Vocação portuária do Espirito Santo

Investimentos podem tornar do Estado essencial na movimentação marítima nacional

Em uma extensão litorânea de aproximadamente 400 quilômetros, o Espírito Santo conta atualmente com portos e terminais importantíssimos para a economia do Estado e do Brasil. Temos o Porto de Tubarão, que é o maior exportador de minério do Brasil; o Portocel, na exportação de celulose; o Ponta de Ubu, com minério; o Terminal de Vila Velha (TVV), com movimentação de contêineres e granito; e o Terminal de Peiú, com carga geral, contêineres e fertilizantes.

Além disso, há os berços públicos da Codesa – 201 e 202 –, utilizados no embarque de granito e descarga de grãos, fertilizantes e carvão,  dentre outras carregamentos; e o cais comercial, hoje destinado à operação de navios Ro-Ro (automóveis) e dos chamados supply (rebocadores de alto-mar).  Ainda temos o Berço 207, que está em obras, infelizmente paralisadas por falta de verba, e o Cais de Paul, responsável pela exportação de ferro-gusa proveniente de Minas Gerais.

Se tivesse investido em logística, o Espírito Santo apresentaria hoje uma vantagem enorme em relação a outros estados e portos. Primeiro, por nossa excelente posição geográfica, que facilita a conexão com diferentes regiões do Brasil e com outros países. Mas esse investimento não ocorreu. Nossas rodovias são do século passado, nosso porto público ainda tem um calado pequeno, que não favorece escalas de navios conteineiros grandes e que realmente possibilitem financeiramente escalar em Vitoria. Uma estrutura portuária de qualidade, com portos de águas profundas, iria viabilizar escalas de navios de porte maior, gerando uma receita mais elevada para toda a cadeia logística, que vai desde o agente marítimo até o destino final da mercadoria.

Sofremos muito com a dragagem do Porto de Vitória, que felizmente parece ter sido concluída. Mas a entrega dessa obra ainda não resolve o problema, pois os novos calados não foram estabelecidos pela autoridade portuária.

Sempre temos várias informações sobre construção de novos portos. Primeiro foi o porto de aguas profundas, que chegou a ter um projeto, mas sem registrar avanços e definições. Agora é o Porto Central, que finalmente, com a participação dos holandeses, deverá sair, além do Porto Norte Capixaba, em São Mateus.

Tivemos sérios problemas com a falta de investimento do Estado, além da crise política e econômica que nos levou a perder ainda mais espaço em relação a outros portos. Quanto ao layout, não há muito o que fazer, por completa falta de espaço. O TVV e Peiú buscam uma forma de executar adensamento dos berços 202 e 905, respectivamente. Se isso ocorrer, aí sim teremos uma alteração significativa.

Mas parece que as coisas estão se restabelecendo, e já é possível enxergar uma luz no fim do túnel. Investimentos privados estão sendo feitos. A Codesa elaborou vários estudos e ações para angariar clientes e novas cargas, e os operadores portuários estão investindo cada vez mais em melhoramento e equipamentos para otimização das operações. Também foi inaugurado pela Companhia Docas o VTMIS, que esperamos ser um divisor de águas e melhoramento, com redução no tempo de manobras, mais segurança e maior confiabilidade.

Hoje já e feito o serviço de cabotagem pela Login, que opera nos Portos de Vitória (TVV) e Rio/Santos, de onde embarcam para o exterior em navios maiores. Se o custo saindo da capital capixaba em cabotagem para embarque via Santos e Rio é interessante, imagine se saindo direto da capital capixaba?

Com tudo que falamos, pode-se afirmar, sim, que é enorme a vocação portuária do Espírito Santo e, com investimentos em logística (ferrovia, rodovias e acessos portuários) – que parecem dessa vez estarem chegando –, com certeza seremos maiores, essenciais à economia brasileira.

Sérgio Bonelle é Presidente do Sindamares