Manifestação liderada por Silas Malafaia pressiona Congresso a aprovar anistia ampla para presos do 8 de janeiro
Aliados de Bolsonaro fazem ato em Brasília por anistia “geral, ampla e irrestrita”
Por Denise Miranda
Em um novo movimento de pressão sobre o Congresso Nacional, aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) promoveram, na tarde desta terça-feira (7), uma caminhada em Brasília para pedir anistia ampla, geral e irrestrita às pessoas presas e condenadas por envolvimento nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.
Convocado pelo pastor Silas Malafaia e pelos filhos de Bolsonaro, o ato reuniu apoiadores em frente à Catedral Metropolitana, de onde seguiram em direção à Praça dos Três Poderes. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que participou do evento, se emocionou ao mencionar os “presos injustamente” pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
O protesto ocorreu na mesma semana em que o Projeto de Lei da Anistia — uma das principais bandeiras do bolsonarismo no pós-8 de janeiro — voltou à pauta da Câmara dos Deputados. O relator da proposta, Paulinho da Força (Solidariedade-SP), afirmou ter discutido com o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), um cronograma que pode levar o texto ao plenário ainda nesta quarta-feira (8).
Segundo Paulinho, seu relatório não recomendará a anistia total, como deseja parte do PL, mas sim a redução das penas dos envolvidos, com exclusão de perdão para líderes e financiadores dos ataques. A posição desagradou setores mais radicalizados da direita, que agora intensificam a pressão sobre o Congresso.
Estratégia política e sinalização à base
O movimento foi interpretado por analistas políticos como uma tentativa de reorganizar a base bolsonarista após meses de dispersão e de reafirmar o protagonismo das lideranças evangélicas e da família Bolsonaro no debate público. O ato tem um caráter simbólico e de resistência, mas também de mobilização eleitoral antecipada. A pauta da anistia unifica a base bolsonarista em torno de um sentimento de injustiça.
A manifestação ocorre sob a sombra das decisões do STF, que já condenou dezenas de envolvidos nos ataques às sedes dos Três Poderes. As penas mais severas — que chegam a 17 anos de prisão — alimentam o discurso de perseguição política usado por apoiadores do ex-presidente.
Planalto mantém distância e observa repercussão
No Palácio do Planalto, a ordem é não reagir publicamente ao movimento. A avaliação interna é de que o ato faz parte da estratégia bolsonarista de manter o tema do 8 de janeiro vivo na agenda, como contraponto à narrativa de pacificação institucional defendida por Luiz Inácio Lula da Silva.
Interlocutores do governo apontam que o Planalto tenta evitar o confronto direto e prefere deixar que o debate se concentre no Legislativo. A ala política de Lula considera improvável que o texto da anistia avance com o formato desejado pelos aliados de Bolsonaro, mas admite preocupação com a capacidade de mobilização popular do movimento, especialmente em estados do Centro-Oeste e do Sudeste.
Próximos passos
O Projeto de Lei da Anistia deve ser apreciado ainda nesta semana, segundo o relator. A tendência é que o texto enfrente *resistência de partidos de centro e da base governista*, que veem na proposta um risco de relativizar os ataques às instituições.
Nos bastidores, a mobilização desta terça é vista como teste de força política para o bolsonarismo em 2025 — ano em que Jair Bolsonaro ainda tenta se manter ativo, mesmo após ter sido condenado pelo STF a 27 anos e 3 meses de prisão e declarado inelegível até 2030.

