A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alerta sobre os perigos do uso de alisantes capilares com substâncias proibidas, como o formol
Por Jessica Coutinho
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um novo alerta sobre os riscos associados ao uso de alisantes capilares com substâncias proibidas, como o formol (formaldeído) e o ácido glioxílico. O objetivo é conscientizar consumidores e profissionais da beleza sobre os perigos desses produtos e promover práticas seguras no alisamento dos fios.
Segundo o Informe de Segurança GGMON nº 03/2025, a cosmetovigilância tem identificado diversos relatos de efeitos adversos relacionados a escovas progressivas e outras formas de alisamento capilar. Os principais riscos envolvem irritações no couro cabeludo, problemas respiratórios, reações alérgicas e, em casos mais graves, danos irreversíveis aos fios e até risco de câncer devido à exposição prolongada ao formol.
Substâncias permitidas
Os únicos ingredientes aprovados pela Anvisa para alisar ou ondular os cabelos são:
- Ácido tioglicólico e seus sais
- Ésteres do ácido tioglicólico
- Hidróxidos de sódio, potássio, lítio ou cálcio
- Sulfitos e bissulfitos inorgânicos
- Pirogalol
- Ácido tiolático
O uso de formol como alisante é proibido. Ele só é permitido como conservante (em concentração máxima de 0,2%) e como endurecedor de unhas (até 5%). O ácido glioxílico também não está autorizado para alisamento capilar, especialmente por seus efeitos nocivos quando aquecido.
Apesar das proibições, muitos desses produtos continuam circulando de forma irregular, especialmente em salões de beleza, mercados informais e plataformas de vendas online. Em geral, não apresentam registro na Anvisa, têm origem desconhecida e oferecem promessas enganosas, como “progressiva sem química”.
Principais riscos à saúde
Os efeitos do uso de alisantes irregulares podem ser severos. Entre os danos imediatos estão ardência, coceira, alergias e dificuldade respiratória provocada pela inalação de vapores tóxicos. A longo prazo, a exposição ao formol pode ter efeito cancerígeno.
Nos cabelos, os danos vão desde o ressecamento e perda de brilho até a quebra dos fios. O uso de calor (prancha ou secador) intensifica a ação destrutiva desses produtos, especialmente em cabelos já fragilizados por descoloração, que podem ter sua porosidade aumentada em até quatro vezes.
Além disso, algumas escovas progressivas mascaram os danos com um brilho superficial, enquanto o interior do fio está comprometido. Produtos à base de ácido glioxílico, ao serem aquecidos, também podem liberar vapores altamente irritantes.
Dicas para consumidores
A Anvisa recomenda uma série de cuidados para quem deseja alisar os fios com segurança:
1. Escolha produtos regularizados: Sempre verifique se o produto tem número de processo da Anvisa no rótulo. A consulta pode ser feita no portal da Agência.
2. Evite substâncias proibidas: Não utilize produtos com formol ou ácido glioxílico.
3. Cuidado com o estado do cabelo: Não alise cabelos recém-descoloridos.
4. Siga as instruções do fabricante: Faça teste de mecha, não aplique diretamente no couro cabeludo e enxágue bem.
5. Observe sinais de alerta: Ardência, coceira e dificuldade para respirar são sinais de que algo está errado. Procure um médico e notifique a Anvisa por meio do sistema e-Notivisa.
Recomendações para profissionais
Salões de beleza e cabeleireiros devem redobrar os cuidados:
- Utilizar apenas produtos registrados na Anvisa, adquiridos de fornecedores confiáveis.
- Nunca aceitar aplicar produtos de procedência duvidosa ou com ingredientes proibidos, mesmo sob insistência do cliente.
- Usar equipamentos de proteção, como luvas e máscaras, e trabalhar em ambientes ventilados.
- Informar os clientes sobre riscos e sempre realizar teste de mecha.
- Não realizar alisamentos em cabelos recém-descoloridos.
- Reportar qualquer reação adversa ou produto suspeito ao sistema da Anvisa.
Importante destacar que adicionar formol a outros produtos é crime hediondo, previsto no artigo 273 do Código Penal, e configura adulteração de cosmético com sérios riscos à saúde pública.
Como identificar um produto irregular
Ausência de número de registro da Anvisa no rótulo.
Cheiro forte e irritante, semelhante ao do formol.
Embalagem sem dados sobre fabricante, composição ou instruções.
Preço muito abaixo do praticado no mercado.
Cosmetovigilância ativa
A Anvisa reforça que está atenta às denúncias e atua com rigor para coibir a comercialização de produtos irregulares. A participação da população é fundamental nesse processo. Qualquer suspeita de produto irregular ou reação adversa pode ser comunicada à Agência por meio do sistema e-Notivisa.
A escolha consciente e segura de produtos é fundamental para preservar a saúde de quem usa e de quem aplica. A beleza não deve custar caro à saúde.

