O impacto das mudanças climáticas já é evidente em todo o mundo, e o Brasil não está imune a esses efeitos
Por Luiz Fernando Schettino
A crise climática é uma realidade incontestável e requer uma resposta urgente, coordenada e abrangente. Cada setor da sociedade—governos, empresas, universidades, organizações comunitárias e indivíduos—precisa assumir sua responsabilidade na construção de um futuro sustentável. Essa transformação deve ser célere, socialmente responsável, ambientalmente respeitosa aos limites da natureza e economicamente orientada para o longo prazo, garantindo que a busca pelo lucro esteja alinhada com a ética e as necessidades humanas presentes e futuras.
O impacto das mudanças climáticas já é evidente em todo o mundo, e o Brasil não está imune a esses efeitos. Secas prolongadas, chuvas intensas, aumento da temperatura média e perda de biodiversidade comprometem a qualidade de vida das pessoas e a capacidade dos ecossistemas de se manterem funcionando no médio e longo prazo. No Espírito Santo, esses desafios se manifestam na ocupação desordenada do solo, poluição dos recursos hídricos e aumento da vulnerabilidade das comunidades às catástrofes ambientais. O Plano ES 500 Anos e o Programa Capixaba de Mudanças Climáticas são exemplos de esforços que buscam mitigar os efeitos climáticos e promover uma transição sustentável no estado. Porém, para que essas iniciativas sejam bemsucedidas, é necessária uma colaboração intensa e intersetorial, envolvendo diferentes atores sociais e econômicos.
O engajamento de empresas é fundamental na redução das emissões de gases de efeito estufa e na implementação de práticas sustentáveis, como a economia circular e o uso de energias limpas. As instituições de ensino e pesquisa desempenham um papel essencial na inovação de soluções climáticas e na formação de cidadãos mais conscientes. Organizações comunitárias e movimentos sociais, por sua vez, atuam na defesa dos territórios, no reflorestamento e na promoção de práticas agrícolas sustentáveis. Os governos, em todos os níveis, precisam acelerar a implementação de políticas públicas eficazes, garantindo investimentos em infraestrutura verde, transporte sustentável e proteção dos recursos naturais. A COP30, que será realizada no Brasil, representa uma oportunidade única para fortalecer compromissos e consolidar ações concretas.
O paradigma de crescimento baseado na exploração desenfreada de recursos naturais precisa ser substituído por um modelo que considere a ética na tomada de decisões, a inclusão social e a viabilidade ambiental. A busca pelo lucro deve ser orientada para o longo prazo, respeitando os ciclos ecológicos e garantindo que os ecossistemas continuem a fornecer os serviços essenciais para a vida no planeta. A implementação de um plano de descarbonização no Espírito Santo é um exemplo de como governos e empresas podem repensar seus modelos produtivos sem comprometer a viabilidade econômica. Investir em agroecologia, reflorestamento, inovação tecnológica e preservação dos biomas são algumas das estratégias que podem gerar impactos positivos, tanto no aspecto ambiental quanto na economia.
A crise climática exige ação urgente, compromisso ético e colaboração intersetorial. A construção do futuro sustentável não pode ser adiada, e cabe a todos os setores da sociedade assumir a responsabilidade por essa transformação. Se não agirmos de maneira coordenada e comprometida, os impactos negativos das mudanças climáticas se tornarão ainda mais severos, comprometendo o bem-estar das próximas gerações. O Espírito Santo e o Brasil têm um papel estratégico nessa mudança global. Investir em inovação, governança ambiental e políticas públicas eficazes não é apenas uma necessidade, mas uma obrigação para garantir um planeta habitável no médio e longo prazo.
Luiz Fernando Schettino é engenheiro florestal, mestre e doutor em Ciência Florestal, advogado, escritor e ex-secretário Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos

