Estimativas indicavam que a redução no preço dos combustíveis nos postos poderia chegar a 20 centavos para o consumidor após aumento do etanol na gasolina
Por Kikina Sessa
Após 18 dias de aumento de etanol anidro na composição da gasolina (E30), o consumidor ainda não viu nas bombas a redução no preço do produto, conforme anunciado pelo governo federal.
O aumento da mistura obrigatória de etanol na gasolina de 27% para 30%, conhecido como E30, e de biodiesel no diesel de 14% para 15%, o B15 entrou em vigor no dia 1º de agosto de 2025 e, segundo o governo federal, vai permitir que o Brasil avance na autossuficiência e na redução do preço dos combustíveis.
Para o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Espírito Santo (Sindipostos), o fato de o preço não ter caído não surpreende, pois já era a expectativa do setor, que, desde o anúncio, fez estudos com dados públicos sobre o impacto nos preços e não entendeu a redução de preços anunciada em função da nova fórmula.
“Segundo o Monitor de Preço dos Combustíveis da Sefaz, o custo de aquisição pelos postos do estado teve uma redução de R$ 0,01 entre os dias 01 e 10 de agosto. No mesmo período, a redução do preço de venda ao consumidor foi de R$ 0,06. Essa diferença não tem relação com a mudança na composição, são variações normais num mercado livre e competitivo”, comenta a entidade.
Com a adoção do E30, o governo federal prevê que o Brasil voltará a ser autossuficiente em gasolina após 15 anos. “As estimativas indicam que a redução do preço nos postos pode chegar a 20 centavos para o consumidor. Apenas com a transição do E27 para o E30, são esperados mais de R$ 10 bilhões em investimentos e a criação de mais de 50 mil postos de trabalho”, afirmou o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira.
De acordo com o ministro, a redução do preço da gasolina vai representar uma economia de R$ 1.800 por ano para motoristas de aplicativo. “Esse dinheiro significa aumento do poder de compra do trabalhador. O Brasil se torna também mais preparado para enfrentar períodos de instabilidade geopolítica, como esse que, infelizmente, estamos vivendo. É soberania”, defendeu Silveira.

