Family office ganha força no Espírito Santo com ampliação da consultoria voltada a famílias de alta renda e foco em planejamento patrimonial
Por Amanda Amaral
Tem se tornado comum a criação do family office no Espírito Santo. São estruturas privadas especializadas na gestão integral do patrimônio de famílias com alto poder aquisitivo, centralizando diversos serviços como consultoria de investimentos, planejamento sucessório, governança familiar, entre outros.
Essa é a aposta da XP – uma das maiores plataformas de serviços financeiros do país, que ampliou recentemente sua oferta de consultoria em investimentos visando a atender clientes de alta renda e no mercado capixaba que já adere a famíly office. A expectativa do canal de consultoria é atingir R$ 50 bilhões sob custódia a partir do serviço de consultoria nos próximos cinco anos.
O objetivo da criação do family office é preservar, expandir e transmitir a riqueza da família entre gerações. No caso da XP, o serviço, que já era ofertado para os clientes do family office, passa a ser estruturado como um canal próprio com consultores dedicados a clientes em uma faixa de renda a partir de R$ 1 milhão de investimento. A nova frente integra estratégia multicanal, atendimento digital, da assessoria de investimentos ou da consultoria.
No modelo consultivo, o foco está em um planejamento financeiro abrangente, que considera o patrimônio completo do cliente, mesmo que distribuído entre diferentes instituições financeiras. “A ampliação da consultoria permite atender clientes que buscam uma estrutura mais personalizada, com foco em organização patrimonial, planejamento sucessório e visão de longo prazo”, afirma Guilherme Sant’Anna, diretor de Canais da XP.
Para o advogado tributarista, Ítalo Scaramussa, os serviços de Family Office, assim como a Holding Familiar e outros estratégias, são fundamentais para a gestão eficiente e segura do patrimônio da família. Para ele, planejamentos que não respeitam rigorosamente as regras sucessórias podem se tornar uma “catástrofe”, sendo contestados judicialmente por herdeiros que se sentirem prejudicados ou preteridos.
“É destacada a necessidade de cautela, especialmente em famílias com estruturas complexas. A ausência de uma estratégia sucessória pode levar a família ao processo de inventário, que chega a ser 30% a 40% mais caro devido a honorários, custas processuais e impostos, além do desgaste emocional e conflitos familiares”, alerta.

O administrador Vinicius Souto Maior Lima, que atua na Veronord Consultoria e Finanças e integra o Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef-ES), explica que, a medida em que o patrimônio da família se torna mais complexo, também as decisões, análises e estratégias para lidar se tornam mais complexas.
“Os family offices são estruturas que coordenam estas questões que tangem o patrimônio familiar: investimentos, alocação dos recursos, tributação, etc. Ou seja, o planejamento sucessório é um dos assuntos abordados e direcionados pelo family office”, analisa. Segundo ele, estas estruturas podem ser assumidas por pessoas da própria família, um dos filhos, por exemplo, mas existem empresas no mercado especialistas em lidar com a complexidade das relações patrimoniais/familiares – os chamados multi family offices, ou MFO.

