Em entrevista à ES Brasil, presidente do IHGVV, Luiz Paulo Rangel, detalha como obra preserva originalidade e garante conservação do bonde histórico
Por Thamiris Guidoni
O Bonde Elétrico 42, um dos principais símbolos históricos de Vila Velha, entrou em processo de restauro neste mês de março. Preservado na Casa da Memória, na Prainha, o veículo passará por recuperação completa, com entrega prevista para maio, durante as comemorações dos 491 anos do município.
Em entrevista à ES Brasil, o presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Vila Velha (IHGVV), Luiz Paulo Rangel, explica que a preservação do bonde é resultado de um trabalho técnico iniciado ainda na incorporação do veículo ao acervo, por volta de 2012.
“Foi feito um levantamento completo de cada material. A madeira, por exemplo, a gente identifica o tipo e replica mantendo a forma original. Esse projeto, inclusive em 3D, serve como base para garantir a fidelidade do restauro”, afirma.
Segundo ele, a conservação do bonde é contínua, já que o veículo permanece exposto ao tempo.
“A gente faz inspeções frequentes e pequenos reparos ao longo do tempo. Em média, a cada três ou quatro anos é necessário um novo restauro mais completo, e aí buscamos apoio por meio de projetos, junto à prefeitura ou à iniciativa privada”, ressalta.
Restauro preserva características originais
O restauro inclui tratamento da madeira, impermeabilização, pintura e manutenção das ferragens. Responsável pelo trabalho, o restaurador Marcelo Siqueira explica que o processo começou com uma avaliação detalhada da estrutura.
“Foi feito um trabalho de avaliação para detectar os pontos mais críticos. A ideia é substituir apenas as peças necessárias e manter o máximo possível da originalidade do bonde. Algumas réguas dos bancos precisam ser trocadas por causa do desgaste da madeira, enquanto outras passam por lixamento manual e recebem um verniz próprio para garantir a conservação por vários anos”.
Além da recuperação estrutural, o bonde também representa um marco histórico no desenvolvimento urbano do Estado.
“Com a vinda do bonde no início do século XX houve uma mudança do conceito urbano de movimentação da população, com interligação de locais e circulação de pessoas”, destaca Rangel.
O secretário municipal de Cultura, Roberto Patrício Junior, afirma que a iniciativa amplia o acesso da população ao patrimônio histórico.
“A restauração do Bonde 42 fortalece o acervo da Casa da Memória e amplia as possibilidades de contato da população com um patrimônio que ajuda a compreender a formação urbana e cultural de Vila Velha. A expectativa é apresentar o bonde restaurado durante as comemorações do aniversário da cidade”, diz.
Projeto leva tecnologia digital ao acervo da Casa da Memória
O projeto de inovação tecnológica da Casa da Memória de Vila Velha tem abertura nesta segunda-feira (23), durante as comemorações dos 491 anos do município. A iniciativa moderniza o roteiro expositivo do espaço, localizado na Prainha, ao integrar tecnologias digitais ao acervo histórico dedicado à colonização do território capixaba e à formação da cidade.
A proposta incorpora recursos como realidade aumentada, inteligência artificial, conteúdos interativos e ferramentas de acessibilidade, incluindo audioguias em diferentes idiomas e peças táteis produzidas em impressão 3D.
O percurso contará ainda com QR Codes, jogos educativos e representações tridimensionais de cenários históricos, além do espaço “Janela do Tempo Petrobras”, que aborda ciclos econômicos do Espírito Santo. Com investimento de cerca de R$ 900 mil, via Petrobras Cultural e Lei Rouanet, o projeto busca ampliar a experiência do visitante e fortalecer o acesso à memória histórica local.

