Governador Renato Casagrande apontou dificuldade de driblar efeitos das medidas de Trump, com início previsto para agosto
Por Robson Maia
O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, do PSB, afirmou, em entrevista, nesta quinta-feira (24), que o estado não conseguirá escapar ileso do tarifaço imposto por Donald Trump e previsto para entrar em vigor a partir de 1º de agosto. O mandatário capixaba adotou um tom de cautela sobre o tema, afirmando que está de acordo com a postura adotada pelo Governo Federal.
Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o Espírito Santo exporta cerca de 28,5% da produção local para o país norte-americano, sendo o segundo estado do país no ranking dos possivelmente mais afetados pelas medidas de Trump. Casagrande afirmou que a sanção tarifária poderá afetar duramente o estado.
“O Espírito Santo é o estado do Brasil mais aberto para a economia internacional. Aqui, o PIB do comércio internacional é proporcionalmente mais relevante comparado ao PIB total. Qualquer atividade que afete a exportação atingirá o emprego. Nosso trabalho de forma organizada junto ao setor produtivo está na busca de preservar o emprego”, disse o gestor em entrevista ao UOL News.
Casagrande afirmou que, mesmo diante de possíveis ações do governo estadual e federal para mitigar os efeitos das tarifas, será praticamente impossível escapar “ileso” dos impactos projetados.
“Nós não temos condições de anular completamente os efeitos [do tarifaço], até porque as consequências são intensas. Um estado organizado como o nosso tem condições de reagir minimamente, seja para fazer crédito com juro menor ou promover algum incentivo tributário para dar algum apoio aos trabalhadores”, apontou o gestor.
O governador capixaba disse que trabalha em torno de soluções para amenizar as consequências das taxas extras ao Espírito Santo, mas o conjunto de medidas só serão colocadas em prática depois de 1º de agosto.
“É nisso que estamos trabalhando dentro deste comitê que montamos. Ainda estamos apostando que até a semana que vem o governo [federal] possa fechar um entendimento, seja pelos canais diplomáticos ou pela pressão dos empresários ao governo Trump”, apontou o mandatário capixaba.

