A data criada em 1986, tem como objetivo reforçar as ações nacionais de sensibilização e mobilização da população para os danos sociais, políticos, econômicos e ambientais causados pelo tabaco.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) só no Brasil mais de 500 pessoas morrem todos os dias devido às doenças ligadas ao fumo. “O tabaco é responsável por mais de 50 doenças, entre elas, as cardiovasculares ganham destaque. A ação da nicotina favorece a formação das placas que causam o entupimento das artérias. Desta forma, o tabagismo faz aumentar o risco de doenças como infarto do miocárdio e acidentes vasculares cerebrais, os chamados derrames”, explica o cardiologista José Vitelio.
O tabagismo também é causador de vários cânceres, como: o de pulmão, boca, laringe, esôfago, estômago, rim, bexiga e pâncreas e piorar o quadro clínico de pacientes com doenças respiratórias obstrutivas como enfisema pulmonar e bronquite crônica.
Para as mulheres o tabagismo se mostra ainda mais prejudicial se combinado ao uso da pílula anticoncepcional, pois aumenta o risco de trombose (formação de coágulo na artéria ou veia). Isso faz com que as mulheres sejam um grupo de risco importante. Mulheres em idade fértil que usam anticoncepcionais orais e são fumantes devem rever seus hábitos.
Apesar de reconhecer que não é fácil parar de fumar, José Vitelio reforça que é importante abandonar o hábito. “Hoje temos disponíveis no Brasil tratamentos medicamentosos, adesivos e chicletes de nicotina, além de fórmulas voltadas para aliviar o desejo de fumar e controlar a abstinência. Além disso, existem também programas antitabagismo aplicados por grupos de apoio terapêutico, que reúne equipe multidisciplinar composta por médicos, enfermeiros e psicólogos”, incentiva.
Entre os benefícios de parar de fumar estão: a diminuição da frequência cardíaca e da pressão arterial, melhora da circulação sanguínea e função pulmonar, além da diminuição da tosse e falta de ar. A longo prazo pode-se reduzir as chances de acidente vascular cerebral, diminuir a probabilidade de câncer e o risco de doença cardíaca coronária.
Alerta em tempos de Coronavirus
De acordo com a médica pneumologista Jéssica Polese a partir do surgimento do novo Coronavírus, os fumantes precisam estar mais atentos aos riscos que correm ao contrair o vírus. “Como todos já sabem o vírus afeta os pulmões e deixa sequelas em que nós da classe médica ainda estamos nos informando, e estudando para um melhor tratamento para reabilitar o órgão. Assim, para quem é fumante o risco de contrair a doença e ter um quadro mais grave é um fator alarmante, por conta do tabaco ser responsável por diversas doenças crônicas, respiratórias, além do Câncer do Pulmão”, ressalta Jéssica.
A preocupação da pneumologista é embasada em pesquisas. “Durante a pandemia, segundo a Fundação Oswaldo Cruz, o consumo de cigarros aumentou entre quem já fuma. Entre os entrevistados, 34.3% que se declararam fumantes passaram a consumir mais cigarros por dia, seja pelo estresse, pela mudança na rotina, e um maior tempo ocioso em casa”, afirma Jéssica. “É uma situação que foge do nosso alcance porquê realmente quem tem o vício é mais difícil de controlar e na atual situação apenas podemos esclarecer mais os perigos e dificuldades que esta população pode sofrer”, pontua Jéssica.
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), todas as doenças crônicas causadas por quem fuma, aumentam o risco de desenvolver complicações da infecção pela Covid-19. “Para nós, o Dia Nacional de Combate ao Fumo serve para reafirmar que é preciso diminuir o consumo de cigarro em favor da vida. “E para quem pensa em largar o cigarro e optar pelo eletrônico, a Organização Mundial de Saúde já alertou que o uso deste equipamento não é seguro. “O cigarro eletrônico possui conservantes, partículas finas, traços de metais pesados e até substâncias cancerígenas, ou seja, não é seguro e faz mal como o cigarro original”, destaca Jéssica. O ideal é diminuir o consumo e preservar a sua saúde e sua vida neste momento.
Projeto de lei
Na semana em que se comemora o dia de combate ao fumo,um projeto de lei que proíbe fumo em parques públicos foi aprovado em Vitória.
Na semana em que se comemora o Dia Nacional de Combate ao Fumo – 29 de agosto – Vitória dá mais um passo importante no combate contra o cigarro. Considerada uma “pandemia” pela Organização Mundial da Saúde (OMS), já levou mais de 100 milhões de pessoas a óbito nos últimos 10 anos, segundo a entidade.
Acaba de ser aprovado na Câmara Municipal de Vitória (CMV), um projeto de lei n°184/ 2019 que proíbe fumar nos parques públicos municipais da Capital. Não será permitido o fumo de cigarros, cigarrilhas, charutos, cachimbos, narguilés ou qualquer produto fumígeno, derivado ou não do tabaco. A pauta foi aprovada nesta quinta-feira (27/8) durante sessão ordinária.
De autoria do vereador Wanderson Marinho (PSC), o projeto de lei visa contribuir para a preservação da saúde, bem-estar e qualidade de vida dos usuários que utilizam os parques públicos municipais para a prática de atividade física, encontros em famílias e lazer. “Só queremos que a fumaça, que é prejudicial à saúde, não chegue às crianças e pessoas que utilizam esses espaços, causando incômodos e possíveis doenças respiratórias”.
Para o vereador, o uso do cigarro não combina com esses ambientes que são utilizados para momentos saudáveis, como a promoção da saúde, entretenimento e momentos em família. “Lembrando que os parques públicos municipais são bastante frequentados por crianças de várias idades. E não queremos que elas assistam a esses exemplos, transmitindo para as nossas famílias e futuras gerações”, acrescentando que, entre outros danos, o fumo também gera sujeira nos parques, custos de limpeza e até risco de incêndio, dependendo dos locais.
Ficará a cargo da Secretaria de Meio Ambiente criar, se necessário, uma área especial dentro dos parques para atendimento aos fumantes, que deverão ser distantes de parques infantis, áreas esportivas e demais locais de alta aglomeração e circulação de pessoas.
O projeto de lei n° 184/2019 segue para apreciação do prefeito Luciano Rezende que tem até 15 dias para sancionar ou vetar a matéria.

