
Os números de 2025 mostram que o agro capixaba tem base sólida, diversidade produtiva e capacidade de competir em alto nível
Por Enio Bergoli
Quando olhamos para os números do agronegócio capixaba, é preciso ir além do resultado bruto. Número, por si só, registra desempenho. Mas, quando interpretado à luz do contexto, revela capacidade de reação, visão estratégica e maturidade produtiva. E foi exatamente isso que o Espírito Santo demonstrou em 2025.
O agro capixaba encerrou o último ano com US$ 3,21 bilhões em exportações, equivalentes a R$ 17,2 bilhões, respondendo por 30,7% de tudo o que o Espírito Santo exportou no período e alcançando 132 países. Relevância!
Café e derivados lideraram essa pauta, com US$ 1,79 bilhão, seguidos pela celulose, com US$ 862,6 milhões, e pela pimenta-do-reino, com US$ 347,2 milhões. São números que refletem escala, competitividade e, sobretudo, a força de cadeias produtivas que combinam tradição, tecnologia e capacidade empreendedora.
Em 2025, o Espírito Santo alcançou marcos históricos em duas de suas principais cadeias produtivas. Na pimenta-do-reino, a produção atingiu 83,5 mil toneladas, o maior volume já registrado na série histórica. Na cafeicultura, o Estado também colheu sua maior safra, estimada em 17,5 milhões de sacas, sendo 14,2 milhões de sacas de café conilon e 3,3 milhões de sacas de café arábica. Ao mesmo tempo, 2025 também deixou uma lição importante: produzir bem já não basta. É preciso compreender o ambiente externo com a mesma atenção com que se acompanha a lavoura.
O tarifaço norte-americano foi uma demonstração clara disso. Em um estado que teve os Estados Unidos como principal destino das exportações do agro, com 20,5% de participação no ano, qualquer mudança tarifária ou comercial naquele mercado tem efeito direto sobre decisões locais. O que acontece fora do país influencia preço, margem, fluxo logístico e estratégia de venda dentro da porteira.
Esse movimento mostrou que a competitividade do agro moderno não depende apenas de produtividade por hectare ou de volume produzido. Depende também de inteligência comercial, capacidade de adaptação e diversificação de mercados.
É nessa mesma lógica que os recentes conflitos no Oriente Médio precisam ser observados. À primeira vista, parecem temas distantes da realidade do produtor capixaba. Mas não são. Uma escalada geopolítica naquela região afeta petróleo, pressiona fretes, altera o câmbio, encarece fertilizantes, combustíveis e insumos.
Em outras palavras, interfere diretamente no custo de produção, no transporte da safra e na previsibilidade do negócio rural. O campo sente os efeitos da instabilidade internacional muitas vezes antes mesmo que ela se traduza em manchete local.
Os números de 2025 mostram que o agro capixaba tem base sólida, diversidade produtiva e capacidade de competir em alto nível. Mas mostram também que o futuro exigirá cada vez mais preparo, inteligência e antecipação. A agricultura contemporânea começa no campo, mas também começa na leitura do cenário global. Hoje, a safra não depende apenas do que se planta. Depende, cada vez mais, da capacidade de entender o mundo.
Em um cenário de tensões comerciais, conflitos geopolíticos e riscos climáticos, os números confirmam a força do agro capixaba e a necessidade de olhar o mundo como parte da estratégia do campo.
Enio Bergoli é Secretário de Estado da Agricultura, engenheiro agrônomo, pós-graduado em Administração Rural

