Diferenciais que inovam de verdade

Estudantes do Sesi-ES vencedores do desafio de robótica na indústria, na Olimpíada do Conhecimento, representam o Estado na Olimpíada Brasileira de Robótica (OBR)

No desafio de preparar os alunos para um futuro ainda desconhecido, escolas precisam mudar a cultura de ensino

A crise econômica vivenciada no Brasil nos últimos três anos tem impacto, claro, na educação. Considerando que as famílias precisam reorganizar seu orçamento doméstico, diminuindo os gastos mensais, faz-se ainda mais necessário que as escolas desenvolvam um trabalho diferenciado que justifique o investimento em uma unidade de ensino particular.

“Em meio à crise, a escola particular concorre necessariamente com a pública e com unidades que tenha mensalidades mais baratas. Vale lembrar que, com os problemas econômicos do país, muitas crianças acabaram indo para as redes municipal e estadual. Por isso, mais do que nunca, as instituições privadas precisam repensar seu modo de atuação e criar diferenciais”, analisa o psicopedagogo, neuroeducador e diretor da Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) Colorir, José Eugênio Castro Fernandes.

No atual contexto, a escola deve rever sua parte financeira buscando não comprometer a qualidade dos serviços oferecidos. “Essa situação econômica impacta a vida da própria instituição de ensino, que deve buscar ajustar os custos da empresa sem comprometer a qualidade do trabalho pedagógico desenvolvido. É necessário também manter uma relação estreita com as famílias a fim de conhecer suas realidades e, dentro do possível, propor atendê-las em suas necessidades”, pontua a psicóloga e diretora da Grão de Areia Educação Infantil, em Vila Velha, Waleska Brunelli.

Um importante desafio, segundo a diretora, é manter as famílias dos alunos sempre próximas das escolas e informadas em relação às atividades desenvolvidas no dia a dia em sala de aula. “Assim, possibilitamos que os familiares do aluno reconheçam os diferenciais da instituição”, explica.

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“É necessário também manter uma relação estreita com as famílias a fim de conhecer suas realidades e, dentro do possível, propor atendê-las em suas necessidades” – Waleska Brunelli, psicóloga e diretora da Grão de Areia Educação Infantil

O psicopedagogo José Eugênio Castro Fernandes concorda. “Ampliar a participação dos pais é uma das premissas nestes tempos em que a maioria dos pais e mães trabalham fora. A criança passa mais tempo no espaço escolar. Ainda assim, os pais devem estar presentes por meio de momentos prazerosos na escola, favorecendo sua participação na formação dos filhos”, diz o especialista.

E, para que a qualidade do serviço oferecido seja mantida, ainda que em meio à crise econômica, a gestão escolar deve estar atenta aos âmbitos administrativo, financeiro e, claro, pedagógico. “Todos os funcionários devem participar desse processo, independentemente dos setores em que trabalham. Por exemplo, o porteiro, no atendimento e recepção dos alunos e suas famílias, a coordenação pedagógica, na implementação dos projetos pedagógicos com os funcionários, o professor e os auxiliares de turma na atuação educativa com os alunos, entre outros”, assinala Waleska.

Eugênio enfatiza que não se pode abrir mão da preparação do professor para a nova realidade. “Temos de ter um professor mais flexível, que agregue valores à instituição, que esteja aberto a aceitar as diferenças, as mudanças sociais, e até agregar novos valores à sua própria vida por meio do local de trabalho”, pondera.

Fonte: Oscip Colorir
Referência

O percurso até se tornar uma instituição que é referência em educação é longo e árduo. A Grão de Areia, por exemplo, tem 24 anos no mercado, e a diretora diz que, em sua trajetória, foi e é essencial aprimorar sempre o trabalho, estando atento à avaliação feita pelas famílias dos alunos, levando em consideração suas sugestões e críticas.

“O espaço educacional é um ambiente eminentemente coletivo, mas que não pode perder o olhar para a individualidade dos alunos e também de suas famílias”, analisa Waleska Brunelli.

Ela ressalta que o lado humano é essencial na condução de uma gestão escolar. “Um constante desafio é aliar a ação profissional a uma ação educativa humana e afetiva. É fundamental ter atenção às características e necessidades individuais dos alunos, adequando o trabalho quando necessário, mas sem perder de vista a visão de trabalho com o grupo (turma).”

Lembra ainda que é muito importante também investir na educação continuada da equipe, estar atento às mudanças de normas e exigências legais, como a Base Nacional Comum Curricular, lançada no fim de 2017, que deve nortear o trabalho das escolas.

José Eugênio Fernandes acrescenta o diferencial que uma escola referência não pode abrir mão. “A instituição precisa produzir na criança a felicidade de estar na escola, promover nos alunos um processo de instrumentalização da esperança, da crença na conquista dos objetivos mesmo na realidade difícil que vivemos no país. Precisa ser uma escola humanista, em que o ser humano seja a referência. Que a criança seja efetivamente socializada, ensinada no dia a dia a conviver com as diferenças, preparada para ser cidadã do mundo.”

