e que pode se espalhar para o braço e pescoço, entretanto, a população deve se atentar também a outros sintomas.

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“Em alguns casos, o paciente pode não sentir essa dor, e ter um quadro sugestivo, como queimação no estômago, vontade de vomitar. E há outras situações que a pessoa pode ter um infarto e não sentir nada, principalmente, em pacientes diabéticos e os mais idosos. Nestes casos, o infarto pode se manifestar como um cansaço, uma falta de ar ou sudorese”, informou o cardiologista.

De acordo com o profissional, é importante que as pessoas se conheçam e notem se estiverem sentindo algo diferente. “Se perceber que está tendo um sintoma diferente, lembrar que pode ser um infarto, uma vez que as chances aumentam proporcionalmente com a idade e com os fatores de risco, como o fumo, diabetes, a obesidade, questão de genética – ter casos na família – todos esses são fatores que podem desencadear um infarto”, ressaltou.

No Espírito Santo, o infarto agudo do miocárdio é a segunda doença que mais tem levado capixabas a óbito em 2021, ficando atrás apenas da Covid-19. De janeiro ao início de outubro deste ano, foram registrados 1.374 óbitos, segundo dados preliminares do Sistema de Informação de Mortalidade.

Fatores de risco aumentam a chance de ter infarto

O infarto é uma doença com causas multifatoriais, ou seja, múltiplas causas, entre elas estão: a hipertensão, diabetes, o tabagismo, colesterol e triglicerídeos elevados, uma vida sedentária e também o histórico familiar.

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Além dos fatores citados, Araújo acrescenta a questão da idade e o distúrbio chamado apneia do sono. “Sabemos que para o infarto também se leva em consideração a idade, uma vez que quanto mais velho, maior o risco. Mas um outro fator que temos observado é a questão da apneia do sono. Há casos que a pessoa dorme e não acorda mais. Ela infarta enquanto dorme e isso, geralmente, acontece com pessoas que têm esse distúrbio. Por isso, nos preocupamos também em saber se o paciente ronca, se acorda sufocado, com falta de ar, já que na apneia a pessoa fica segundos sem respirar, a oxigenação cai e pode causar uma arritmia e um infarto”, alertou o médico.

Araújo também cita a importância de se fazer exames de rotina. “No dia a dia do atendimento notamos o aumento da incidência de infartos pós-pandemia, isso porque, as pessoas acabaram adiando seus exames de rotina. É importante que as pessoas voltem a procurar os atendimentos”, disse.

Vida saudável é essencial

Não é clichê. Levar uma vida com hábitos saudáveis de alimentação, prática de exercícios e cuidados é essencial, tendo a mudança de estilo de vida tida como a principal atitude que o paciente pode tomar para se prevenir.

“Envolve o controle de peso, com alimentação mais saudável, com ingestão de frutas, verduras, além da prática de exercícios físicos. A Organização Mundial da Saúde recomenda pelo menos três horas de exercícios aeróbicos por semana, como uma caminhada, corrida, andar de bicicleta”, destacou o cardiologista do CRE Metropolitano, Edilson de Castro Araújo.

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O profissional salientou, entretanto, que fatores como histórico familiar e colesterol elevado por predisposição genética não se modificam com estilo de vida saudável.

“Por isso, é importante estar com os exames em dia, como as taxas de glicose, colesterol e triglicerídeos, pois sabemos que o colesterol alto muitas vezes não é relacionado à dieta, mas à genética”, frisou.

O acesso do cidadão ao especialista de cardiologia ocorre com agendamento após a avaliação do médico na atenção primária, com a confirmação da sua necessidade.

Acionar o SAMU 192 o quanto antes

O atendimento de um paciente com características de infarto precisa ser rápido. Os profissionais apontam que ‘tempo é músculo’ e neste caso específico, tempo sem atendimento adequado significa perder músculo cardíaco e ter consequências que podem levar ao óbito do paciente.

Por isso, acionar o SAMU 192 se faz importante. De janeiro a setembro deste ano, foram registrados 2.581 classificados como dor torácica. Enquanto no ano de 2020, de janeiro a dezembro, foram 3.128.

“Ao acionar o SAMU 192, a pessoa de pronto terá orientações do médico regulador, como colocar a pessoa com suspeita de infarto em ambiente tranquilo, pois o estresse pode piorar o quadro, com aumento de pressão”, explicou o cirurgião cardíaco e médico da equipe do SAMU 192.

O profissional explica que na rotina do SAMU, o médico regulador durante o atendimento solicita todas as informações possíveis para saber qual a melhor conduta para o caso e tempo-resposta. “O tempo é crucial. Dizemos que a melhor resposta é a mais rápida, por isso, temos recursos também como de helicóptero pelo Notaer, que faz toda a diferença no atendimento”, pontuou.

O Estado conta atualmente com a cobertura de 96,76% do SAMU 192, estando presente em 71 municípios capixabas.

*Com informações do Brasil61

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