O ódio em tempos de eleições

Psicóloga Carolini Monte Cavallini

Saber respeitar o próximo e discernir emoções é uma das táticas para o equilíbrio mental

Estamos em uma época de eleições polarizadas, com muita confusão, desentendimentos e brigas até mesmo em família. Estamos vivendo tempos de ódio e a psicologia classifica esse sentimento como um tipo que traz problemas psicossociais consideráveis. Por que odiamos? Os motivos são complexos, mas podemos afirmar que o ódio é uma emoção autodestrutiva, pois a pessoa pode sentir essa emoção através de irritação ou fúria causada por alguma indignação ou de sentir seus direitos violados diante de uma injustiça, por exemplo.

Acontece que o problema maior é quando o ódio é usado como uma defesa para o medo ou algo que fizemos de errado. Nesses casos, quando a indignação já não tem o objetivo de reagir diante de uma injustiça, torna-se uma simples manifestação de nossas crenças centrais. Essa realidade demonstra a incapacidade de controlar e gerenciar adequadamente nossas emoções.

Entender o que estimula tal emoção e quais são nossas limitações contribui para trabalhar a melhor maneira de lidar com os efeitos do ódio. Dificilmente a pessoa que está vivenciando o ódio consegue discernir suas decisões de forma clara e coesa, pois age com impulsividade. Por isso, é importante pensar antes de tomar qualquer atitude e avaliar as consequências.

Atrás de uma pessoa excessiva e descontrolada, está sempre um indivíduo imaturo e imprudente e, para enfrentar tal sentimento de forma disfuncional, a pessoa se utiliza da indignação, da fúria e da violência destrutiva.

O que faz com que pessoas sintam ódio é singular para cada indivíduo. No entanto, existem aqueles que usam do ódio como uma defesa para aquilo que possa ser diferente, pois consideram como uma ameaça a sua existência. É importante ter consciência de que cada indivíduo possui características positivas e negativas. Por isso, aprender a respeitar as diferenças entre as pessoas é fundamental para um convívio saudável.

As coisas que as pessoas odeiam sobre os outros não necessariamente são coisas que temem dentro de si mesmas. Cada indivíduo possui crenças e pensamentos que influenciam naquilo que sente e como se comporta. Dessa forma, alguns pensamentos e crenças podem estar relacionados ao ódio no processo de identificação de sua própria personalidade, como, por exemplo, a baixa autoestima, a insegurança, a imaturidade emocional, o egoísmo, a impaciência, a falta de tolerância ou a frustração.

Sendo assim, atrás de uma pessoa excessiva e descontrolada, está sempre um indivíduo imaturo e imprudente e, para enfrentar tal sentimento de forma disfuncional, a pessoa se utiliza da indignação, da fúria e da violência destrutiva. A falta de habilidade para entender e refletir sobre as próprias emoções é um fator que impede muitas pessoas de se relacionar de maneira saudável. Por isso, é importante desenvolver a inteligência emocional de modo a compreender sua história de vida e começar a se relacionar da melhor maneira possível.

Diante de todo esse extremismo político, a melhor maneira para lidar com o ódio das pessoas é não deixar que ela o ataque quando quiser, não desperdiçar o tempo contradizendo-a e, caso a situação fique fora do controle, pare, saia dela e faça uma reflexão conjunta quando tudo estiver mais calmo, principalmente para entender e respeitar as opiniões divergentes das suas.


Carolini Monte Cavallini, psicóloga da Clínica Vivere.


 

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