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Ameaças e Retrocessos dos Conflitos Comerciais

Radicalismo – com protecionismo e nacionalismo a reboque – não é solução para as distorções que os radicais/protecionistas propõem corrigir

Por Arilda Teixeira

Permanecem as intransigências nas relações comerciais. Com isso começam a externarem-se protecionismos reinaugurando nova (e temerária) temporada de beggar my neighbor. A última vez que isso aconteceu, entre os anos 1920-1930, o Nazismo se instalou na Europa e na Ásia, disseminando a intolerância, o racismo e o antisemitismo.

No seu rastro veio, a II Guerra Mundial que destruiu a Europa e matou quase 80.000.000 pessoas; a destruição de Hiroshima e Nagasaki, com explosão de duas bombas que matou quase 200 mil pessoas; e a morte de 2000 pessoas no ataque à Base Naval de Pearl Habor.

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Neste momento, ainda é possível evitar chegar-se ao ponto de 1945.

Basta lembrar que radicalismo – com protecionismo e nacionalismo a reboque – não é solução para as distorções que os radicais/protecionistas propõem corrigir – desvios de comércio decorrente às práticas desleais, inclusive de membros da OMC.

Ele polariza a discussão, enquanto o que se precisa é de bom senso, para se chegar a um consenso.

As distorções apontadas pelo discurso protecionista são, principalmente, resultado do gradativo abandono ao apoio (e à prática) do multilateralismo, a partir dos anos 2000 pela comunidade econômica mundial. Ele foi relegado a simples retórica. Na prática, foi boicotado pelas dificuldades dos países membros da OMC para entender que seria mais produtivo completar as ofertas domésticas dos setores ineficientes com importações.

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Essa opção lhes permitiria garantir o abastecimento domésticos desses setores, enquanto concentrar-se-iam esforços para ampliar a competitividade daqueles que fossem detentores de vantagens comparativas suficientes para adquirir capacidade de inserção externa e alcançar os  ganhos de comércio.

Mas, ao contrário, abusou-se, dissimuladamente, de práticas desleais. E tal comportamento propagou a desconfiança entre os membros e dificultou as concessões mútuas necessárias para o sucesso do multilateralismo.

As dificuldades sobrevindas da crise de 2008 reforçou a indisposição para negociação e gerou um solo fértil para desenterrar a cultura do beggar my neighbour do século XX.

Um retrocesso, que por sua vez, foi acolhido pelo conflito de interesses entre Estados e Mercados.

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O atual paradigma tecnológico selara a internacionalização dos mercados e destituíra os Estados Nacionais do poder de decidir sobre os rumos da economia (doméstica e internacional). Nesse padrão de comércio não cabe barreiras porque a complementaridade da cadeia produtiva é a espinha dorsal para otimizar escala de produção e reduzir custos.

O destino de um investimento depende da atratividade do mercado que o acolherá – qualidade do mercado de trabalho, proximidade com mercado de insumos, infraestrutura para escoamento da produção, integração dos modais de transporte, segurança jurídica.

A ordem é otimizar processos e aproveitar escalas. Nela, só participa quem for eficiente.

Essa dinâmica alijou os ineficientes. Alijados, recorrem aos governos para protegê-los.

A visão parcial de alguns governantes os leva ao anacrônico discurso nacionalista de proteger os mercados domésticos associando essa bandeira à soberania nacional.

O problema é que essa bandeira pode trazer efeitos nefastos…

Arilda Teixeira é doutora em Economia da Indústria e da Tecnologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e mestra em Economia pela Universidade Federal Fluminense. Coordenadora dos cursos de Gestão Estratégica de Negócios e de Gerenciamento de Projetos, da Pós-Graduação da Fucape Business School. É coordenadora do Projeto PIBIC FUCAPE.

Este artigo foi publicado originalmente em 11 de Junho de 2018 no portal da Revista ES Brasil. As pessoas ouvidas e/ou citadas podem não estar mais nas situações, cargos e instituições que ocupavam na época, assim como suas opiniões e os fatos narrados referem-se às circunstâncias e ao contexto de então.

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