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Agro capixaba bate recorde de exportações em 2024

O setor movimentou mais de R$ 20 bilhões em exportações no ano passado, mas este ano alterações climáticas prejudicam algumas culturas

Por Ludmila Azevedo

Poucos setores vivem tantas mudanças simultâneas quanto o agronegócio. No Espírito Santo, o agro passa por uma intensa reconfiguração, impulsionada por instabilidade climática, inovações tecnológicas e novas demandas de mercado. O resultado é um cenário cheio de oportunidades, mas também de desafios. Citando as oportunidades, o ano de 2024 foi o melhor da história para o agro capixaba, tendo em vista a produção, as exportações e os investimentos em melhorias.

Entre janeiro e novembro do ano passado, as exportações do setor de agronegócio no Espírito Santo chegaram a quase US$ 3,3 bilhões, o que equivale a mais de R$ 20 bilhões.

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Esse valor, conquistado em apenas 11 meses, é maior do que o total em qualquer ano completo desde que começaram os registros históricos. O desempenho representa um crescimento impressionante de 71,1% em relação ao mesmo período de 2023, quando as exportações somaram US$ 1,9 bilhão.

Enquanto o Brasil teve uma pequena queda de 0,28% no valor total exportado e uma redução de 1,3% no volume de produtos, o Espírito Santo escoou mais de 2,4 milhões de toneladas de produtos do agronegócio para o exterior, alcançando um aumento médio de 6,3% no volume embarcado em 2024. O estado se consolidou na liderança nas exportações brasileiras de café conilon (76% do total nacional), gengibre (63%), pimenta-do-reino (58%) e mamão (48%). O café conilon, carro-chefe do estado, teve uma valorização de mais de 100%. Enquanto a saca de 60 kg era vendida por R$ 740 em 2023, o valor subiu para R$ 1800 em 2024.

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Segundo o secretário de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca, Enio Bergoli, os excelentes resultados de 2024 foram conquistados graças ao empenho dos agricultores e às ações das entidades e associações parceiras do Governo do Estado, que têm liberado novos recursos. “Para 2025, a expectativa é de um cenário positivo tanto para as exportações quanto para os preços dos produtos e os repasses financeiros para a pasta”.

Em dezembro do ano passado o governador Renato Casagrande investiu R$ 264 milhões em obras, beneficiando 35 municípios, principalmente no que diz respeito à revitalização de rodovias e barragens localizadas em áreas rurais.

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Agro capixaba bate recorde de exportações em 2024
O Espírito Santo foi responsável por 76% do café conilon brasileiro destinado ao mercado internacional em 2024, reafirmando sua posição de liderança – Fonte: Reprodução Internet

“O agro capixaba está mais moderno, mais tecnológico e sustentável. Estamos trabalhando para garantir renda ao produtor e mais competitividade aos nossos produtos lá fora”, completou o secretário de Estado da Agricultura.

Parcerias com outras pastas, como a Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Educação Profissional (Secti) e Secretaria de Estado de Turismo (Setur), garantem investimentos que também beneficiam o agro por meio do fomento às agritechs (startups voltadas ao campo) e ao agroturismo, que oferecem novas formas de geração de renda e de integração do campo com o mercado consumidor.

PIB estável com ligeiro crescimento na agricultura

O Produto Interno Bruto (PIB) total do Espírito Santo apresentou estabilidade no primeiro trimestre de 2025, com variação de 0,0% em relação ao trimestre imediatamente anterior, considerando os ajustes sazonais. De acordo com o documento compartilhado pelo Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), o PIB Estadual registrou crescimento de +0,9% de janeiro a março de 2025 em comparação ao mesmo período de 2024.

A agropecuária teve crescimento acumulado de +0,4% nos três primeiros meses deste ano. “Comparando os dados do estado com os dados nacionais, vemos que o Espírito Santo acompanhou a tendência de moderação observada no Brasil, o que demonstra a importância de termos políticas públicas voltadas à diversificação econômica e ao fortalecimento dos setores produtivos”, frisou o diretor-geral do IJSN, Pablo Lira.

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Mudanças climáticas causam retração

Enquanto o café conilon teve um ótimo ano em 2024, com produção crescente, o arábica teve queda de -19,8%. Segundo o panorama do IJSN, isso se deu pela bienalidade negativa e questões climáticas, já que o Espírito Santo enfrenta calor extremo, chuvas irregulares e secas pontuais que interferem diretamente na produtividade e na renda do campo.

No primeiro trimestre de 2025, o documento aponta redução de -23,2% em relação ao último trimestre de 2024, com retração maior na venda do café em grãos. A venda de celulose para o exterior também diminuiu, enquanto a exportação de especiarias teve um ligeiro aumento.

“A vida do trabalhador rural mudou completamente. O produtor precisa estar preparado para um clima que não é mais o mesmo. É fundamental capacitar as pessoas para lidar com essas adversidades e, por isso, a tecnologia está entrando cada vez mais rápido no campo”, acrescentou o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Guilherme de Campos.

Uma das respostas do governo federal é a reformulação do seguro rural, que passa a incluir modelos paramétricos. Nesse novo modelo, as indenizações são acionadas automaticamente quando índices climáticos (como excesso ou falta de chuva) ultrapassam limites pré-estabelecidos, sem depender de vistorias de campo, acelerando o pagamento ao produtor.

*Matéria publicada originalmente na revista ES Brasil nº 228, de agosto de 2025. Leia a edição completa do Agro aqui.

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