Metalmecânica: depois da tempestade de 2016, a leve recuperação de 2017

Depois Da Tempestade De 2016, A Leve Recuperação De 2017
Com participação de 12.000 pessoas e uma previsão de negócios de R$ 50 milhões para os 12 meses seguintes, a 11ª MecShow atendeu às expectativas dos empresários

Metalmecânica conta com retorno da Samarco e aumento da oferta de crédito para retomar crescimento

Era difícil imaginar que 2017 seria pior para a indústria metalmecânica do que foi o ano passado. Em 2016, praticamente todo esse segmento industrial foi afetado pela crise política que varreu para longe a confiança dos investidores e empresários, fazendo a economia parar. E, de fato, o que se viu este ano não foi pior, mas foi apenas uma tênue luz no fim de um longo e tenebroso túnel para o setor metalmecânico, que contribui com 17% do PIB estadual.

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Fonte: Pesquisa Industrial Mensal . Produção Física – PIM-PF/ IBGE- Coordenação de Estudo Econômico CEE/IJSN

Os números levantados pelo Instituto de Desenvolvimento Educacional e Industrial do Espírito Santo (Ideies) e pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) sobre a indústria capixaba mostram essa penosa trajetória de recuperação. O faturamento real, por exemplo, cresceu 11,3% na metalurgia e 0,7% na indústria de transformação, se comparados os acumulados de janeiro a novembro dos anos de 2016 e 2017. A produção física desta última também aumentou 2,2% no acumulado do mesmo período. Além disso, as taxas de crescimento desses dois setores industriais foram de, respectivamente, 0,3% e 2,2% no acumulado do ano em comparação a 2016, segundo o Boletim Econômico de novembro, divulgado pelo Ideies.

“Foi um ano razoável e que traz expectativas para o ano que vem. Entretanto, acho que o empresário ainda está receoso para fazer investimentos por não saber o que pode acontecer na política em 2018” – Lucio Dalla Bernardina, presidente do Sindifer

“Os resultados são bons diante dos desafios que o panorama econômico traz consigo. Embora a inflação e os juros estejam em queda, a população continua endividada, influenciando negativamente o consumo e, por consequência, o desempenho do setor produtivo”, analisou Lucio Dalla Bernardina, presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas e de Material Elétrico do Estado do Espírito Santo (Sindifer).

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Investimentos e Samarco

Sobre investimentos, principalmente em inovação, o presidente do Centro Capixaba de Desenvolvimento Metalmecânico (Cdmec), Durval de Freitas, acredita que a tendência é que se intensifiquem de forma mais acentuada a partir do ano que vem, embora avalie que os empresários estejam ainda desconfiados do panorama político.
Ainda assim, ele mostra otimismo para com o ano que vem.

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Um dos motivos para isso é o esperado retorno às atividades da Samarco, algo que ele estima que aconteça ainda no primeiro trimestre de 2018 – pelo menos, de um terço da produção. Freitas reconhece a necessidade de a empresa arcar com os custos da tragédia de Mariana, mas lembra a falta que a gigante da mineração faz para a economia capixaba.
“São 20.000 empregos na cadeia de produção, o que é muito relevante para o Espírito Santo. Muitas empresas estão de portas fechadas porque a Samarco era a principal cliente. O seu retorno significará a retomada de toda essa cadeia envolvida, e isso é muito importante”, afirma.


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