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quarta-feira, 29 maio, 2024

Endereço da História: Cesar Hilal, pioneiro no empreendedorismo capixaba

Honra ao mérito: av. Cesar Hilal é uma retribuição da cidade de Vitória a um dos seus benfeitores

Por José Eugênio Vieira

É tradição brasileira homenagear postumamente personalidades que tenham contribuído, com sua inteligência, determinação e pioneirismo, para o nosso desenvolvimento, emprestando seu nome a ruas, praças e cidades.

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O Espírito Santo busca cumprir essa forma de honrar a memória de pessoas que participaram do nosso progresso, os que aqui nasceram e os que, vindos de fora, fizeram da nossa cidade e do nosso Estado sua nova pátria. História capixaba registra em seus anais a epopeia da ocupação de suas terras ainda virgens pelos colonizadores europeus. Vitória, a Ilha de Mel, deve por sua vez a imigrantes de vários continentes importante parcela do seu desenvolvimento.

Detenho-me particularmente em um nome – e com ele estendo a todos os que, aqui aportando, se fixaram e aqui criaram sua família – a quem esta cidade muito deve.
Antes, no entanto, de destacar a personalidade de Cesar Hilal, nosso homenageado, falemos um pouco de um fato histórico que propiciou, no tempo, esse registro. Ao final da primeira grande guerra, com o território geográfico da Síria dividido para a formação de cinco países, administrados pela França e pela Grã Bretanha, muitas famílias deixaram as férteis terras de seu País, irrigadas pelo lendário rio Eufrates, e emigraram buscando novas condições de vida com a liberdade perdida.

Foto de César Hilal, em 1938, do prontuário da Polícia Civil Nº32.042, Caixa 47. Foto: Arquivo Público do ES
Foto de Cesar Hilal, em 1938, do prontuário da Polícia Civil Nº32.042, Caixa 47. Foto: Arquivo Público do ES

Constaki Hilal, sua mulher Adla Hilal (Adélia) e seus 7 filhos deixaram Alepo, e certamente ali boa parte de suas vidas, a segunda maior cidade da Síria, e escolheram na sua maioria o Brasil para plantar a bandeira de suas esperanças. Vitória foi a cidade onde passariam a viver, integrados à sociedade ainda provinciana da capital do Espírito Santo.

Era o ano de 1918. Descortinava-se para a família Hilal uma perspectiva nova de futuro num Estado em formação onde as possibilidades de realizações dependiam somente do espírito empreendedor de quem para isso tivesse vocação.

Exatamente a vocação que não faltava à família Hilal.  Aclimatada ao novo ambiente, apoiada pela comunidade, sentindo o calor humano que os cercava, uma casa de comércio, aberta na então Avenida Capixaba foi apenas o primeiro passo que se estenderia no tempo a novas realizações na área de negócios comerciais e no campo embrionário do setor imobiliário. Proprietária de extensa área de terras na Praia do Suá, a família Hilal não ficou apenas aguardando a inevitável valorização de sua propriedade. A urbanização que ainda engatinhava em Vitória foi implantada na região com a abertura de uma rua moderna, com canteiro dividindo as pistas de rolamento nos moldes preconizados por Saturnino de Brito. Prédios de dois pavimentos foram ali erigidos, emprestando ao bairro ares de cidade moderna.

Vista de frente e lados do tradicional conjunto Hilal. Predios residenciais e comercial. Antiga Faculdade de Ciencias Economicas, em Vitória. Foto: Arquivo/IJSN
Vista de frente e lados do tradicional conjunto Hilal. Predios residenciais e comercial. Antiga Faculdade de Ciencias Economicas, em Vitória. Foto: Arquivo/IJSN

 César Hilal, jovem ainda, mostrou possuir a visão que marcou a presença pioneira dos formadores do nosso Estado e o empenho de dar a parcela de sua contribuição ao progresso da cidade que sua família escolhera para viver.

Liderando e orientando os negócios da família, a sociedade formada por ele e seus irmãos Sami, Maunir e Djaldete foi responsável por empreendimentos que ainda hoje Vitória ostenta com orgulho. A velha Casa Hilal marcou presença durante décadas.

Uma filial, localizada ao lado da escadaria do Palácio Anchieta, dá continuidade ao sonho que se realizou graças à extraordinária força de vontade e ao poder de liderança do jovem César Hilal e o seu retrato, afixado na loja, é o testemunho vivo de sua presença nos vitoriosos negócios da família.

Mas o reconhecimento pelo muito que os capixabas devem ao seu esforço foi igualmente destacado com o seu nome dado a uma das principais artérias da cidade: a Avenida Cesar Hilal, cuja denominação teve o aval reconhecido do ex-governador Jones dos Santos Neves e o aplauso de todos quantos reconhecem a participação de um jovem, cuja vida foi ceifada aos 38  anos, ao progresso da nossa urbe.

*Esta matéria é uma republicação. Ela foi publicada originalmente na revista ES Brasil n° 104, em março de 2014.

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