Inovação

Outro aspecto relevante para que a escola ofereça atendimento e ensino de qualidade é pensar a educação considerando os temas inovação e sustentabilidade. “No nosso caso, isso é bastante desafiador, visto que nosso atendimento é na educação infantil. Em contrapartida, promover uma educação integral que envolva ações de educação ambiental e sustentabilidade com crianças tão novas é de suma importância para a formação delas como sujeitos éticos e comprometidos com o bem-estar da coletividade”, analisa a diretora da Grão de Areia.

Eugênio Fernandes reforça que garantir a acessibilidade à tecnologia e tornar os temas mais atuais, como sustentabilidade e inovação, parte do cotidiano, são medidas essenciais à toda instituição de ensino. “As questões socioambientais devem permear a proposta pedagógica. Assim, o aluno vai ter um preparo real para a vida.”

Um dos caminhos inovadores encontrados pela escola dirigida por Waleska Brunelli foi desenvolver um projeto de educação financeira com uma empresa parceira. “Inicialmente, uma questão que emergiu em nossa equipe foi ‘como falar de educação financeira para crianças tão novas, sem necessariamente falar em dinheiro?’”, recorda.

“Estudos apontam que jovens que se destacaram como excelentes alunos e tinham alto potencial de empregabilidade acabaram não conseguindo o mesmo destaque na carreira, pois tinham dificuldade de relacionamento” – Adriana Selga Borges, diretora escolar do Centro Educacional Primeiro Mundo

A resposta que a equipe encontrou foi trabalhar os temas solidariedade e sustentabilidade, que estão ligadas a questões de natureza econômica. “O projeto que estamos desenvolvendo já há três anos envolve formação da equipe, mobilização das famílias e, de forma especial, a participação de nossos alunos em ações solidárias e sustentáveis”, conta.

Um exemplo foi a apresentação de uma peça teatral de alunos dos Grupos 3 sobre a temática ambiental para as famílias da escola, sendo que o ingresso era leite em pó, posteriormente doado a uma instituição de atendimento a crianças carentes. “Os alunos puderam ver que o resultado do trabalho deles possibilitou desenvolver uma ação solidária. Aliamos, assim, sustentabilidade e solidariedade num único projeto. Isso entendemos por inovação pedagógica”, afirma.

Fonte: MEC / Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), edição 2017, divulgado em agosto desse ano.
Valorização do profissional

Não dá dúvida para especialistas da educação de que uma equipe atualizada e que se sente valorizada desenvolve com muito mais qualidade o seu trabalho. “Entendemos que uma forma de valorizar o profissional é assegurar que ele seja ouvido e que suas opiniões e sugestões sejam consideradas para aprimoramento do trabalho da escola”, destaca Waleska Brunelli.

Ela ressalta ainda os professores e auxiliares têm sempre a oportunidade de participar de encontros formativos e que há um constante diálogo com a equipe técnica da escola (que inclui psicólogo, pediatra, nutricionista e pedagoga), discutindo temas pertinentes ao trabalho desenvolvido com os alunos.

“É preciso comunicação entre os membros da equipe, uma sinergia. Tem que haver uma gestão descentralizada, com participação de todos os envolvidos no processo, valorizando a importância de cada profissional que faz parte da escola”, assinala o psicopedagogo Eugênio Fernandes.

Capacidade de adaptação

Se já temos alguns prognósticos e suposições sobre que mudanças podemos esperar de um futuro não muito distante, ainda há também muita dúvida em relação a quais serão, de fato, as novas demandas do mercado. Alguns especialistas garantem que 80% dos empregos que existirão em 2030 ainda não são nem conhecidos.

Diretora escolar do Centro Educacional Primeiro Mundo, Adriana Selga Borges enfatiza que as escolas enfrentam o desafio de se adequar a um futuro ainda cheio de incertezas. “Como capacitar crianças e jovens diante de uma velocidade tão intensa de mudanças? De verdade, ainda não sabemos o que eles irão fazer, que profissionais serão e em que áreas de atuação estarão alocados nos próximos anos. Então, precisamos trabalhar numa perspectiva de competência”, analisa.

“A criança passa mais tempo no espaço escolar. Ainda assim, os pais devem estar presentes por meio de momentos prazerosos na escola, favorecendo sua participação na formação dos filhos” – José Eugênio Castro Fernandes, psicopedagogo e diretor da Oscip Colorir – Foto: Mosaico Imagem

A ideia agora é formar pessoas não apenas com a capacidade de dominar técnicas de trabalho, mas também com habilidades mais abrangentes, incluindo competência para se relacionar com os outros e com as dificuldades do dia a dia. “Temos estudado pesquisas que acompanharam jovens desde o início da escolaridade até os primeiros anos de atividade profissional, e muitos deles, que se destacaram como excelentes alunos e tinham alto potencial de empregabilidade, acabaram não conseguindo o mesmo destaque na carreira, pois tinham dificuldade de relacionamento”, pontua a diretora.

