Produtor britânico visitou presídios capixabas para acompanhar projetos de ressocialização que unem comunicação, trabalho e estudo
Por Amanda Amaral
O modelo de ressocialização de detentos do Espírito Santo tem chamado atenção além das fronteiras brasileiras. Redes de televisão e pesquisadores estrangeiros visitaram o estado para conhecer de perto as práticas adotadas nos presídios, que combinam educação, capacitação profissional e trabalho como pilares da reinserção social.
Segundo o secretário de Estado da Justiça, Rafael Pacheco, a proposta é transformar o tempo de pena em oportunidade de reconstrução da vida. “O homem nada mais é do que o trabalho. O trabalho é sua expressão de valor social. Nós precisamos aproveitar esse tempo do cumprimento da pena para dar a esse homem, ou essa mulher que cometeu um crime, um caminho de saída para que, ao retornar à sociedade, ele tenha capacidade de viver sua vida e não reincidir no crime. Acreditar na ressocialização é fazer segurança pública acima de tudo”, analisou.
Entre as iniciativas que despertaram interesse internacional estão as rádios prisionais, operadas pelos próprios internos com supervisão da equipe de segurança. O projeto chamou a atenção da BBC e de pesquisadores da Universidade de Cambridge, que visitaram o estado para acompanhar o funcionamento da proposta e discutir possibilidades de cooperação.
Além da comunicação interna, a produção dentro dos presídios impressiona pela diversidade: uniformes, calçados, roupas íntimas e refeições diárias para toda a população carcerária são confeccionados por detentos, gerando economia ao Estado. Oficinas de soldagem, marcenaria, padarias e cursos em parceria com Senai e Senac também ampliam as chances de reinserção no mercado de trabalho.
O Espírito Santo ainda se destaca pela forte integração com a iniciativa privada. Empresas locais aderiram ao selo social, que reconhece as que oferecem vagas de trabalho a presos e egressos, sendo que hoje a demanda das companhias é maior do que a oferta de mão de obra carcerária.
Outro projeto em andamento é a parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que financiará a construção de uma unidade prisional inédita na América Latina, um investimento previsto de cerca de R$ 650 milhões. Para Pacheco, o apoio da sociedade capixaba tem sido essencial para o sucesso do modelo.
Ouça a entrevista na íntegra:
“A população capixaba não é refratária ao debate. Isso é fundamental para que as pessoas possam discutir de maneira sólida, maneira profunda, longe das paixões que não nos ajudam nesse segmento, para que as pessoas possam realmente tornar essa política cada vez mais parte importante da política de segurança pública em si, o que é uma ideia do programa Estado Presente”, comentou.

