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Bolsa Família deve receber R$ 168 bi, com dúvida sobre reajuste

Aumento do valor do benefício estará condicionado a diagnóstico do número de famílias no programa

Por Anderson Neto

O projeto do Orçamento 2024 do Governo Federal deve reservar um valor próximo a R$ 168 bilhões para os benefícios do programa Bolsa Família, principal vitrine social do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Se confirmado, o valor será próximo dos R$ 168,7 bilhões disponíveis neste ano. Por enquanto, não há previsão de reajuste para o valor pago aos beneficiários, nem para a faixa de renda de até R$ 218 por pessoa, usada como linha de corte para definir se alguém tem ou não direito ao programa.

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Eventual elevação dos valores vai depender da revisão do Cadastro Único e da atualização da base de dados do Bolsa, processos que estão sendo conduzidos neste momento pelo governo. O espaço para reajuste também estará condicionado a um diagnóstico de quantas famílias precisarão da ajuda do programa.

Mesmo que o governo não conceda reajuste em 2024, o atual desenho prevê que os benefícios não podem ficar mais de 24 meses sem atualização, justamente para não sacrificar o poder de compra de famílias que já estão em situação de vulnerabilidade. Isso significa que os valores teriam de ser corrigidos até março de 2025.

Apesar de o governo manter para 2024 a previsão de um espaço fiscal equivalente ao disponível em 2023, o valor em ambos os anos está abaixo do programado originalmente pelo governo no relançamento da política.

Após o resultado da eleição presidencial e antes mesmo de assumir o mandato, Lula conseguiu aprovar no Congresso uma PEC (proposta de emenda à Constituição) que ampliou os gastos para 2023 e abriu espaço no Orçamento para elevar a dotação do Bolsa Família a R$ 175,7 bilhões.

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Em março, porém, a equipe econômica efetuou um bloqueio de R$ 7 bilhões nas verbas do programa, para auxiliar na tarefa de controle de despesas diante da expansão de outros gastos.

Desde então, o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), responsável pelo Bolsa Família, tem trabalhado com a verba disponível para administrar as entradas e saídas do programa social.

Após zerar a fila do programa em março, mês de relançamento da política, o governo voltou a registrar um acúmulo de famílias habilitadas (preenchem os requisitos para receber a ajuda), mas que não tiveram o benefício concedido por falta de espaço no Orçamento.

A secretária Nacional de Renda de Cidadania, Eliane Aquino, disse à Folha que a pasta avalia se precisará solicitar o desbloqueio de verbas para atingir esse objetivo. Segundo ela, ainda não há nenhum pedido nesse sentido, mas a requisição será feita caso o diagnóstico aponte a necessidade.

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Desde março, diferentes ações de gestão no programa resultaram na exclusão de 2,4 milhões de famílias até julho, enquanto 1,6 milhão tiveram o benefício concedido até agosto. Neste mês, 21,1 milhões de lares receberão a transferência de renda.

O número está abaixo das previsões iniciais. No parecer técnico que baseou a elaboração da MP (medida provisória) do programa, a projeção era de que, em agosto, 21,8 milhões de famílias fossem contempladas pelo programa. O número foi estimado sob um orçamento de R$ 175,3 bilhões.

Além disso, o próprio governo contava com uma redução gradual ao longo dos meses, diante do processo de requalificação do Cadastro Único. A previsão era chegar a 21 milhões de beneficiários em dezembro e 20,67 milhões no fim de 2024.

Segundo os dados do governo, o valor médio pago pelo Bolsa Família foi de R$ 684,17 em julho. A previsão inicial era que, a partir de junho, quando a reformulação do programa foi integralmente implementada, o benefício médio por família chegaria a R$ 714 por mês, mas esse patamar não foi atingido.

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