O Brasil que nasce nas urnas

Darlan Campos é consultor em Marketing Político e diretor executivo da República Marketing Político

Sob gigantes desafios, eleitos assumem com uma forte expectativa sobre os seus ombros

Fim de ano é tempo de reflexão, de avaliação de promessas e de proposição de novos desafios. Em política não é diferente. Os partidos traçaram estratégias, estabeleceram metas para as eleições, fizeram campanha de seus candidatos. É tempo de analisar o Brasil que saiu das urnas e as expectativas geradas pelos governos Bolsonaro e Casagrande.

A renovação no Congresso Nacional foi de 60%, a maior já registrada. No Senado, 85% dos eleitos serão estreantes. Havia 54 vagas e, dos 33 candidatos que disputavam reeleição, apenas oito voltarão à Casa em 2019. Na Câmara, a renovação foi de 47%. Das 513 vagas, 251 ocupadas por reeleitos, 243, por novatos, e 19 deputados vêm de legislaturas anteriores (3,7%).

A eleição marcou uma guinada conservadora, a maior vitória da direita nas urnas desde o fim da ditadura. Partidos tradicionais e de centro, como o PSDB e o MDB, foram derrotados. Legendas nanicas ou pequenas, como o PSL, as maiores vencedoras. O bloco de siglas que formam o Centrão – PP, DEM, PR, PRB e Solidariedade – perdeu 22 cadeiras e terá 142 representantes na próxima legislatura, uma redução de 13,4%.

Bolsonaro

O triunfo de Bolsonaro era bastante improvável: orçamento de campanha bastante limitado, palanques estaduais frágeis, histórico político controverso e baixa relevância parlamentar, além de o então candidato ter sido alvo de forte campanha negativa. Superou todos os desafios e saiu vitorioso com mais de 57 milhões de votos, em segundo turno.

Situado na extrema-direita do espectro ideológico, Bolsonaro altera a correlação das forças que disputam o poder no país. Protagonistas nas últimas décadas, MDB, PT e PSDB terão de ceder espaço para aliados do próximo presidente, parte deles concentrada no PSL.
Sem experiência no Executivo e com pouco prestígio na cúpula do Congresso, apesar de sete mandatos de deputado federal, o futuro presidente terá de provar capacidade para liderar uma mobilização política suficiente para recolocar o Brasil no caminho do desenvolvimento.

Presidente terá de ser capaz de liderar uma mobilização política suficiente para recolocar o Brasil no caminho do desenvolvimento

Apesar da vitória folgada sobre Fernando Haddad (PT), enfrentará também o desafio de aprender a lidar com a oposição. As bancadas oposicionistas terão força para incomodar e, em muitos casos, atrapalhar o governo.

Espírito Santo

As 30 vagas na Assembleia Legislativa foram disputadas por 614 candidatos. O percentual de renovação foi de 50%, o mesmo da Câmara Federal, onde apenas dois candidatos nunca tiveram mandato: Soraya Manato (PSL) e Felipe Rigoni (PSB). A maior surpresa ficou para o Senado, com a vitória de Fabiano Contarato (Rede) e Marcos Do Val (PPS). Renato Casagrande (PSB) se elegeu no primeiro turno, não vencendo, apenas, em Alegre.

Desafios

Os próximos governantes terão uma série de desafios a cumprir. Na questão econômica, o maior deles será frear o avanço do déficit público. A reforma da Previdência é o principal elemento dessa contenção, já que o Regime Geral atingiu um saldo negativo de R$ 270
bilhões, em 2017. A partir disso, a missão é fazer o país crescer, gerando trabalho e renda para os quase 14 milhões de desempregados.

A reforma tributária, associada à desburocratização do ambiente produtivo, é outra questão que Bolsonaro deve ter em conta. O combate à corrupção e aos privilégios do setor público é uma demanda latente da nação. Na segurança pública, o fim do sentimento de impunidade e o combate ao crime organizado são imperativos.

Desafios gigantes. Os eleitos assumem com uma grande expectativa sobre os seus ombros. Cabe a cada um honrar os votos que recebeu, por meio de um mandato produtivo e com entregas à sociedade.


Darlan Campos é consultor em Marketing Político e diretor executivo da República Marketing Político


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