Associação entre a ocorrência dos sintomas da asma e poluição do ar

O ineditismo dessa pesquisa está relacionado a coleta de dados diretos de saúde e ao monitoramento dos poluentes atmosféricos nas residências e no ambiente externo
Jane Meri Santos é professora, doutora do Departamento de Engenharia Ambiental é coordenadora do projeto Asmavix

O ineditismo dessa pesquisa está relacionado a coleta de dados diretos de saúde e ao monitoramento dos poluentes atmosféricos nas residências e no ambiente externo

O projeto Asmavix tem o objetivo de investigar um problema de saúde específico, “função respiratória em portadores de asma leve a moderada”, a fim de determinar se, e em que extensão, a poluição do ar afeta os sintomas da asma em crianças e adolescentes moradores de Vitória.

Esse projeto está sendo desenvolvido por uma equipe multidisciplinar composta por cerca de 20 pesquisadores médicos, engenheiros e estatísticos envolvidos nos programas de pós-graduação em ciências Fisiológicas e Engenharia Ambiental na Universidade Federal do Espírito Santo.

A duração é de 36 meses com investimento, de R$ 3,9 milhões.

A equipe de engenharia realiza o monitoramento da qualidade do ar, que consiste em mensurar a concentração de compostos orgânicos voláteis, SO2, NOx, CO, O3, material particulado (MP10 e MP2.5), e fungos nos ambientes externo e interno das residências durante dois anos em períodos de inverno e verão em três localidades diferentes da cidade de Vitória. O material particulado será também analisado quanto à sua característica química a fim de investigar a presença de metais que possam ser diretamente relacionados ao impacto à saúde. E, para verificar a exposição à poluição do ar considerando a mobilidade do indivíduo, serão utilizados monitores pessoais para medição de SO2.

“Esse projeto, Asmavix, está sendo desenvolvido por uma equipe multidisciplinar composta por cerca de 20 pesquisadores médicos, engenheiros e estatísticos”

A equipe de saúde realizará o acompanhamento de 200 crianças e adolescentes portadores de asma atendidos em clínicas ou unidades de saúde em Vitória. Durante 10 a 15 dias, cada participante será monitorado, em domicílio, por meio do preenchimento de um diário e de medidas de espirometria (exame de pulmão) nos períodos tanto de inverno quanto de verão. Tendo em vista o número expressivo de variáveis que podem influenciar o desencadeamento de crise asmática, haverá também a análise de genes que, em outras populações, mostraram associação com o aparecimento ou gravidade da doença.

Estudos que investigam a associação entre poluição do ar e asma já foram feitos em outros locais do Brasil, incluindo Vitória. Todos, entretanto, trabalharam com dados secundários (atendimentos ambulatoriais, internações hospitalares, etc). A inovação do estudo reside na obtenção direta de dados de saúde. Além disso, o monitoramento será feito com unidade móvel de medida de poluentes a ser deslocada para o bairro de residência dos participantes da pesquisa, permitindo melhor avaliação da exposição aos poluentes.

A produção e divulgação dos dados permitirão melhor compreensão da dinâmica da doença asma em Vitória, ou seja, o real impacto da poluição na exacerbação de sintomas. Esses dados são importantes para definir estratégias de melhoria da qualidade do ar e para o estabelecimento de medidas para enfrentamento desse problema de saúde pública.


Jane Meri Santos é professora, doutora do Departamento de Engenharia Ambiental é coordenadora do projeto Asmavix


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