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A literatura infantil como formadora de novos leitores

A literatura infantil como formadora de novos leitores

A criança que hoje busca o livro tem grandes chances de levar o hábito da leitura para sua vida. E, com isso, tornar-se um adulto mais criativo, com pensamento crítico

Por Manoel Goes Neto

A literatura infantil não é apenas uma etapa na formação do leitor; ela constitui uma base essencial da formação cultural, cognitiva e criativa. Ler estimula a criatividade, possibilita o acesso às mais diversas áreas de conhecimento, amplia o vocabulário, fortalece vínculos sociais. É uma atividade que pode ser realizada de forma individual ou coletiva, por meio de clubes de leitura, por exemplo. E também pode ser gratuita, bastando para isso o cadastro em uma biblioteca.

“Um país se faz com homens e livros.” A frase de Monteiro Lobato, ícone da literatura infantil brasileira, inspira a celebração do 18 de abril, como o Dia Nacional do Livro Infantil. A celebração tem como objetivo ressaltar a importância do livro infantil, uma vez que a leitura é responsável por desenvolver vários aspectos importantes para o aprendizado na infância. A data também é uma homenagem ao escritor Monteiro Lobato, pois esse é o dia do nascimento do autor que é considerado o pai da literatura infantil brasileira. A comemoração foi oficializada pela lei no 10.402, de 8 de janeiro de 2002.

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Recentes pesquisas apontam que mais de 80% das crianças entre 5 e 10 anos declararam gostar de ler livros. O mercado editorial entendeu a tendência e vem investindo no segmento. Várias editoras lançaram selos infantis. A produção literária capixaba infantil também é destaque no mercado editorial, é rica e diversa, com autores focados em cultura local, ludicidade e educação. Destaques incluem Francisco Aurélio Ribeiro (Pretinha), Andréa Espíndula (“Colorindo meu Espírito Santo”), Lilian Menenguci (Os medos de Lili), Maria Elvira Tavares Costa (“Fio da Aranha”), Edson Nascimento (“O Submarino do Batatinha”) e a ilustradora/autora Irena Freitas, conhecida por “Manaus” e “A Floresta”, Verena Setúbal com o seu O Diário de uma Capixabinha, dentre outros mais.

O mercado literário brasileiro em 2025 registrou crescimento sólido, fechando no azul com alta de 7,75% em volume e 8,68% em faturamento, superando R$ 3 bilhões em receita. Impulsionado por ficção e infanto-juvenil, o varejo destacou-se pela resiliência e aumento do preço médio, com 60,33 milhões de livros vendidos, consolidando uma trajetória de expansão estrutural. Ficção e Infantojuvenil lideraram o interesse, com o gênero espiritual/autoajuda ganhando força no mercado editorial, como o destaque “Café com Deus Pai”.

A criança que hoje busca o livro tem grandes chances de levar o hábito da leitura para sua vida. E, com isso, tornar-se um adulto mais criativo, com pensamento crítico e mais capacidade de encarar desafios. A introdução desse hábito precisa vir de casa, como uma atividade familiar. Ler para os filhos, promover um bate-papo sobre algum livro, contar histórias são formas de proporcionar acesso a esse universo, que é muito rico e se desdobra em inúmeros benefícios, como o fortalecimento do vínculo afetivo familiar.

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As bibliotecas das escolas públicas municipais, estaduais e privadas também têm um importante papel na formação de leitores. Porém, precisam ser mais do que espaços de empréstimo de livros. Precisam criar caminhos para chegar até o leitor e mostrar todo o potencial do universo literário. Necessário fomentar ainda mais os incentivos para maior frequência de estudantes nas bibliotecas com atividades e eventos literários para os pequenos leitores. Isso demonstra um potencial importante desses espaços como um articulador da leitura em família.

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Criar estratégias que aproximem o público dos livros é uma tarefa de toda a sociedade. É preciso reverter a ideia de que o ato de ler é algo difícil ou destinado apenas ao dever do estudo. Mostrar que ler faz parte do lazer, do entretenimento. Precisamos trabalhar hoje na próxima geração de leitores, para garantir que o hábito da leitura não pereça diante dos inúmeros afazeres e apelos do mundo moderno.

Manoel Goes Neto é escritor, produtor cultural e membro do IHGES

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