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domingo, 31 maio, 2020

Crônica de um amor sem fim…

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Estávamos nós duas, mãe e filha, naquele quarto de hospital, sozinhas. Era fim de tarde de um domingo. Começo do mês de agosto, alguns anos atrás. Ela, com seus 50 e poucos anos, e eu, com meus 20 e alguma coisa.

Deixei a lâmpada apagada; apenas um feixe de luz natural entrava pela janela do quarto. Mamãe dormia um sono profundo havia uns cinco ou seis dias (situação que os médicos diziam ser uma espécie de coma comum em doenças graves e também uma forma de o organismo poupar energia nos dias intensos de luta pela vida).

Eu estava ali, sentada numa cadeira ao lado do seu leito, olhar perdido em direção a uma grande árvore que podia ser vista da janela do quarto. Um filme na cabeça me fazia recordar de tudo que vivemos nos últimos anos. A longa batalha, de quase seis anos, desde a descoberta da doença, parecia estar agora saindo do nosso controle. Era duro ter de encarar a realidade.

Optei por manter a esperança e o foco nas possibilidades de recuperação, ainda que remotas. No fundo, porém, meu bom senso me dizia que era preciso estar preparada: saber perder uma guerra é tão nobre (e necessário) quanto saber ganhá-la. Eu observava minha mãe, com seu corpo já franzino, combalido pela doença. Acariciava seu braço e sua mão, e ela já não esboçava reações.

Naquele silêncio tão profundo, sentada naquela cadeira desconfortável, mas que me garantia ficar mais pertinho da minha mãe, recostei a cabeça na parede e fechei os olhos por alguns minutos. Respirei fundo buscando a serenidade que me acompanhou e foi essencial até aquela etapa.

Repentinamente, uma voz bem rouca, mas que eu conhecia tão bem, chamou meu nome: “Fabrícia!”. Assim, com exclamação mesmo. Veja: minha mãe estava deitada de lado, em direção à janela e à arvore, que ela amava observar naqueles dias intermináveis no hospital, de costas para mim, e naquele sono profundo, praticamente inconsciente, havia dias.

Chamou meu nome antes mesmo de ter me visto. Como sabia que era eu quem estava ali? Respondi, surpresa: “Oi, mãe. Estou aqui, do seu lado”. Levantei-me e fui até o outro lado da cama para que ela me visse. Mamãe já não conseguia se movimentar sozinha por conta de uma paralisia do lado direito do corpo.

Ela sorriu levemente. Toquei na sua mão e ela continuou sorrindo. “Há quanto tempo estamos aqui, minha filha?”, perguntou. Ela quis saber como estavam meu pai e meus irmãos. E completou: “Não há previsão de alta, né?”. Eu disse que não, mas me apressei em falar que eu tinha certeza de que, logo, logo, voltaríamos para casa.

Ela sorriu mais uma vez, como quem diz: “Sabemos, nós duas, que há poucas chances de voltarmos juntas para casa”. Olhou para a árvore pela janela e falou: “Vai ficar tudo bem, de um jeito ou de outro”.

Fiquei ali do lado dela, segurando sua mão, por muitos instantes. Não dizíamos nada. Mas havia em nós, naquele absoluto silêncio, uma cumplicidade intensa que somente uma mãe e um filho podem ter. Eram dias difíceis. Viver não é fácil.

Inseparáveis

Naquele momento, com nós duas ali em nossa cumplicidade, mesmo diante de um futuro incerto e de um prognóstico nada favorável, eu tive uma certeza: estaríamos juntas para sempre, de uma forma que apenas um amor genuíno e puro poderia proporcionar. E isso nada nem ninguém poderia mudar. Seus olhos, amáveis como sempre, desviavam-se da árvore e voltavam-se para os meus. No encontro do nosso olhar, eu sabia (e ela também): éramos inseparáveis.

Eterna

Quinze dias depois, mamãe já não estaria naquele leito, vendo aquela árvore, sorrindo pra mim e me olhando daquele jeito que somente uma mãe sabe olhar. Eu não poderia mais tocar sua mão, sentir sua presença física, ouvir sua voz. Mas, acredite, ela ainda está em mim, de um jeito que apenas o afeto de mãe é capaz de explicar. E assim será pelo resto dos meus dias. Ela seguirá comigo, viva aqui dentro, dando-me paz, dia após dia. Mães, definitivamente, são eternas.

 

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