Especialista explica como identificar um bom vinho, entender as diferenças entre os tipos e harmonizar com a comida, em entrevista à ES Brasil
Por Jessica Coutinho
Saber escolher um bom vinho pode parecer tarefa complicada para quem está começando a se aventurar por esse universo. Mas, segundo o jornalista e crítico Jorge Lucki, colunista especializado em vinhos, a primeira regra é simples: tudo começa no vinhedo. Em entrevista ao site ES Brasil, ele deu dicas valiosas para quem quer aprender a escolher a garrafa certa, harmonizar com o prato ideal e, principalmente, confiar no próprio paladar.
“O que caracteriza um bom vinho é o equilíbrio entre os diversos componentes: o frescor, o corpo e, no caso dos tintos, o tanino”, explica Lucki. O tanino é a substância que dá aquela sensação de pigarro na garganta, sua presença é um dos elementos que diferenciam os tipos de vinho.
Ele destaca, no entanto, que não existe uma fórmula única. “Tudo depende do gosto pessoal. O vinho é uma bebida muito subjetiva, e isso faz parte da sua graça”, diz. Mesmo assim, alguns conceitos ajudam a orientar o consumidor. Um dos mais importantes é entender a diferença entre vinhos secos, suaves e doces. A classificação é feita com base na quantidade de açúcar residual na bebida. “Muita gente confunde. Vinho suave não é sinônimo de vinho leve, mas sim de vinho mais doce”, afirma. A categoria ‘seco’, por exemplo, se refere a vinhos com até 4 gramas de açúcar por litro.
Para quem está começando, Lucki recomenda iniciar com vinhos mais suaves e, aos poucos, migrar para os secos. “É como educar o paladar. Assim como um bebê começa com leite e passa por papinhas até chegar ao arroz e feijão, o consumidor de vinho também vai evoluindo”, compara. E essa evolução, segundo ele, passa por experimentar, ousar e anotar preferências, até mesmo mantendo uma listinha pessoal dos rótulos que agradam ou não.
Entre os erros mais comuns, Lucki aponta os preconceitos: “Tem gente que diz que não toma vinho branco, ou que só gosta de rótulo chileno, argentino, e isso limita muito. O mais importante é explorar a diversidade”. Essa diversidade, aliás, é para ele uma das maiores qualidades do vinho. “A magia do vinho é que nenhum outro produto te oferece tantas possibilidades.”
Outra armadilha é escolher a bebida apenas pelo preço. “Tem gente que acha que o vinho caro é sempre melhor. Só que às vezes o paladar da pessoa não está pronto para um vinho de R$ 5 mil. Você pode até não gostar”, alerta. Para ele, o ideal é escolher aquilo que faz sentido para o seu momento. “Mais do que o preço, o importante é o vinho estar adequado ao seu gosto”, conta.
Lucki explica as diferenças entre os principais tipos de vinho: o tinto, o branco e o rosé. O tinto, feito com uvas de casca escura, traz taninos e costuma ser mais encorpado. Já o branco, geralmente produzido com uvas claras, é mais leve, fresco e frutado, sem a presença do tanino. O rosé, apesar de também ser feito com uvas tintas, tem contato rápido com as cascas, o que confere a cor característica, mas mantém leveza próxima à dos brancos.
Sobre harmonização, o especialista defende que essa etapa exige um pouco mais de experiência, mas não precisa ser encarada como algo complicado. “Harmonizar é como um casamento: os dois devem se valorizar. O prato melhora, o vinho melhora”, afirma. Segundo ele, entender a composição dos dois lados e ousar são chaves importantes para encontrar combinações surpreendentes. “Se não der certo, testa de novo depois. O importante é se permitir experimentar.”

