No primeiro semestre de 2024, a carne bovina ocupa o quarto lugar na geração de divisas do setor, alcançando um valor de US$ 14,2 milhões
Por Kebim Tamanini
Nos últimos anos, a pecuária de corte se consolidou no Espírito Santo como uma das principais atividades do agronegócio local, superando o mamão em volume de produção.
No primeiro semestre de 2024, a carne bovina ocupa o quarto lugar na geração de divisas do setor, alcançando um valor de US$ 14,2 milhões, o que representa 0,91% do total das exportações do agronegócio capixaba, de acordo com dados da Secretaria da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag).
Acompanhando esse movimento, as exportações de carne bovina registraram um aumento significativo de 648 toneladas, passando de 1.845 toneladas entre janeiro e maio de 2023 para 2.518 toneladas no mesmo período em 2024. Segundo a Seag, o crescimento das exportações de carne bovina pode ser atribuído principalmente à crescente demanda internacional, especialmente como alternativa à carne de frango, que ainda enfrenta embargos devido à gripe aviária. Mas a crescente demanda por carne bovina também no mercado interno é outro fator relevante.
O Espírito Santo tem se destacado na exportação de carne bovina por atender aos rigorosos padrões de qualidade exigidos pelos mercados internacionais. A China emergiu como o principal mercado consumidor, representando mais de 61% do volume exportado, seguida pela Argélia (11%) e Hong Kong (7%).
Empresas do setor têm investido na modernização das instalações, equipamentos de alta tecnologia e treinamentos para os profissionais, garantindo maior eficiência e qualidade no
processamento dos produtos.
O presidente do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal (Idaf), Leonardo Monteiro, pontua que o controle sanitário está sendo um dos pontos fortes nesse processo. “As atividades de controle da saúde dos animais têm garantido que as carnes produzidas no Espírito Santo sejam de qualidade, conquistando assim o comércio internacional”, relata.

O presidente da Federação da Agricultura no Estado (Faes), Júlio Rocha, confirma os avanços tecnológicos no setor. “A tecnologia, o manejo, a alimentação e a genética têm avançado significativamente. Algum tempo atrás, o gado bovino chegava ao abate em quatro a cinco anos. Hoje, em dois, no máximo dois anos e meio, ele atinge o ponto de abate com uma performance superior àquela de quatro a cinco anos atrás, resultando em maior rotatividade e qualidade. Os pecuaristas estão sempre em busca de melhorias”, afirmou.
Somados, a confiança na qualidade sanitária da carne capixaba, o acesso facilitado aos mercados internacionais e os investimentos em tecnologia e boas práticas de produção de alta qualidade têm sido os fatores responsáveis pelo sucesso do segmento no país e no mundo.
*Matéria publicada originalmente na revista ES Brasil 223, de setembro de 2024. Leia a edição completa sobre o Agronegócio Capixaba aqui