Segundo Adriana Borges, muitos que dominavam a técnica não eram capazes de construir soluções rápidas para problemas que não estavam previstos. “Hoje, ser competente é ter capacidade de mobilizar o conhecimento pessoal, as habilidades que você possui para resolver as demandas de uma vida que não é mais simples, uma vida que tem uma complexidade grande e que depende de outros saberes que não apenas os ligados ao tecnicismo”, assinala.

Quanto à incapacidade de flexibilizar as relações, de ser mais maleável na busca por soluções, Adriana avalia que é também consequência do próprio modo de vida de crianças e adolescentes da atualidade. “Nas gerações mais antigas, havia uma televisão para toda a família. Na hora do almoço e jantar, as pessoas, via de regra, estavam juntas ou ao menos no fim de semana. Havia um banheiro na casa e a necessidade de negociar, inclusive, quem tomaria banho primeiro. Até o canal de televisão que seria assistido era negociado. Era preciso fazer acordos dentro de casa, que nem sempre eram consensuais. Mas fomos aprendendo a lidar com o confronto e com as frustrações”, explica Adriana.

Hoje, nas classes mais altas, cada criança tem seu quarto, sua TV, seu celular, seu computador, seu banheiro, seu espaço e sua individualidade totalmente preservada desde bem nova. “Muitos jovens não estão acostumados à negociação. Não são ‘treinados’ para ceder, para lidar com situações que não queiram lidar. Isso pode levar a um egocentrismo que gera dificuldades na hora de se adaptar a um emprego”, conclui a diretora.

Conexão com o futuro

Na busca por preparar crianças e adolescentes para essa desrupção, para estarem aptos a tantas e constantes mudanças, a aposta da Rede Sesi de Educação é agregar diferenciais à grade curricular, desde o infantil até as turmas de ensino médio. A rede, que já oferece as disciplinas de Empreendedorismo e Robótica, desenvolveu três novos projetos para 2019: o Programa de Orientação Profissional (POP), a Educação Maker e o Ensino Bilíngue.

 

“O Sesi já realiza um trabalho ao longo dos anos em relação à competência de empreendedorismo como componente curricular, que ajuda as crianças a desenvolverem suas habilidades. Com esses novos projetos, que possuem características específicas, mas que se unem, a ideia é potencializar essas métricas da escola”, destaca a diretora de Educação do Sesi-ES, Priscilla Marques.

O Fórum Econômico Mundial publicou, no dia 17 de setembro, o relatório “Future of Jobs 2018”, mostrando que, entre a extinção e a criação de novos empregos na era da 4ª revolução industrial, o saldo é positivo. Segundo o documento, serão 58 milhões de novos postos de trabalho ao longo dos próximos quatro anos. Até 2022, a automação vai colocar em risco 75 milhões ocupações associadas a tarefas como contabilidade, secretariado, serviço a clientes, entre outros, mas a integração tecnológica exigida pela chamada manufatura avançada criará novos papéis: num primeiro momento, serão necessários mais cientistas e analistas de dados; depois haverá necessidade de mais especialistas em inteligência artificial, big data e novas tecnologias, abrindo 133 milhões de postos de trabalho.

“São exigidos cada vez mais pelo mercado novas habilidades e conhecimento dos profissionais, muito além do porte de um diploma. O Sesi busca mostrar para seus estudantes que a escolha de sua profissão deve ser baseada em suas afinidades, em seus interesses reais e no que deseja para a sua vida” – Priscilla Marques, diretora de Educação do Sesi-ES

“São exigidas cada vez mais pelo mercado novas habilidades e conhecimento dos profissionais muito além do porte de um diploma. O Sesi busca mostrar para seus estudantes que a escolha de sua profissão deve ser baseada em suas afinidades, em seus interesses reais e no que deseja para a sua vida”, afirma Priscilla.

O Sesi também passa a adotar em 2019 novas estratégias didáticas para desenvolver as habilidades exigidas pela indústria. Um diretriz que faz parte do que está sendo chamado de Educação 4.0 ou Educação Maker: uma nova forma de trabalhar conteúdos, introduzindo dinâmicas de trabalho mais ativas, mais colaborativas e mais desafiantes.

Quanto ao Programa Bilíngue, ele se torna mola propulsora para grande melhora do rendimento escolar do aluno, analisa Priscilla. “E estabelece uma série de benefícios para o desenvolvimento cognitivo e emocional das crianças, da resolução de problemas à empatia, capacidades tão exigidas em um mundo cada vez mais conectado”, finaliza a diretora.

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